domingo, 10 de julho de 2011

Sobre nós

O skype é uma maravilha, mas o skype não é a porta da casa a abrir-se e alguém desejado por ela entrar.

Sobre mim

Yaps, sou queixolas, mas vou à luta como poucos.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Vou a meio da Almirante Reis e já

- Entrei num centro comercial que faz o da Mouraria parecer o Beloura;

- Vi uma velha a mendigar com fotos de mortos em caixões espalhados por toda a parte;

- Entrei num restaurante 100% jalal premiado por vários guias de restaurante (não comi, não havia fallafel);

- Vim a um cyber café nos fundos de uma mercearia asiática e estou cercada (soterrada?) por caixotes de fruta estranha.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Faço artesanato,

ou seja, vou ali ao chinês e compro uma data de molduras pré-fabricadas, bem como caixas e letras soltas e bonecas, colo tudo e pimbas, sou artista urbana, com loja na Etsy e às vezes até vou a feiras de artesanato e tudo.

Se estiver mais numas de bijutaria, não me acanho: à direita, no mesmo chinês, tenho contas de várias cores, correntes, enfio tudo por ali além e ponho num saquinho de tule - ENA! Também há no chinês - e pronto, sou joalheira. Mas esperem, porque ainda não saí do chinês e também tenho imenso talento para fazer ganchos e pregadeiras: compro flores de feltro de vários tamanhos, colo umas às outras e tungas, faço história da moda.

Chiça, que sou talentosa, pá.

domingo, 3 de julho de 2011

Dois dias, duas epifanias necessárias

Uma através de uma pessoa que, de repente, me conhece como poucas outras.

Outra totalmente inesperada e linda, triste e certeira. Excelente.

Pois, eu sei, é pouco.

sábado, 2 de julho de 2011

ET phone home

A ideia de voltar à minha cidade natal, a qual não vou há sete anos e que, antes disso, não ia há cinco, não me causa excitação, por incrível que pareça. Não que não tenha saudades: morro de saudades daquelas mulheres sobre quem escrevo aqui. Mas a ideia de voltar à minha cidade natal causa-me sobretudo ansiedade, muita ansiedade.

Mais do que ansiedade, acho que a palavra que procuro é medo. Eu sou outra pessoa completamente diferente, agora, depois de luto engolido, casamento, maternidade, vida. Estou bastante mais velha. BASTANTE mais gorda. Eu não sou a mesma pessoa que saiu de lá. E é ridículo, mas tenho um medo infantil de... de esta pessoa que sou hoje não ser aceite.

Sei de onde este disparate pegado vem, graças a Deus. Está bastante identificado. Identificar, para mim, nunca foi um problema. Ultrapassar, sim.

Mas, quer dizer, se voltar às origens não fosse fonte de conflitos, não haveria tantos filmes sobre o tema, certo?

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Amo o meu bairro Parte I

O parquinho infantil cheio de minis-tudo: tugas, zucas, ciganitos, ucranianos, indianos, espanhóis, cheio de "ela não fala português", "ele não entende", "mas tu és da onde", e palavrões que não entendemos e rapazes bonitos e bronzeados a jogar basquete com miúdas a fingir que se riem e a sussurrar muito do lado de fora, às vezes uma churrasqueira improvisada, todos suburbanos como nós três, todos a trinta minutos da capital, com os pais a darem 50 eur mensais pelo passe, todos clientes do Pingo Doce, todos remediados, mas que diabo, no fim de semana temos a praia a dez minutos, que é a única coisa que realmente importa.