terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dez da noite em Lisboa



... E depois de rebolar a rir, sozinhos na zona vip do cinema, cheios de pipoca e canapés até ao tampo, apanhámos o autocarro para casa, como há nove anos, ainda a rir-nos feitos parvos e a citar frases do filme.

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Há poucas coisas tão pavorosas quando, deparada com a notícia da morte de um filho/mãe/pai ou qualquer outra notícia devastadora, a pessoa responde que não sobreviveria, que morria, que matava, que enlouquecia.
Hello? Aconteceu à pessoa que vos falou, essa cabra sem sentimentos que sobreviveu, não morreu, não matou e não enlouqueceu.

Mais empatia e mais nível, senhores.

domingo, 25 de setembro de 2011

Pelo zunido das suas asas, você me falou



Só vi um em toda a minha vida, provavelmente enquanto vivia em Porto Trombetas, em plena floresta amazónica.
Tem um voo supersónico e em linha recta. Estaca no ar. Vai noutra direcção completamente diferente, em velocidade beija-flor, desaparecendo para sempre. Impossível, impossível ver-lhe as asas.

Quase 30 anos depois, ainda não estou completamente convencida de que não era uma fada.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Para nunca me esquecer (se bem que duvido que me esquecesse)

Eu, Hugo e Gabriel a comer sushi, eu e Hugo embrenhados numa conversa, Gabriel começa a fazer um queixuminho. Olhámos para ele e lá estava o nosso bebé com a boca cheia de wasabi e os olhos cheios de água.

- Num góta. Num góóóóóóóóta!!!!

domingo, 18 de setembro de 2011

Curtíssima sobre o que me faz pensar "ainda bem que não ando armada"

Pessoas que, no cinema, mas principalmente no teatro, se riem em momentos altamente inapropriados. Não se pode fazer um único trocadilho, não se pode dar um cheirinho de sarcasmo que o povo começa logo a HAHAHHAHAHHAHAHAHAHA, quebrando o silêncio que a cena exigia. Mas essa gente tem de se rir SEMPRE? Caramba, já levámos com gargalhadas em cenas de pedofilia (juro por Deus. Nesta peça).

Era trancá-los todos ali no Parque Mayer e deitar a chave fora, para toda a eternidade.

(Tinha escrito "gentinha ignóbil que não merece viver". A sério).

sábado, 17 de setembro de 2011

Bombeiros Voluntários

"Hoje em dia há três alarmes internos, conforme a emergência. Se não houver gente suficiente no quartel para atender, fazemos soar a campainha externa", disse-nos a senhora do café do quartel dos Bombeiros. "E ainda vem gente?", perguntei. "Vem sim, vem muita gente".

O Gabriel entrou para natação na piscina dos Bombeiros a cerca de 50 metros da primeira casa em que vivi em Portugal. Das coisas que mais nos impressionaram no começo foi o soar da campainha a chamar os voluntários. Lembro-me de um pai entregar o filho ao colo da mãe e ir correndo para o quartel a tirar o casaco. Outros homens acorriam vindos de várias ruas, dezenas de Clark Kents a correr para a cabina telefónica. Achávamos aquilo o máximo, não havia nada de parecido no Brasil.

O Hugo partilhou comigo a memória que tinha do banco de madeira em frente à sua casa - está lá ainda - onde a rapaziada se sentava para namorar. Mal soava a campainha moscavidense e lá saía o jovem afobado para cumprir o seu dever de voluntário, deixando a moça lá especada num misto de orgulho e indignação.

A campainha calou-se para os incêndios. "Agora devem ter cá senhores a tempo inteiro", disse eu. O Hugo teimou a dizer que agora convocavam os voluntários por SMS (hahaha). Para o desempate, perguntei à senhora do balcão: A senhora é que deve poder tirar-nos aqui uma dúvida...

quinta-feira, 15 de setembro de 2011



Uma das canções mais lindas de sempre numa versão imaculada (e feminina) de uma gaja poderosa. É o que sinto hoje.
A vida a passar, ao sabor das minhas escolhas e das pessoas que vão entrando nela.