sexta-feira, 13 de maio de 2011

quinta-feira, 12 de maio de 2011

O meu quadro preferido


Tinha 13 anos quando fui ao Prado e fiquei mesmo muito tempo a olhá-lo - todo mundo fica, a coisa é gigantesca e cheia de pormenores. Mas não vou escrever clichés - que, não se enganem, quase todo mundo vai buscar na hora à wiki - sobre coisas de que não sei falar. Só acordei com As Meninas em mente e gostaria muito de voltar a vê-lo e achá-lo a maior coisa do mundo, além de lindo. Lindo deve continuar, mas imagino que deva ter encolhido um pouco com o tempo.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Na sala de embarque de Heathrow

Na volta de Londres, à espera dum atrasadíssimo voo da Tap para Lisboa. Ao pé de nós, um rapazote de cinco ou seis anos perdido, é abordado por uma senhora que o leva a um segurança. Desaparecem e passam-se um ou dois minutos, ouve-se no altifalante que se encontrou um menino perdido de camisola vermelha que não falava inglês. Pouco depois, vê-se uma tipa da minha idade, baixinha como eu, fato de treino e rabo de cavalo, sem pinga de sangue na cara, a gritar por um nome, de olhos arregalados, num pico de adrenalina. Perguntei-lhe se era um menino de camisola vermelha - apontei para a minha, ela disse que sim com a cabeça e apontei-lhe por onde o menino tinha ido com o segurança. Quando olhei, estavam montes de pessoas a apontar o mesmo caminho, quase formando um corredor para a mulher.

Quando ela apareceu agarrada ao rapazote, a cobri-lo de beijos e a ralhar-lhe numa língua esquisita e a dar-lhe tautaus nervosos ao mesmo tempo, tive de sair de perto do Hugo para chorar sossegada.

E choro até hoje, quando me lembro.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Da farofa e dum erro ortográfico que odeio

- Farofa é um acompanhamento divino para qualquer prato. Farofa fica bem até com lasanha. Uma correcta farofa só leva óleo - muito - e sal. Farofa não serve para salpicar o feijão, isso é reduzir a farofa a tempero. Farofa é das melhores comidas do mundo. A melhor farofa do mundo é a de Fortaleza. No resto do Brasil a farofa não presta, só serve mesmo para salpicar o feijão. Eu faço uma farofa fabulosa - só com óleo e sal, obviamente.

- Um acento serve para marcar a tónica da sílaba, e não para abrir ou fechar ou nasalizar vogal. Por favor, parem de escrever cházinho e pézinho.

domingo, 8 de maio de 2011

Feira do Livro (curtíssima)

É a única altura em que a editora Replicação teria a mesma exposição do que uma paquidérmica Leya, que transformou editoras em chancelas. E que podias descobrir que achavas interessante os títulos da Editora Espírita, porque o stand dela tinha o mesmo tamanho do da Bertrand e chamava-te a mesma atenção.

Mas não, agora a Leya tem um shopping lá dentro, bem como outras gigantes, jogando a dantes tão igualitária Feira do Livro para o mundo em que os pequenos vivem sempre de mês para mês, com poucas hipóteses de se deixarem conhecer - até serem engolidos por um grande grupo que monta um shopping ali para o meio.

É muito triste.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Tudo tem um lado bom

O lado bom de não ter férias pagas, nem subsídios de ordem alguma, segurança social deficiente e - o pior de tudo - não saber de onde vem o salário daqui a três meses é poder acordar o filho às tantas, estar com ele HORAS no ron-ron-ron de manhã, ir buscá-lo a horas decentes e ir ao parque ou à praia todo santo dia em que não chove.

Todos os dias, no parque ou na praia, olho para o Hugo enquanto o Gabriel chafurda na areia ou no meio dos patos e digo: esta vida é um luxo.

Outros luxos: tomar pequeno-almoço com a Tatas, beber café com as tradutoras durante a semana... Dinheiro e estabilidade não há mesmo, e noites preocupadas abundam. Mas ser-se dono do próprio tempo não tem preço. Especialmente quando a instituição onde o marido trabalha institui horário flexível e o dito passa a sair às 17. Um luxo. Tempo é luxo.

domingo, 1 de maio de 2011

Do que a sua mãe mais gosta?*

Nada de flores (a coisa mais inútil do mundo, nas palavras dela), chocolates (não gostava, como o meu filho) ou postais (é mais ou menos como as flores). O que a minha mãe gostava mesmo era de uma boa passeata num shopping cheio de lojas baratas. A prenda? 50 eur para desbundar em cacarecos mais inúteis do que flores.

A minha mãe esteve por cá até aos meus 27 anos e aos 17 do Fernando. Não sei o que o meu irmão tem dela, porque o Fernando é todo amor e compaixão e muitos beijinhos, como o meu pai. Eu sou a esquisita dos dois: pouco táctil, nada carinhosa (a não ser com o meu filho e marido), muito poupada e determinada em quase tudo. Sou resiliente e criativa na maioria das situações. E isso, devo-lhe claramente a ela.

Adoraria vê-la como avó.
É tão injusto, ninguém devia morrer aos 50 anos.

* campanha do Boticário deste ano.