terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Das pessoas e os seus baldes de caca

Estou sempre a dizer que que só confiava nas pessoas em que/quando via o seu dark side - nem que seja o dark side mais patético do planeta -, porque acho que é no dark side que se define a humanidade de uma pessoa, é lá que a encontramos verdadeiramente.

Mas não é bem assim, afinal tenho exceções.

Conheço duas pessoas, um homem e uma mulher, que não têm dark side. Conheço-os há muitos anos, de perto e de longe, e digo aqui, de peito aberto: aqueles dois (que não se conhecem) não têm sentimentos feios na alma. A humanidade deles é diferente, é pura generosidade e empatia. Não são auto-referentes, não conhecem a inveja (vá, talvez a branca), vibram genuinamente com as vitórias de quem gostam, têm o peito limpo. Podem não ser as pessoas mais engraçadas, divertidas e coloridas deste universo, mas não é disto que estou a falar.

E sobre a confiança... Fora da minha família-núcleo, seriam estas as pessoas às quais entregaria os meus sonhos e medos numa bandeja, sem qualquer tipo de reserva, independentemente do nosso grau de amizade.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

"Tens de procurar outros prazeres na vida, Melissa"*

Chegar à CUF Cascais cega de dor (tenho uma tendinite eternamente adormecida mas que, quando acorda, é uma besta do oitavo Inferno), não perceber que tinha de tirar senha e pôr-me logo ao balcão, a rececionista pede-me a senha, gemo-lhe que não tirei, viro-me para a máquina das senhas para ir buscar a dita cuja, e lá estava, acabadinha de chegar, uma louraça cascaence de gema, já de senha na mão. Penso, obviamente, que a louraça me vai dar a senha, mas não, dá a volta ao meu rotundo e dorido corpinho e tungas, é atendida antes de mim. Tiro a senha a seguir, estupefacta, a destilar veneno e a desejar que a tossezinha da puta fosse uma cena totalmente beyond repair. Ela, senha 47. Eu, senha 48.

No painel, aparece: senha 48 ao gabinete. Olhei para a minha, olhei para a rececionista, sim, dona Melissa, gabinete nº 2.

A médica enganou-se nas senhas e chamou a minha primeiro. Quando saí, houve um problema informático qualquer e a senha 47 levou mais uma boa meia hora a ser chamada.

* Recomendação da nutricionista, plenamente seguida esta noite na CUF de Cascais.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A minha caderneta de cromos parte 3

Enquanto vocês tinham... *não faço ideia, Wham?*, nós tínhamos os Menudo.

Meu Deus, os Menudo.

Cinco miúdos de 13 anos a vestir collants de corres berrantes que me arrastaram aí aos 8, 9 anos de idade para uma adolescência tão precoce quanto fulminante. Estávamos todas, TODAS, na 3a classe, apaixonadas por um menudo ou outro. E sabíamos o seu signo, cor preferida, prato preferido, de que localidade minúscula de Porto Rico eram.

Tornámo-nos especialistas em Porto Rico.
Tornámo-nos especialistas em amor.
Falávamos espanhol.
Íamos casar com o nosso Menudo preferido.

Claro que, na altura, não fazíamos ideia - e nem nos interessava tampouco - que fosse uma banda completamente artificial, que trocava sem apelo nem agravo os seus componentes mal começavam a mudar a voz. Para nós, eram simplesmente a melhor coisa do mundo e mexiam com os dois dedos de hormonas que podíamos ter naquela idade. Sonhávamos acordadas, tínhamos as lancheiras e a caderneta de cromos. As poucas que já tinham vídeo em casa, gravavam as aparições em programas de auditório.

Passaram-se quase 30 anos e continuo ouvindo aquilo no youtube com muito gosto - e confesso que gosto muito de algumas canções, especialmente das letras. Eh, pá, gosto mesmo das letras. Vejam lá esta descrição do primeiro amor, como é spot-on:

No tiene cuerpo ni se puede tocar
y la vieron cruzando el cielo
Llega de pronto, llega sin avisar
como flecha de buen arquero
Cuando te toca, quema toda tu piel
como rayo que funde el hielo
No tiene cuerpo ni se puede tocar
y la vieron cruzando por mi calle

E agora, para acabar de lixar qualquer réstia de reputação que ainda pudesse ter, o vídeo que me tirava o fôlego:




E não perdoo nunca, NUNCA, papai não me ter deixado ir vê-los ao Castelão. Mamãe já tinha dito que sim e os oito mil cruzeiros iam sair da minha mesada (sair, como quem diz: seriam uns três meses de mesada).

UPDATE ESPECIALÍSSIMO:
Foi quando ouvi Rayo de Luna pela primeira vez que tive a certeza de que eu seria a futura Mrs. Martin. Topem lá a carinha. Quem diria, meu Deus. Suspiros.


"Cuando besa dice primero:
-Beso tus labios porque te quiero".

é MUITO romântico.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Mais uma mini-partilha inconsequente



Quando o Hugo se afastou um bocadinho, olhei para cima e me veio o velho e inexplicável nó na garganta e os olhos a encherem-se. Senti-me avassalada. Um momento surpreendente, pois nem era algo por que estivesse especialmente ansiosa.

Não entendo, mesmo. Foi como os tambores dos Toca a Rufar.

De longe, a coisa mais linda que já vi na vida.

Coisas que ninam a Melissinha

Canta, canta passarinho, canta, canta miudinho
Na palma da minha mão
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
Quero paz no coração
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
Na palma da minha mão

Na palma da minha mão tem os dedos tem as linhas
Que olhar cigano caminha procurando alcançar
A nau perdida, o trem que chega, a nova dança
Mata verde esperança, em suas tranças vou voar

Passarinho... eu vou voar

Quero paz no coração

Meu alegre coração é triste como um camelo
É frágil que nem brinquedo, é forte como um leão
É todo zelo, é todo amor, é desmantelo
É querubim, é cão de fogo, é Jesus Cristo, é Lampião

Passarinho... eu vou voar
Passarinho... eu vou voar
Passarinho... eu vou voar

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

OMG!!!!

She's back!
Obrigada, Senhor!
É muito raro surpreender-me com uma pessoa, porque é muito raro que as minhas primeiras impressões estejam erradas. E também é raro não aceitar o lado negro das pessoas, porque só confio em quem tem um lado negro. E também já disse imensas vezes que aceito as pessoas na minha vida com os seus baldes de merda - porque o balde de merda existe mesmo, todo mundo tem, e fingir que ele não existe é a maneira mais fácil de levar com ele em cima.

Não é pensar que são bonzinhos e tê-los num pedestal aconteça o que acontecer. Não é não ver o lado mau, é absorver o lado mau. Não é ingenuidade, é o contrário de ingenuidade.

E, mesmo estando antenada para as canalhices de que todos nós somos capazes quando postos à prova, às vezes ainda fico boquiaberta com o tamanho do balde de merda de algumas pessoas.

Caramba, às vezes nem eu consigo absorver tamanho balde de merda.