sexta-feira, 12 de março de 2010

Steinway & Sons

Bem se sabe que agora, depois do surgimento do Gabriel, dinheiro é coisa que não abunda. Por outro lado, para além do dinheiro, o tempo é outro bem que nos vai escasseando. Entre um e outro, a falta de tempo é talvez aquele que mais nos dói na alma. Estamos menos com amigos, vamos menos a espectáculos culturais e nem sequer conseguimos ter jantares românticos a dois. Quer dizer, não tínhamos, porque agora, precisamente um ano depois, a criatura minúscula que se arrasta pelo nosso chão e acorda a que horas quer, vai dando sinais evidentes que, afinal, o investimento pode começar a ter algum retorno.
Recentemente o meu pai ofereceu-lhe um pequeno piano infantil para que ele se entretenha enquanto nós, pais, fazemos as lides domésticas com afinco. A ideia era cuidarmos da casa sem sermos interrompidos pelas súbitas carências afectivas do bicho. Paralelamente, a oferta do piano serviria também para lhe desenvolver o gosto pela música. Nada se mostrou mais acertado do que esta singela e aparentemente inofensiva oferta. Colocámos o piano no parque e agora, mal atiramos a fera para lá, esta gatinha decidida para o instrumento e começa a tocar com os seus minúsculos dedos nas teclas. Portanto, todos aquelas tarefas caseiras aborrecidas como varrer o chão, limpar o pó ou dobrar a roupa têm agora um som de piano por trás que muito nos alegra e aquece o coração.
Imbuídos pela novidade de ter um pianista de graça em casa arriscámos um jantar romântico que tanta falta nos fazia. Fizemos a comida, desligámos a televisão, acendemos as velas e colocámos o Gabriel no parque junto ao piano. Meus amigos, foi sublime. Conseguimos estar relaxados numa amena cavaqueira a falar da vida e do amor ao mesmo tempo que uma balada preenchia a nossa sala dando vida a uma família que por vezes anda mesmo muito cansada. Depois do jantar e aproveitando a inspiração do pianista, ainda me senti tentado a outros voos mais picantes, mas ela, maricas, não acompanhou o desejo.
- Com ele acordado nem pensar!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Porque às vezes esqueço-me de que isto (também) é um babyblog

Fica aqui a primeira palavra:
TEUSHHH
(Adeus.)
Nem mamã, nem papá, nem água.
Adeus.
É mesmo lusitano.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Pandora Virtual

Tenho um problema terrível em querer coisas. Odeio querer, sinto-me mal. Sou uma desapegada por natureza, não ligo a objectos e desfaço-me deles mal deixem de ser necessários, sem me preocupar com o valor.

Mas queria tanto uma Pandora que dou por mim a ter grandes crises de despeito e inveja de quem tem, coisa própria de quem se sente mal com... ter coisas.

É que ainda por cima acho pindérico. Andar com a nossa vida em berloques a tamborilar no braço? Parece-me parvo.

Mas queria TANTO.

Para aplacar o meu despeito e confusão, vou começar a fazer a minha Pandora virtual.
O meu primeiro pingente é o Gabriel.

terça-feira, 9 de março de 2010

Queria comprometer-me

a não deixar a parte de mim que não gosto (ansiosa, preguiçosa, pouco focalizada, cheia de traumas) seja maior do que aquilo que eu queria ser.
Mas, por algum motivo, vejo-me sempre demasiado fraca para compromissos.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Daquelas coisas engraçadas

De uns meses para cá, tenho vindo a achar piada a algo que nunca, nem nos meus sonhos (ou pesadelos) mais alucinados acharia há uns anos: famílias grandes, aí de três filhos, gente barulhenta a almoçar em restaurantes baratos, a distribuir carolos e gargalhadas, a contar o dinheirinho muito bem contado, com o sentido de individualidade reduzido a pó e uma alegria desmedida por se ser clã.

É daquelas coisas engraçadas.

(Mas mesmo na ocorrência do milagre de ter condições financeiras/conseguir convencer o Hugo, nunca, atenção, NUNCA faria parte da detestável Associação de Famílias Numerosas, que considero isso mesmo que disse, detestável.)

terça-feira, 2 de março de 2010

Do nosso casamento

- O Hugo foi de ténis e estava lindo.
- Proibi gravatas.
- A sala era demasiado pequena para 70 convidados.
- Não houve baile e arrependo-me disso.
- 80% dos recados no meu livro de honra são de bêbedos a dizer coisas como "tou a adorar melhor casamento EVER".
- O Hugo pôs o Lyra do meu pai, eu pus o Carvalho do pai dele e fiquei Melissa Carvalho Lyra Carvalho, sem comentários.
- Flipei na hora do buffet e tranquei-me na casa de banho.
- O fotógrafo esqueceu-se de fotografar a sala, que estava linda, e eu passei-me.
- As mesas tinham nomes das mulheres da nossa família, e a principal chama-se Melânia.
- As minhas primas fizeram-me o vestido de noiva e o arranjo do cabelo. Atrás do arranjo, bordaram: TE AMAMOS.
- A avó do Hugo fez 95 anos no mesmo dia, houve bolo e parabéns para ela.
- Depois da festa fomos para o bar da Lili, eu vestida de noiva.
- Apesar de termos dito que não era preciso, toda a gente nos deu dinheiro, o que soube MESMO MUITO BEM.
- Houve prendinhas para toda a gente: origamis para as mulheres, mikados para os homens, sacos com brinquedos para as crianças, parkers gravadas para a família chegada, caixas personalizadas com chocolates, velas e revistas da Turma da Mônica para os padrinhos.
- Entrei ao som de Marisa Monte, de mãos dadas com o meu pai e o meu irmão.
- Tive uns convites estupendos que fizeram muito sucesso.
- Chorei em dois momentos: quando vi os meus amigos do peito que tinham vindo de Londres e quando o meu pai disse que não me tinha visto chorar.
- 20 dias depois, no dia 26 de Outubro, atirei o meu ramo ao mar, em homenagem à minha mãe.



Agora vendo, acho que a coisa que mais destoava no meu casamento era eu mesma, vestida de noiva.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Actualizações das últimas queixas

Sólidos: seguindo a sugestão da Tatas e da Júlia, agora deixamo-lo javardar. E ele javarda. Vai comendo e javardando. Ontem fomos ao japonês e ele enfiou a cara num sushi vegetariano. Adorou. Hoje foram ervilhas, que ele espremia e metia na boca (há vídeos.)
É porco, porém divertido.
Depois de javardar, come a sopa e a fruta.
Sem pressas.

Sono: continua a mesma trampa. Agora acorda aos berros às 4h da manhã e não há co-sleeping que lhe valha. Tanto berra em nossa cama como na dele.
É que são mesmo berros! Não é fome, não é sede - mas com leite, pára. É a pavorosa da relação entre comida e paz que eu não queria que ele estabelecesse, mas, às quatro da manhã, estamos num vale-tudo educacional.
Quem cá vem sabe que ele nunca fez noites completas. Tudo bem, porque acordava, comia e voltava a adormecer. Mas agora é diferente, é como se fosse um pesadelo. Dura uma hora completa.
Andamos de rastos, sem forças.
Li numa newsletter que, pouco tempo antes de começarem a andar, é natural que passem por essas alterações nos padrões de sono. No nosso caso, passamos do inferno para o inferno adentro.

Como sempre, sugestões são aceites.