Ainda estou a ensaiar como chegar ao meu escritor preferido (não autor, escritor mesmo, escrevinhador: estilo, economia), enquanto lá não chego, deixo aqui Araby, porque, está bem, dizem que o génio de Joyce está em Ulisses e em Finnegan's Wake, que nunca vou ler porque acho-os chatos e difíceis, e para mim ler é, antes de qualquer coisa, prazer, e Dublinenses faz-me sempre sorrir e chorar não sei bem porquê, especialmente este conto sobre o primeiro amor, ou melhor, sobre o menino que ama como se fizesse uma oração, porque é o único amor que conhece.
E, vejam lá que mimo, em português. Espero que seja uma tradução decente.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Curtinha sobre a manhã
O bebé deu uma manhã de cão. Acordou às cinco, choramingou, conversou, riu-se, fez tudo até estarmos bem acordados e o metermos em nossa cama, mesmo no meio dos pais. Adormecemos os dois e o bebé ora vinha para o pé de mim cutucar-me os olhos e belicar-me o nariz ora virava-se para chatear o pai, puxando o cabelo e os lábios. Quando nos virávamos de costas para ele, chorava indignado.
Mesmo assim, derrotados de sono, lá acordamos para o dia, a despachar banhos, biberões, pequenos-almoços, fralda, cocó logo a seguir, outra fralda, lanches, carro estacionado no cu de Judas, etc, nós, que dantes líamos o jornal calmamente todas as manhãs.
Ainda há bocado perguntei ao Hugo se ele queria vir comigo e o bebé ao shopping mais logo, e ele respondeu que sim. Afinal, o que ficaria a fazer sozinho em casa?
Acho incrível como a nossa vida tão revirada pelo avesso, tão caótica e cheia de brinquedos espalhados e biberões sujos, pode preencher-nos tanto emocionalmente e sim, fazer-nos tão felizes. Nós adoramos isto. Adoramos cada bocadinho disto, até cairmos para o lado.
E, quando caímos, ele chega ao pé de nós e enfia-nos o dedo no olho para arrebitarmos e começar tudo outra vez.
Mesmo assim, derrotados de sono, lá acordamos para o dia, a despachar banhos, biberões, pequenos-almoços, fralda, cocó logo a seguir, outra fralda, lanches, carro estacionado no cu de Judas, etc, nós, que dantes líamos o jornal calmamente todas as manhãs.
Ainda há bocado perguntei ao Hugo se ele queria vir comigo e o bebé ao shopping mais logo, e ele respondeu que sim. Afinal, o que ficaria a fazer sozinho em casa?
Acho incrível como a nossa vida tão revirada pelo avesso, tão caótica e cheia de brinquedos espalhados e biberões sujos, pode preencher-nos tanto emocionalmente e sim, fazer-nos tão felizes. Nós adoramos isto. Adoramos cada bocadinho disto, até cairmos para o lado.
E, quando caímos, ele chega ao pé de nós e enfia-nos o dedo no olho para arrebitarmos e começar tudo outra vez.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
É a literatura, camarada! Parte I
Vou aos poucos reunindo aqui alguns dos meus contos preferidos - o que for encontrando pela net. Queria ter tempo de os traduzir, mas não tenho, por isso, ficam em inglês. Se alguém um dia os ler, diga o que achou. Se não, enfim, ficam aqui os links para quando me apetecer revisitá-los - já não tenho os livros, perderam-se nas rodas-vidas de empréstimos e doações a bibliotecas, porque, como já disse várias vezes, não gosto de ter coisas.
Vou começar por este Everyday Use da Alice Walker, uma das minhas autoras preferidas - acho que só perde mesmo para Toni Morrison, e imagino que as duas sejam amigas - são americanas negras da mesma geração.
Começo por este conto porque é Natal e os valores de família são de uso diário, e não de uso esporádico/decorativo.
Espero que alguém leia e goste!
Vou começar por este Everyday Use da Alice Walker, uma das minhas autoras preferidas - acho que só perde mesmo para Toni Morrison, e imagino que as duas sejam amigas - são americanas negras da mesma geração.
Começo por este conto porque é Natal e os valores de família são de uso diário, e não de uso esporádico/decorativo.
Espero que alguém leia e goste!
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
declaração rasgadíssima a 4 de Dezembro
O meu marido faz anos amanhã. E dou-lhe já os parabéns por ser um homem bom, íntegro, gentil, boa onda, divertido, engraçado, paciente. Agradeço-lhe por ter estado ao meu lado em todas as decisões dos últimos oito anos e ter aguentado trancos e barrancos sem nunca arredar pé. Por aturar as minhas crises de mau humor que nem eu própria aturo. Por deixar-me gritar e gritar e gritar sem dar muita importância. Por ser o meu melhor amigo e ouvir tudo, tim-tim por tim-tim, sempre, valorizando cada pormenor. Por levar-me a cemitérios porque gosto de cemitérios e comprar-me lápis de cera porque gosto de lápis de cera. Por fazer-me sentir inteligente e bonita. Por adorar as minhas ideias mais ridículas. Por rir de cada piada minha, e de cada ataque de fúria também. Por gostar do meu irmão como se irmão dele fosse, e do meu pai como se fosse um amigo de longa data.
Por ter concordado em ter um filho na altura em que eu me senti preparada, apesar de não ter certezas. Por me ter apoiado quando as minhas certezas foram pela sanita abaixo. Por ter dividido todas as tarefas da maternidade comigo desde a sala de parto. Por ter atravessado comigo toda a angústia dos primeiros dias de bebé sem se alienar. Por ter-me apoiado quando eu quis amamentar e apoiado quando não quis mais. Por acordar de madrugada muito mais vezes do que eu.
Por parecer o homem mais feliz da terra quando tem o meu filho ao colo, também agradeço. E por ter feito o Gabriel exactamente como ele é - Ele, Hugo, porque de mim o Gabriel só tem o físico, com a graça de Deus.
Parabéns, Gugs.

E é sexy que se farta.
Por ter concordado em ter um filho na altura em que eu me senti preparada, apesar de não ter certezas. Por me ter apoiado quando as minhas certezas foram pela sanita abaixo. Por ter dividido todas as tarefas da maternidade comigo desde a sala de parto. Por ter atravessado comigo toda a angústia dos primeiros dias de bebé sem se alienar. Por ter-me apoiado quando eu quis amamentar e apoiado quando não quis mais. Por acordar de madrugada muito mais vezes do que eu.
Por parecer o homem mais feliz da terra quando tem o meu filho ao colo, também agradeço. E por ter feito o Gabriel exactamente como ele é - Ele, Hugo, porque de mim o Gabriel só tem o físico, com a graça de Deus.
Parabéns, Gugs.

E é sexy que se farta.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
A Cátia e o seu bebé
Perguntei à Cátia sobre como estava a correr a maternidade, pois já se passaram alguns meses desde o nascimento do Sebastião e ainda não sabia nada. Munindo-se de todo o palavreado do mundo, ela escreveu, escreveu e escreveu mais um pouco.
Achei engraçado notar, querida, que mesmo tendo tomado opções tão diferentes das minhas, as preocupações e as angústias são iguais. Detesto a expressão "mãe é tudo igual, só muda de endereço", mas acho que nos enquadramos bem no "todas diferentes, todas iguais".
Depois de ler o que escreveste, só me resta desejar-te assim, meio tardiamente, as boas vindas a este mundo cheio de dores e delícias que é a maternidade.
Nunca mais voltamos a ser as mesmas - e a maior parte do tempo, isso é bom.
Achei engraçado notar, querida, que mesmo tendo tomado opções tão diferentes das minhas, as preocupações e as angústias são iguais. Detesto a expressão "mãe é tudo igual, só muda de endereço", mas acho que nos enquadramos bem no "todas diferentes, todas iguais".
Depois de ler o que escreveste, só me resta desejar-te assim, meio tardiamente, as boas vindas a este mundo cheio de dores e delícias que é a maternidade.
Nunca mais voltamos a ser as mesmas - e a maior parte do tempo, isso é bom.
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Prémios Melissinha de Ouro 2009
Sabem aqueles selinhos que mandam a dizer que sem este blog não podia viver, que este blog é o maior barato, este blog até arrepia e quetais?
Detesto-os todos.
Mas hoje quero tirar uns minutinhos para atribuir prémios a alguns blogs que sigo, porque dão alegria aos meus dias e sim, podia viver sem eles, mas é mais fixe viver com eles.
Não vou pôr os links porque se não nunca mais me despacho e hoje só é feriado para os ricos (eu tenho trabalho), mas estão todos ali ao lado.
Vou começar pelos blogs dos companheiros de blogonovelas (das quais estou afastada por motivos profissionais), o Cheirinho a Éter e o Vontade de Regresso. O Miguel tem o entusiasmo dos carneiros e escreve posts cheios de humor negro e pontos de exclamação, e a Ana, tendo uma sensibilidade bem diferente da minha, consegue proezas como "bomba de aleitamento materno" e "balde de água de vampiro fria", que acho delicioso e me sabem a bombom. Adoro essas expressões dela, porque são únicas.
O Neurotic Baby também é um dos meus preferidos, porque é muito terra-a-terra, com sentimentos terra-a-terra, de gente de carne e osso, sem devaneios oníricos. Identifico-me muito contigo, Pekala. Acho que temos preocupações muito parecidas.
Uma aquisição nova é o Precis Almana. A sua autora ganharia qualquer prémio de elegância na escrita de que eu fosse júri. Sendo caótica por natureza, gosto muito de ler textos claros, limpos, com começo meio e fim. E o bónus? Com conteúdo. Um mimo.
Adoro os momentos de desabafo do Lucas e Outras Histórias. A Manue, em toda a blogosfera, é a mãe mais parecida comigo. Temos a mesma esquizofrenia.
Falando em momentos de desabafo, a minha última menção vai para o Começar Bem é Preciso, porque eu podia ter escrito qualquer uma das explosões de procrastinação e desorganização da colega Ana.
E pronto, atribuídos estão os Melissinha de Ouro 2009.
(PS obviamente que leio muitos outros, mas, para já, ficam estes.)
Detesto-os todos.
Mas hoje quero tirar uns minutinhos para atribuir prémios a alguns blogs que sigo, porque dão alegria aos meus dias e sim, podia viver sem eles, mas é mais fixe viver com eles.
Não vou pôr os links porque se não nunca mais me despacho e hoje só é feriado para os ricos (eu tenho trabalho), mas estão todos ali ao lado.
Vou começar pelos blogs dos companheiros de blogonovelas (das quais estou afastada por motivos profissionais), o Cheirinho a Éter e o Vontade de Regresso. O Miguel tem o entusiasmo dos carneiros e escreve posts cheios de humor negro e pontos de exclamação, e a Ana, tendo uma sensibilidade bem diferente da minha, consegue proezas como "bomba de aleitamento materno" e "balde de água de vampiro fria", que acho delicioso e me sabem a bombom. Adoro essas expressões dela, porque são únicas.
O Neurotic Baby também é um dos meus preferidos, porque é muito terra-a-terra, com sentimentos terra-a-terra, de gente de carne e osso, sem devaneios oníricos. Identifico-me muito contigo, Pekala. Acho que temos preocupações muito parecidas.
Uma aquisição nova é o Precis Almana. A sua autora ganharia qualquer prémio de elegância na escrita de que eu fosse júri. Sendo caótica por natureza, gosto muito de ler textos claros, limpos, com começo meio e fim. E o bónus? Com conteúdo. Um mimo.
Adoro os momentos de desabafo do Lucas e Outras Histórias. A Manue, em toda a blogosfera, é a mãe mais parecida comigo. Temos a mesma esquizofrenia.
Falando em momentos de desabafo, a minha última menção vai para o Começar Bem é Preciso, porque eu podia ter escrito qualquer uma das explosões de procrastinação e desorganização da colega Ana.
E pronto, atribuídos estão os Melissinha de Ouro 2009.
(PS obviamente que leio muitos outros, mas, para já, ficam estes.)
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