Quem me conhece sabe que é a cena mais incoerente da minha vida: eu, a pior dona de casa de sempre, a que não dobra cuecas, não passa a roupa, não liga a nódoas nem a cantos dos azulejos pretos, adoro tudo que se relacione à gestão dos dinheiros da casa. Dá-me um gozo tremendo driblar o pouco dinheiro e esticá-lo ao máximo. Ultimamente ando um bocado descontrolada, mas regra geral:
- seguindo a dica da Dona de Casa Perfeita - que por sua vez tirou do America's Cheapest Family - nesta casa, ao sábado ou domingo, investiga-se o que há nos armários, frigoríficos e congelador. Com o que há, criam-se menus para os cinco dias da semana. Vê-se então o que falta de iogurtes, fiambre, etc e, só com a noção real do que se precisa e lista na mão, parte-se para le Pin Doux. Ultimamente, mais por preocupação com a saúde do que propriamente por dinheiro, passámos a comer proteína animal apenas três vezes por semana, e a conta do supermercado desceu uns assombrosos 40%.
- Como já cá disse, tudo que pode ser comprado em segunda mão ou trocado, é-o. Só compramos coisas novas depois de ver se não há outra opção (especialmente para o bebé).
- Como toda a maltinha esperta, uso e abuso das marcas brancas. Dou-lhes hipótese mesmo em produtos a que toda a gente torce o nariz (higiene pessoal, tratamento de roupa, coca-cola). Só não gostamos mesmo de alguns cereais de pequeno-almoço. Não vou dizer que são iguais aos produtos de marca, porque não acho que sejam (alguns até são), mas têm uma excelente relação preço-qualidade.
- Todos os aparelhos eléctricos de resistência (calor) são usados na tarifa bi-horária, a não ser em casos muito urgentes.
- O bebé e a TimeOut ajudam: há sempre montes coisas engraçadas a acontecer na cidade a custo zero, é só procurar um pouquinho. Ficar em casa fins-de-semana a fio por falta de dinheiro é que não.
- Praticamente não compramos livros: temos bibliotecas muito boas no conselho que nos enchem as medidas. Idem idem para livros para o bebé.
- O Hugo leva marmita e lanches para o trabalho, e eu, para a biblioteca.
- Tenho um olho treinado - herança da minha mãe - para descontos, promoções, vouchers, etc. Só ponho gasolina e vou ao cinema com o cartão da zon. Reparo bem nos descontos em cartão do continente e nos talões do minipreço, atenta principalmente às fraldas que eu gosto (que só compro em promoção, de outra forma é marca branca também). Se quero um miminho de spa assim de vez em quando, uso vales que vêm em revistas femininas imbecis.
- O único crédito que temos é o da casa. Somos donos da nossa própria alma.
Pronto, e assim vamos vivendo, às vezes com mais folga e gracinhas do que muita gente que ganha o dobro (é fácil ganhar o dobro do que nós). Poupando assim, sobra dinheiro para ter a bela da empregada quinzenal, porque sou uma nódoa a limpar, dá para comer fora de vez em quando, porque adoramos, e ir fazendo outras coisinhas.
E vocês? Dicas?