sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Divagação pequenina sobre o post anterior

"E onde quer que eu vá no mundo, vejo a minha torre".

Que verso tão lindo, Gil. Obrigada por ele.

E faz-me lembrar um post que escrevi há uns tempos (anos?) sobre como me sabia bem, onde quer que estivesse de carro, ver o Palácio da Pena. Dá-me uma sensação de conforto e casa que aprecio muito.

Não sou grande viajante, nunca fui.
Gosto mesmo é de, esteja onde estiver, ver a minha torre.

Eu acredito em sinais

Não, não na pinta horrorosa que eu tinha no pescoço e que foi à vida há uns anos.

Há muitos anos, mesmo muitos, tipo DEZENAS, li um artigo numa revista que me impressionou muito. Há coisa de um ano, resolvi voltar a ele a ver se saía alguma coisa, alguma ideia para escrever. Mas, caneco, não fazia ideia de que revista era, em que ano tinha sido, não fazia puto ideia de nada. Mesmo assim, cheia de fé, rumei à hemeroteca de Lisboa, que é algo assim meio biblioteca de Hogwarts mas mais arcaica, na certeza de que, com dois dias de pesquisa intensa, encontraria a matéria.

Encontrei-a em menos de uma hora.

Para mim, foi um sinal, e foi mesmo um sinal, porque estou a usá-la com carinho, amor e empenho como ponto de partida para um projeto meu.

Há sete anos, no dia seguinte ao funeral da minha mãe, fomos à praia. E estava lá uma rapariga a tocar uma canção que me ficou na cabeça como tatuagem, só a melodia, e sempre turva pela confusão mental. Só sabia de quem era a canção, mais absolutamente nada. E procurei-a estes anos todos, talvez até tropeçando nela algumas vezes, mas, caramba, eu MAL me lembrava. Só me lembrava de como me fez sentir: uma alegriazinha, um alívio, uma esperança no futuro.

Arrumando os meus ficheiros de música hoje, encontrei-a. Bastou-me olhar para o ícone do ficheiro para saber que era ela - e não sabia o nome da canção.

A canção do alívio estava no meu PC há pelo menos um ano e nem faço puto ideia de como foi lá parar.

Assim sendo, algo bom está por vir.
Porque não sei se acredito em Deus, mas acredito em anjos, e acho que estas merdas são anjos a falar comigo.

Só a título de curiosidade, a versão é esta, o original é de Gilberto Gil:


E por algum motivo, sabe a capítulo fechado.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Os Descendentes

Para quem já esteve à espera de que alguém morresse, e que, por misericórdia, morresse o mais depressa possível, a procura por Brian Speer não tem nada que ver com resolver assuntos pendentes, descobrir verdades, nem nada disso.

Tem que ver com fugir dum quarto que cheira a morte, com estar o máximo de tempo possível distraído do que vai acontecer, o máximo de tempo possível numa realidade paralela, nem que para isso se tenha de trocar todas as prioridades do mundo.

O Brian Speer foi uma verdadeira bênção na vida daquela família.


("Ah, que não leste o livro, nhém nhém nhém, o filme é bem pior, como sempre". Ora, isto é das coisas mais enjoativazinhas de se ouvir (ou ler, como anda aí pelos blogos da moda). Um filme e um livro são dois produtos completamente diferentes e, amigos, um filme não pode nunca, não DEVE ser a ilustração dum livro. Um filme tem de ter ponto de vista, tem de acrescentar qualquer coisa, tem de nos ajudar a ver outros ângulos e a fixar a nossa atenção no que o realizador/argumentista quer que vejamos. Odeio mesmo a lenga-lenga de o livro ser melhor do que o filme. Coisa mais bimba e redutora).

domingo, 29 de janeiro de 2012

Adoramos

parques em que nos divertimos mais que os putos




sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Porque casei com ele

No Colombo, por baixo da cúpula, dezenas e dezenas e dezenas de poltrona formam um círculo à volta da praceta. A cada dez ou doze poltronas, há um cluster de outras poltronas e sofás por trás. Musiquinha New Age e vídeos da ilha da Páscoa nos painéis à volta da cúpula, por cima das poltronas.

Em cada poltrona e sofá estava um velho a dormir. Em CADA UMA delas. Todos os velhos do mundo vão para aquelas poltronas cochilar. Uns de boca aberta, outros com um jornal gratuito na cara, outros com a cabeça a pender sobre o peito, outros completamente a pender sobre o velho adormecido ao lado. Estavam alguns 80 velhos a dormir sob a cúpula do Colombo.

Tive de lhe telefonar a dizer-lhe isso.

E ele entendeu perfeitamente a urgência.

A terapeuta e o meu irmão

- Acredita nas pessoas?
- Não. Acho que somos um poço de boas intenções, mas de natureza má. Passamos a vida a tentar parecer melhores do que somos, mas, no fundo, somos mesquinhos, todos nós, e tudo o que fazemos é apenas a pensar em nós próprios, por mais que disfarcemos.
- Repare, pensar assim poupa-lhe imenso trabalho. Está sempre preparada para o pior, não se deixa atingir. Tente acreditar que, apesar do gene do egoísmo, há a hipótese de transformação pelo bem. Tente ter fé nisso.

______

- Tu acreditas nas pessoas. És diferente de mim. És capaz de pedir um hamburguer sem pão no McDonalds porque tens a certeza de que to vão dar. Eu tenho sempre a certeza que não.
- Claro que mo vão dar. É assim que estamos programados, para ajudar o próximo. O nosso sistema sabe que não sobreviveríamos sozinhos numa ilha. Somos cooperativos. Podemos lutar pela sobrevivência se for o caso. Mas em circunstâncias normais, somos bons: não é moral, é natureza. A sério, irmã. Pensa no teu próprio comportamento. Não me davas um hamburguer sem pão?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Isolada no primeiro lugar, sem competição à altura

Não há ninguém no mundo que procrastine como eu. Nem perto. Nem um cheirinho de perto.
Eu procrastino TUDO.

Escrever.
Guardar compras.
limpar a casa.
Ir buscar filho ao infantário.
Desligar o computador.
Entrar no duche.
Sair do duche.

E o campeão: arrumar o meu armário.

Não importa o que digam, procrastinação é como a cor dos olhos, não se muda. Não se muda! Quem nasce procrastinador, depois de uma vida de boas intenções e tentativas, morre procrastinador. E quem disser que não é simplesmente por estar no meio de uma dessas tentativas. Existem ex-fumadores, ex-gordos, mas não existem ex-procrastinadores.