quarta-feira, 10 de abril de 2013

Erros de tradução

"Toda tradução tem erros. Achar erros em tradução alheia é um esporte muito popular, fundamentalmente porque exige pouca prática e quase nenhuma habilidade, mas infla o ego como poucos outros. Achar os erros que cometemos em nossas próprias traduções é um esporte bem mais difícil e, por isso há tão pouca gente praticando.

A facilidade para achar erros nas traduções alheias leva ao erro de achar que traduzir é fácil. Não é – e quanto mais se aprende a traduzir, mais difícil fica a tradução, porque vamos abandonando soluções reducionistas (o que às vezes se chama o piloto automático) e aprendendo a perceber dificuldades onde antes nada víamos de excepcional. Na verdade, é muito comum o profissional calejado trilhar com cuidado um caminho por onde o principiante saltita alegremente."


Do extremamente sensato - quase tão sensato quanto divertido - Danilo Nogueira, o nosso master Yoda tradutório. 

terça-feira, 9 de abril de 2013

O dilema Bounty

Vais a meio do primeiro bounty, um que nem devias estar a comer. Do ponto de vista calórico, estás fixe, porque, somado à sopa do almoço, esta metade não completa as 300 calorias. Mas as 140 calorias da segunda metade mandam tudo pelos ares.

... Não manda TUDO pelos ares, porque, afinal, o que são 140 calorias no grande esquema das coisas? Duas maçãs. nada. Já vais a dois terços da primeira metade e a segunda metade vai-te saber pela vida.

... Manda sim, TUDO pelos ares, porque a questão aqui não são as 140 calorias, é a derrota que essas 140 calorias representam. Porque não são 140 calorias duma salada de atum, são 140 calorias do teu inimigo. Matematicamente ainda conseguirias recuperar hoje. Moralmente, não.

- Último bocadinho da primeira metade do bounty: o cesto de lixo está aí ao lado. Deita e não pensa mais no assunto. Deita a porra do segundo bounty ao lixo. Já. JÁ. Acaba-se o dilema aqui.

- Deito e saio, insatisfeita porém vencedora. É que isto importa, sabem? Não é caca, não é drama. Não é neura, ou melhor, até pode ser neura, mas é a neura que devo ter, porque sempre que deixo de tê-la engordo dois quilos. Por isso, sejam bem-vindos de volta, vocês todos: neuras, pesagens, respirar fundo, cobrir doces com fairy. Bem-vinda, neura, porque tu, neura, és sinónimo de amor próprio por estas bandas.


segunda-feira, 8 de abril de 2013

Curtíssima sobre variar os jantares

Deem uma hipótese aos supermercados asiáticos do Martim Moniz. Com pouco dinheiro e algum espírito aventureiro culinário, abre-se todo um novo mundo. Façam perguntas aos vendedores, peçam sugestões. Divirtam-se.

Na última visita, trouxe gel de coco (umas "gominhas" muito boas e frescas), o clássico molho de ostra, sésamo, naam, papadums (que faço sem óleo nenhum e ficam com coisa de 15 calorias cada, para alturas que pedem sabores fortes), noodles de várias espessuras (baratíssimo), algas e a minha maior descoberta em não sei quanto tempo: molho de peixe. Ando a pôr molho de peixe até na escova de dentes. Molho de peixe dá com absolutamente tudo - e acabei de me lembrar que ainda não experimentei na salada.

Para quem não anda com orçamentos calóricos apertados, há dim sums congelados de todos os sabores e feitios, a preços bem decentes. E vendem pãozinho chinês acabadinho de fazer.

A completar o passeio, estando bom tempo, experimentem as comidinhas do largo - tudo que já comi lá, desde comida africana à boliviana, era bom e barato. 

E sim, os produtos são seguros, trazem as informações todas, patati patatá. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Exercício difícil

Não fingir que não estás triste só porque a tristeza é incómoda para ti e para os outros, não julgar a validade dos motivos para estares triste, não engolir o estares triste, não tapar o estares triste com comida. Não ter medo da tristeza e da deceção, deixá-las correr, seguindo o seu curso natural até saírem de ti. Faz parte do se tratar bem, o ser honesta também com o que incomoda.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

A avó Angelita

A minha avó paterna morreu no dia em que fez 33 anos - 3 de abril. Faria anos um dia depois do meu pai, dois antes da filha mais velha, uma semana depois de mim, seria uma festança na família.

 Não sei nada dela, além de que tocava piano e que adorava cinema - fugia pela janela para ir ao cinema. Sei que adorava pão com manteiga e tinha as ancas largas que todas nós, Lyra, temos. Era mais alta do que o meu avô (nada difícil). Nas fotos de casamento, as únicas que conheço, está um ou dois degraus abaixo do noivo.

A minha avó, mais nova do que eu, a menina avó que sorria da sala de jantar, vestida de noiva, para todos nós. A moça-avó tão amada, a avó cristalizada em menina. Só virtudes, só amor. Um fim trágico a dar-lhe uma aura de "intocabilidade". Ninguém chegou a conhecer-lhe os defeitos, ou ninguém se lembra deles, quase 60 anos depois. Ainda bem, mais sobra de avó perfeita para mim.

Há uma canção do Jovanotti, acho eu, que diz "bela como uma fotografia da minha avó em jovem", algo assim. Acho uma comparação lindíssima, nunca vi em mais nenhum outro lugar. As nossas avós são sempre lindas naquelas fotos de cabelo armado, ombro ligeiramente de lado, cabeça inclinada, dois dedos de pó de arroz. São sempre estrelas de filmes clássicos de Hollywood.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ascender espiritualmente

A partir deste dia, não lerei mais blogs que usam o pretexto de aumentar a experiência da partilha (ou seja, aumentar a massa leitora) como isco de clientes para marcas que os patrocinam.

Não, não acho que seja como uma revista. Acho menos claro (mais cinzento, portanto), duvidoso. Traduzi um livro de marketing no Facebook que tratava os blogs não como paid media, meios pagos (espaço publicitário definido), mas como earned media, meios conquistados, extremamente apetecíveis ao cliente pela sua permeabilidade nos leitores. Tudo bem, pode ser a vossa cena, mas não é a minha cena. Não acho bonito espaços que eram de troca de informação, experiência e de amizade se transformarem em sítios de bajulação de marcas. Nem sequer encontro, em blogs portugueses, pelo menos, conteúdos que me beneficiem minimamente. Nunca aprendi nada nesses lugares. Por isso, lamento, senhoras, mas ficamos por aqui. Não posso continuar a perder posts do Don't Touch My Moleskine (só divulgação fixe) ou do Já Matei por Menos (só experiências fixes) para vos manter uma boa contagem de cliques.

(Ainda bem que este blog sempre foi  sombrio ou pouco dado a voyeurismos o suficiente para não ter uma massa leitora que chamasse a atenção de patrocinadores e me fazer cair na tentação de o vender. É-me precioso de mais para ter cá invasores). 

segunda-feira, 1 de abril de 2013

96 cm

Do final do Verão até ao final do Inverno, deixou a chucha e o triciclo e passou a andar de bicicleta.
Diz que já é muito grande porque tem quatros anos.