segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Os dinossauros cá de casa - update ou nem por isso


O Hugo pensou, pensou, e chegou à conclusão de que era o dentossauro. O meu criativo, inteligente, bondoso e sexy marido acha que a sua principal característica são os dentes assim meio para fora, portanto. Ainda tentei argumentar, sem sucesso.

O Gabriel foi fácil: é o melgossauro. Ele não gostou e diz que é o dinossauro mau e o monstro, mas não interessa, ele É o melgossauro.

E eu? Nada mudou de 2009 para cá: continuo a ser o culpossauro.

E vocês?
Muito difícil encontrar a imagem de um verdadeiro culpossauro.
Tanto tempo a chafurdar o que era verdade dentro de mim que acabei por me deixar cercar de mentiras fora de mim - mentiras nas minhas relações com o exterior: coisas (pouco, mas mesmo assim), gentes (algumas), histórias (muitas). Fui dizendo que nada era importante, quando, na verdade, tinha era preguiça de separar trigo de joio, sendo que não sei o que é joio e não sei se vale mais do que o trigo ou menos. A verdade é que eu não devia usar esta expressão antes de ir ao dicionário. 

Adiante: já sei o que é joio. Esta pequena ignorante vai, então, não digo expulsar, mas questionar o joio diretamente cada vez que o joio parece joio e não trigo. Não vou ficar mais na dúvida, ou pior, não vou ficar mais na certeza a fingir que estou na dúvida (mesmo sem saber o que era joio, farejo o que não é trigo a milhas). Estou mesmo cansada disto. Isto também é excesso de bagagem. Devia ter começado uma dieta de mentiras ao mesmo tempo que comecei a outra. Neste momento, já podia contar com 18 quilos de mentiras a menos. 


domingo, 12 de agosto de 2012

A frase do ano (ou porque casei com ele parte mil)

"Perdi a urgência da novidade".
(fomos ver a Princesa Mononoke em vez do Batman)

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Já está na altura de mudar, ou não?

Já não acho piada às festas medievais. Caramba, aquilo é sempre a mesma coisa! A mesma música, os mesmos comerciantes, as mesmas distracções, ou seja, a mesma merda de sempre. Não há paciência. A ideia até é gira, mas convenhamos que, quando temos a mesma experiência todos os anos, a coisa começa a fartar.
Lembro-me que, durante os primeiros anos em que namorei com a Melissa, íamos muito vezes passear o romance a estes sítios. Óbidos, Sintra, Sesimbra, Almodôvar, eram parte do nosso itinerário e, bem vistas as coisas, funcionávamos um bocado como groupies das feiras medievais.
Desistimos disso. Nasceu-nos um filho e agora a oportunidade de voltar aos mesmos locais só para ver cavalos montados por gajos com uma espada na mão já não é a mesma. Já vimos o espectáculo! Toda a gente já viu.
Um dia destes apareceu-me a ideia. E se substituíssem as feiras medievais pelas feiras renascentistas? Era uma novidade que muito emocionaria as gentes. Até podia haver senhores a pintar quadros, mulheres gordinhas desnudadas a fazer de modelos, estátuas com senhores de pila de fora, uma caravela feita mais ou menos á escala no meio das ruas para os miúdos brincarem e príncipes florentinos a passear pelos visitantes.
O que dizem, malta das câmaras municipais? Temos negócio?


Duas santíssimas trindades (ou coisas geniais em boas mãos)

O Corvo, de Poe, traduzido por Fernando Pessoa e Machado de Assis. 

The Great Gatsby, de Fitzgerald, realizado por Baz Luhmann com Leonardo di Caprio.

Quando corre tudo mal, podemos sempre lembrar-nos desses encontros fortuitos de talentos. Vou ver se me lembro de mais alguns, para ser ainda mais feliz.

E vocês? Alguma santíssima trindade a reportar? Ou quadrados, ou...

 
Oscarizável, escrito por Melissinha, realizado por M. Night Shyamalan.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Crónicas do Encolhimento - "Apenas usamos 6% da roupa que temos no armário"

Ouvi isso na Comercial hoje de manhã. E olha, fez-me plim. 

De vez em quando, há que levar o lixo para a rua. E se estou a tirar o lixo de dentro de mim, porque não tirar os excessos que me cercam também? Há tanta coisa duvidosa na minha vida. Falo de roupa, objetos, memórias e pessoas de origem e utilidade questionáveis. Coisas que não encaixam na minha vida e que me puxam para baixo há tempo a mais porque arranjo sempre mais um motivo para continuar com elas atreladas - sendo que o motivo principal é não conseguir olhar de frente para elas e dizer: "a tua energia é esquisita. Adeus. Sê feliz. É de coração, sê feliz, encontra outro dono ou pessoa a quem se atrelar".

Se só uso 6% do que tenho (e eu só uso 6% do que tenho), porque é que o armário está a explodir, como o meu corpo estava há uns meses? As Crónicas do Encolhimento são sobre tirar da Melissa o que não é Melissa.

Vamos a isso.

Nascer para o drama

É, aos três anos, ser solicitada para cantar isto em todas as festinhas de família.

Cresci ouvindo essa história, mas não tenho memória de cantar isto. No entanto, é absolutamente a minha cara. O meu tipo de canção. Hoje rio-me à brava a imaginar-me piolha de mão ao peito e cara de órfã.

O Gabriel começa a dar indícios de dramaqueenismo também. Valha-nos Deus. É que isto tem o seu lado fofo, o seu lado artístico e o seu lado defeito também.