Desde que me entendo por gente que tenho medo de dormir sozinha. Quando era criança, estava sempre a escapulir-me para o quarto da minha mãe até me instalar lá definitivamente. Papai vivia fora, vinha de quando em quando e, quando vinha, lá era eu despachada para o meu quarto. Passava a noite a cantar aos berros e a rezar ave-marias para espantar os bichos todos. Das sensações boas que melhor me lembro da minha infância é quando eles finalmente cediam e eu podia ir para a minha rede no quarto deles. Lembro-me que os medos iam calando, um a um, impotentes. O corpo relaxava, cedia, e eu adormecia cansadíssima.
(Passou, naturalmente. Mas quando o Hugo, por um motivo ou por outro, chega mais tarde, o meu sono ressente-se).
Hoje, o meu filho adormece na sua cama e, lá para as três da manhã, acorda e vem para o meio da nossa. Recebemo-lo sem resistência. E nós três dormimos, assim, o melhor sono da noite, o sono dos protegidos. Mesmo com encontrões, pontapés, tosse. E acordamos mais ou menos juntos, a família toda.
Não há pediatra ou psicólogo no mundo que me consiga convencer de que o relaxamento que sinto ao dormir a dois ou a três seja errado. É o meu corpo que me diz que está certo. Disse-mo desde sempre.
E o do meu filho diz-lhe o mesmo.