Às vezes, nem acredito que este peso todo está a ir embora.
Parece demasiado bom para ser verdade :)
Não posso dizer que mudei o meu estilo de vida, porque não chega a tanto (o ginásio ainda é um tremendo sacrifício e continuo preguiçosa), mas sinto mudanças dramáticas onde era mais complicado: na minha relação com a comida. São cada vez mais raros os momentos de ansiedade em que ataco bolachas ou o que quer que seja.
E isso é mesmo do caraças.
Isso e não sentir o avental de barriga, também.
Ok, um bocadinho, ainda, mas nada, nada comparado ao que já foi. Tenho pena de não o ter fotografado na minha última pesagem antes da dieta para ver o antes e o durante.
Dei-me conta de que as crónicas estão meio repetitivas. Oh, well. Que se há de fazer.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Ritual pós-festas
Ir para o aeroporto a falar sobre as escolhas do passado e como condicionaram o nosso presente, sobre o Fernando, sobretudo, mas também sobre a minha mãe e sobre ele mesmo. Sinto que se sente culpado a cada nova partida, o melhor pai do mundo. Tento fazê-lo ver que tanto eu quanto o Fernando seremos para sempre gratos por casa escolha que ele e mamãe fizeram no passado.
Dou-lhe força, digo para se cuidar e se poupar, sempre. Para se pôr acima da empresa, do trabalho, de nós, de tudo. Ele diz que sim, como diz sempre, e sabemos que nada vai mudar, porque tudo que ele ama é mais importante para ele do que ele próprio.
Um abraço rápido, sem drama, sem choro, tchau, pai, até à próxima, filha, vemo-nos no skype amanhã.
E o regresso pela 2a circular feito em lágrimas, eu a maldizer tudo e todos que me separam do que mais valorizo na vida. E depois mais nada, só a M80.
Hoje as lágrimas pararam ali pelo estádio do Alvalade. Da última vez, creio que pararam no Colombo. Há seis anos, pararam dois ou três dias depois. E é isso que vai mudando no ritual pós-festas: vou ficando cada vez mais resignada.
Dou-lhe força, digo para se cuidar e se poupar, sempre. Para se pôr acima da empresa, do trabalho, de nós, de tudo. Ele diz que sim, como diz sempre, e sabemos que nada vai mudar, porque tudo que ele ama é mais importante para ele do que ele próprio.
Um abraço rápido, sem drama, sem choro, tchau, pai, até à próxima, filha, vemo-nos no skype amanhã.
E o regresso pela 2a circular feito em lágrimas, eu a maldizer tudo e todos que me separam do que mais valorizo na vida. E depois mais nada, só a M80.
Hoje as lágrimas pararam ali pelo estádio do Alvalade. Da última vez, creio que pararam no Colombo. Há seis anos, pararam dois ou três dias depois. E é isso que vai mudando no ritual pós-festas: vou ficando cada vez mais resignada.
domingo, 8 de abril de 2012
Crónicas do Encolhimento - o confronto
Sendo a rainha da autocrítica, é raro dar-me os parabéns por seja o que for - fico sempre a achar pouco, insuficiente, mal feito. Acho sempre que ainda é cedo para comemorar, ou que devo ser comedida na comemoração porque tudo me pode cair em cima de uma hora para outra. Vale para tudo na minha vida.
Freud explica, ou a perda da mãe explica. Não sei.
Mas quando "folheio" álbuns do FB de há cerca de um ano, com a mesma roupa que estou hoje, é impossível não abrir um sorrisão. Um sorrisão que vira gargalhada em algumas fotos, porque, caramba, já se nota tanto. Já se nota bastante. Pode ser só o começo, mas já é uma festa. Posso estar a fazer pouco, mas esse pouco já fez muito. Este confronto de antes e depois (na verdade é mais um antes e um durante, acho que o depois vai ser sempre um durante) não deixa que o diabinho meio ruim que mora em mim me aponte o dedo. Até o diabinho meio ruim que mora em mim admite, resignado.
"Estás a emagrecer, cabra".
Freud explica, ou a perda da mãe explica. Não sei.
Mas quando "folheio" álbuns do FB de há cerca de um ano, com a mesma roupa que estou hoje, é impossível não abrir um sorrisão. Um sorrisão que vira gargalhada em algumas fotos, porque, caramba, já se nota tanto. Já se nota bastante. Pode ser só o começo, mas já é uma festa. Posso estar a fazer pouco, mas esse pouco já fez muito. Este confronto de antes e depois (na verdade é mais um antes e um durante, acho que o depois vai ser sempre um durante) não deixa que o diabinho meio ruim que mora em mim me aponte o dedo. Até o diabinho meio ruim que mora em mim admite, resignado.
"Estás a emagrecer, cabra".
filosofia de botequim II - A Passagem
"O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde".
Millor Fernandes
Sempre repeti isso, de várias formas. Concordo piamente com o Millor. Hoje dei-me conta de que a frase depõe tanto contra o ateu contra quanto o crente :)
Ao fim e ao cabo, a crença no impalpável é mesmo uma coisa frágil, admitemos. E, muitas vezes, chega com o medo e o desespero. Não acho que sejam falsas por isso. São apenas fés humanas que habitam corações e mentes humanos.
Um bom domingo de Páscoa a todos os meus seis leitores, independentemente do credo ou falta dele, ou ainda de ser um credo frágil, de recurso, sazonal, temático, como for.
O que interessa mesmo é o amor.
E rimar.
Sei desenhar duas coisas na vida: noivas (lindíssimas) e coelhos como este.
Millor Fernandes
Sempre repeti isso, de várias formas. Concordo piamente com o Millor. Hoje dei-me conta de que a frase depõe tanto contra o ateu contra quanto o crente :)
Ao fim e ao cabo, a crença no impalpável é mesmo uma coisa frágil, admitemos. E, muitas vezes, chega com o medo e o desespero. Não acho que sejam falsas por isso. São apenas fés humanas que habitam corações e mentes humanos.
Um bom domingo de Páscoa a todos os meus seis leitores, independentemente do credo ou falta dele, ou ainda de ser um credo frágil, de recurso, sazonal, temático, como for.
O que interessa mesmo é o amor.
E rimar.
Sei desenhar duas coisas na vida: noivas (lindíssimas) e coelhos como este.
sábado, 7 de abril de 2012
O meu empreendedorismo preferido
A maioria de nós tem a noção de que vive apartado do que realmente importa, num estado de escravidão permanente, passando não mais do que duas ou três horas por dia com as pessoas que amamos e o resto do tempo a enriquecer uma empresa que nada tem que ver conosco para poder, paradoxo dos paradoxos, comprar qualidade para as pessoas que amamos.
E sair disso é tremendamente difícil. As vezes que vejo notícias de pessoas que tentam quebrar o ciclo, vejo logo uma torrente de incrédulos a cair-lhes por cima com toda a agressividade de quem vive para trabalhar, e não trabalha para viver. "Não devem ter casa para pagar", "sempre quero ver daqui a três meses", "é um oportunista, um mendigo, um etc" e quetais.
A mim, esses corajosos que tentam, nem que por um triz, nem que por um poucochinho de nada, sair desse buraco civilizacional em que nos metemos, dão-me uma esperança tremenda no futuro. Essas pessoas empreendedoras têm a coragem de pagar o preço necessário para viver minimamente de acordo com o que consideram verdadeiro. E é por isso que adoro ver este tipo de post no blog da Cátia. Fazem-me lembrar que, seja onde for, podemos procurar o que faz sentido para nós. Acredito que há sempre espaço para mudança. Há sempre espaço para trocar (algum) dinheiro por (algum) tempo.
O problema, como disse lá em cima, é que também há um preço. E haver quem escolha pagar esse preço é coisa para irritar muitas alminhas.
E sair disso é tremendamente difícil. As vezes que vejo notícias de pessoas que tentam quebrar o ciclo, vejo logo uma torrente de incrédulos a cair-lhes por cima com toda a agressividade de quem vive para trabalhar, e não trabalha para viver. "Não devem ter casa para pagar", "sempre quero ver daqui a três meses", "é um oportunista, um mendigo, um etc" e quetais.
A mim, esses corajosos que tentam, nem que por um triz, nem que por um poucochinho de nada, sair desse buraco civilizacional em que nos metemos, dão-me uma esperança tremenda no futuro. Essas pessoas empreendedoras têm a coragem de pagar o preço necessário para viver minimamente de acordo com o que consideram verdadeiro. E é por isso que adoro ver este tipo de post no blog da Cátia. Fazem-me lembrar que, seja onde for, podemos procurar o que faz sentido para nós. Acredito que há sempre espaço para mudança. Há sempre espaço para trocar (algum) dinheiro por (algum) tempo.
O problema, como disse lá em cima, é que também há um preço. E haver quem escolha pagar esse preço é coisa para irritar muitas alminhas.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Crescer à bruta
Ao contrário da Romana, não gosta que o tratem por bebé fora de casa. Faz sempre questão de demonstrar a identidade quando é chamado assim por alguém:
“Não sou bebé, sou o Biel.”
Cresceu imenso a cria e quase sem se dar conta, conhece mais palavras que um rinoceronte, imita pinguins e macacos com alguma naturalidade e até, imagine-se, chama a atenção para o asneiredo que, por algum infortúnio da linguagem e de encadeamento de raciocínio, acaba por sair:
“Não diz meda pai, não diz, não não!”
E assim ficamos. Um Euro para o mealheiro do puto sempre que alguém se descuida e perde o tento na língua. A mãe, coitada, começa a duvidar da capacidade de se chegar ao fim do mês com algum na carteira, não só porque a crise está como está, mas porque o mealheiro parece pequeno para as moedas que, amiúde, lá entram:
“Temos de comprar um porco maior e, se calhar, não era má ideia baixarmos o valor do imposto sobre a asneira se não, qualquer dia, nem dinheiro temos para os iogurtes.”
Em casa gosta de ser a cria de sempre, remetendo para o esquecimento o desejo demonstrado fora de portas em ser tratado pelo seu próprio nome. Encolhe-se como um camarão nos braços do pai e da mãe, pede a chucha quando o mundo o deprime, adora que lhe dêem a sopa à boca e de manhã não descarta receber na cama o leitinho no biberon.
Para estas pequenas coisas do seu quotidiano não se importa de ser bebé. Julgo que se trata duma crise de identidade. Quer ser uma criança sim, mas também tem dificuldade em deixar para trás as regalias dum recém-nascido.
Mas, embora me custe muito como pai viver este drama, a verdade é que o meu pequenote cresceu. Vou ter saudades dos chorinhos e das suas parvoíces de cria desamparada. Sei que ele já é um rapazinho porque no outro o dia o vi a desenhar-me e quando olhei para a folha estava lá isto. Um Bebé, como se sabe, não desenha assim e fiquei com um vazio no peito.
“Não sou bebé, sou o Biel.”
Cresceu imenso a cria e quase sem se dar conta, conhece mais palavras que um rinoceronte, imita pinguins e macacos com alguma naturalidade e até, imagine-se, chama a atenção para o asneiredo que, por algum infortúnio da linguagem e de encadeamento de raciocínio, acaba por sair:
“Não diz meda pai, não diz, não não!”
E assim ficamos. Um Euro para o mealheiro do puto sempre que alguém se descuida e perde o tento na língua. A mãe, coitada, começa a duvidar da capacidade de se chegar ao fim do mês com algum na carteira, não só porque a crise está como está, mas porque o mealheiro parece pequeno para as moedas que, amiúde, lá entram:
“Temos de comprar um porco maior e, se calhar, não era má ideia baixarmos o valor do imposto sobre a asneira se não, qualquer dia, nem dinheiro temos para os iogurtes.”
Em casa gosta de ser a cria de sempre, remetendo para o esquecimento o desejo demonstrado fora de portas em ser tratado pelo seu próprio nome. Encolhe-se como um camarão nos braços do pai e da mãe, pede a chucha quando o mundo o deprime, adora que lhe dêem a sopa à boca e de manhã não descarta receber na cama o leitinho no biberon.
Para estas pequenas coisas do seu quotidiano não se importa de ser bebé. Julgo que se trata duma crise de identidade. Quer ser uma criança sim, mas também tem dificuldade em deixar para trás as regalias dum recém-nascido.
Mas, embora me custe muito como pai viver este drama, a verdade é que o meu pequenote cresceu. Vou ter saudades dos chorinhos e das suas parvoíces de cria desamparada. Sei que ele já é um rapazinho porque no outro o dia o vi a desenhar-me e quando olhei para a folha estava lá isto. Um Bebé, como se sabe, não desenha assim e fiquei com um vazio no peito.

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