- Escolhemos um gajo.
- Tudo o que esse gajo faz é certo.
- Tudo o que os gajos do outro lado fazem é errado.
- As ideias do nosso gajo são cheias de bom senso.
- As ideias dos gajos do outro lado são demagógicas.
- O nosso gajo não mente.
- Os gajos do outro lado não param de mentir.
- As explicações do nosso gajo são lógicas.
- As explicações dos gajos do outro lado são lixo.
- O nosso gajo quer o bem do povo.
- Os gajos do outro lado querem o bem deles próprios.
- Todas as ideias do nosso gajo são boas.
- Todas as ideias dos gajos do outro lado são más.
sábado, 16 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
O tesouro
As cinco pessoas que por cá vão passando já leram mais de mil vezes o quão desapegada eu sou: demasiado desorganizada para manter seja o que for por mais do que o período estritamente necessário, ter coisas é algo que me dá comichão. Os objectos aqui em casa voam daqui para fora sem dó nem piedade.
Freud há-de explicar, mas eu gosto - como também já disse.
No entanto, esta moça tem um tesouro. Um tesouro maravilhoso que leva consigo nas mudas de casa, de vida, de país. A primeira coisa que procura quando chega a um novo pouso. E a primeira coisa a que recorre quando precisa de coragem.
A minha avó era de uma família rica de Caucaia. Até hoje, há hospitais e escolas com o seu nome de solteira. Já o meu avô era da beira da praia, veio de Icapuí para Fortaleza montado num jumento ainda em bebé, na década de 20 (ou antes, não sei). Sem nome e sem fortuna, apenas ganas e garra. E não ia tirar a Lourdinha da casa dos pais para lhe dar menos do que ela merecia. Assim, em 1941, julgo eu, parte do Ceará para o Amazonas para fazer um nome para si e casar com a noiva nos termos dela. Voltou depois da Guerra, julgo eu, em 1946.
As cartas que lhe escreveu nesse período, cheias de planos, de ideias para negócios, mexericos e, sobretudo, de muitos sonhos por concretizar são o meu tesouro.



Freud há-de explicar, mas eu gosto - como também já disse.
No entanto, esta moça tem um tesouro. Um tesouro maravilhoso que leva consigo nas mudas de casa, de vida, de país. A primeira coisa que procura quando chega a um novo pouso. E a primeira coisa a que recorre quando precisa de coragem.
A minha avó era de uma família rica de Caucaia. Até hoje, há hospitais e escolas com o seu nome de solteira. Já o meu avô era da beira da praia, veio de Icapuí para Fortaleza montado num jumento ainda em bebé, na década de 20 (ou antes, não sei). Sem nome e sem fortuna, apenas ganas e garra. E não ia tirar a Lourdinha da casa dos pais para lhe dar menos do que ela merecia. Assim, em 1941, julgo eu, parte do Ceará para o Amazonas para fazer um nome para si e casar com a noiva nos termos dela. Voltou depois da Guerra, julgo eu, em 1946.
As cartas que lhe escreveu nesse período, cheias de planos, de ideias para negócios, mexericos e, sobretudo, de muitos sonhos por concretizar são o meu tesouro.



segunda-feira, 11 de abril de 2011
Babyblog
Agarrou num dinossauro que por aqui anda desde sempre e pediu ao pai a locomotiva que estava na cómoda. Sentou-se, pôs o dinossauro em cima da locomotiva e pôs-se a cantar:
bóduuuu.... bódu.... bóio.... sauushhhh....
(Todos a bordo... todos a bordo... do comboio... dos dinossauros...)
Pá, se o meu filho não é ridiculamente brilhante, não sei o que será.
bóduuuu.... bódu.... bóio.... sauushhhh....
(Todos a bordo... todos a bordo... do comboio... dos dinossauros...)
Pá, se o meu filho não é ridiculamente brilhante, não sei o que será.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Ainda sobre o maior medo do mundo
Hoje à tarde, no parque, lá estávamos nós, a jogar à bola com outro menino da mesma idade no relvado. Entretanto, um cão avança sobre um miúdo de uns 10 anos que entra em pânico absoluto - mesmo - desatando a correr exangue pelo relvado a gritar como um louco, com o caniche a correr atrás, a dona do caniche atrás de tudo e o pai do miúdo atrás da dona do caniche.
Claro que todos os adultos ficaram hipnotizados com a cena. Parámos por uns 15 segundos, totalmente apanhados por aquela cena.
Quando terminou, olhámos para trás e... Onde estava o Gabriel?
O pai do outro menino que brincava connosco estava na mesma situação.
Ficámos loucos durante os três ou quatro segundos que aquilo durou. Os meninos estavam longíssimo - o Gabriel estava perigosamente por baixo dos baloiços dos grandes.
Gelei ao pensar que bastavam 15 segundos para que, com uma manobra de distracção tão parva quanto um puto histérico e patético aos berros, podiam ter-nos levado o Gabriel. É que dava tempo. E é facilmente organizável.
NUNCA, nem num milhão de anos, me ocorreria algo tão paranóico antes de ter o Gabriel.
É disto que falo.
Claro que todos os adultos ficaram hipnotizados com a cena. Parámos por uns 15 segundos, totalmente apanhados por aquela cena.
Quando terminou, olhámos para trás e... Onde estava o Gabriel?
O pai do outro menino que brincava connosco estava na mesma situação.
Ficámos loucos durante os três ou quatro segundos que aquilo durou. Os meninos estavam longíssimo - o Gabriel estava perigosamente por baixo dos baloiços dos grandes.
Gelei ao pensar que bastavam 15 segundos para que, com uma manobra de distracção tão parva quanto um puto histérico e patético aos berros, podiam ter-nos levado o Gabriel. É que dava tempo. E é facilmente organizável.
NUNCA, nem num milhão de anos, me ocorreria algo tão paranóico antes de ter o Gabriel.
É disto que falo.
Curtinhas
- Muitos miúdos do infantário do meu filho tomam lá o pequeno-almoço. O que comem? Fatias de torta dan cake, bolicaos, madalenas de pacote. Não entendo. Ao pequeno-almoço? Really? O meu ainda toma um belíssimo biberon de papa. Viva o biberon e viva a papa.
- Estou francamente preocupada com o nosso futuro financeiro. Somos excelentes a esticar dinheiro, mas não queremos abrir mão da (caríssima) creche do Gabriel. Ele adora aquilo, está muito bem lá, por isso nós também adoramos aquilo e estamos muito bem. Em bom estrangeiro, we'll cross that bridge when we get there.
- Aliás, o nosso nível de preocupação com tudo aumentou exponencialmente com a chegada do Gabriel. Já penso em tratar da dupla nacionalidade dos gajos não por patriotismo, mas para o caso de haver um maremoto e ficarmos sem nada. A perspectiva de ficar sem nada, agora, não tem puto a ver com o que era há dois anos.
- Como já disse há uns tempos, não acho que amor de mãe seja o maior do mundo. Mas o medo de mãe, ah, disso não tenho sombra de dúvida. Não sabia o que era medo a sério antes de ter tido um filho. É outro campeonato de medo.
- Estou francamente preocupada com o nosso futuro financeiro. Somos excelentes a esticar dinheiro, mas não queremos abrir mão da (caríssima) creche do Gabriel. Ele adora aquilo, está muito bem lá, por isso nós também adoramos aquilo e estamos muito bem. Em bom estrangeiro, we'll cross that bridge when we get there.
- Aliás, o nosso nível de preocupação com tudo aumentou exponencialmente com a chegada do Gabriel. Já penso em tratar da dupla nacionalidade dos gajos não por patriotismo, mas para o caso de haver um maremoto e ficarmos sem nada. A perspectiva de ficar sem nada, agora, não tem puto a ver com o que era há dois anos.
- Como já disse há uns tempos, não acho que amor de mãe seja o maior do mundo. Mas o medo de mãe, ah, disso não tenho sombra de dúvida. Não sabia o que era medo a sério antes de ter tido um filho. É outro campeonato de medo.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Curtinha sobre uma noite de Verão fora de horas
Não sabe sempre a um presentinho de Deus?
E é feio devolver presentes, por isso, quando fui despejar o lixo e vi que estavam uns bons 25 graus lá fora, agarrei nos homens e fomos todos para o parquinho aqui ao lado.
Tão bom.
E é feio devolver presentes, por isso, quando fui despejar o lixo e vi que estavam uns bons 25 graus lá fora, agarrei nos homens e fomos todos para o parquinho aqui ao lado.
Tão bom.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Pleased to Meet You
Ao beber um primeiro café, uma pessoa que nunca me viu na vida fica a saber três coisas em cerca de cinco minutos:
- Que quebro o gelo e arranjo um ponto em comum com facilidade.
- Que a minha mãe morreu.
- Que tenho um orgulho maternal do meu irmão.
Pensei nos últimos, vá, 10 primeiros cafés, e foi sempre assim.
E que o meu café é cheio, também.
- Que quebro o gelo e arranjo um ponto em comum com facilidade.
- Que a minha mãe morreu.
- Que tenho um orgulho maternal do meu irmão.
Pensei nos últimos, vá, 10 primeiros cafés, e foi sempre assim.
E que o meu café é cheio, também.
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