terça-feira, 6 de julho de 2010

Bichos

Esta história da Lua Nova já me começa a chatear.
De facto até consigo compreender as motivações da menina Bella. Dum lado um vampiro do outro um lobisomem, os dois bonitos, que a protegem e amam e baixam a tampa da sanita quando vão à casa de banho, muito embora o Jacob prefira fazer no mato. Portanto, presumo, embora não perceba nada disso, que estas condições são importantes na hora de decidir com quem acasalar.
Isto até podia fazer sentido se a menina Bella fosse interessante. Mas não é. Apesar da sua beleza, a rapariga não tem nenhum interesse, não prima pelo sentido de humor e inteligência e, na minha opinião, não é mais do que um pãozinho sem sal. Por outro lado também não é rica, só dá problemas, não deixa ninguém dormir e parece-me que, pela forma como o seu coração se divide, não é muito de fiar.
Interrogo-me o que raio é que aquelas criaturas vêem nela para justificar tanto livro e tanto filme.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

The Cure - Disintegration

 minha paixão incondicional pelo Heavy Metal permaneceu firme até que um certo formigueiro altamente corrosivo se começou a desenvolver no ventre, sempre que os meus olhos encontravam alguma miúda mais gira que, invariavelmente, acabava por despertar em mim uma sensibilidade que até então permanecia escondida por baixo dos meus jeans e t-shirts pretas, algumas delas, diga-se, com desenhos espetaculares de monstros e guerreiros de espada na mão.
O poder sónico das guitarras e os solos esganiçados tinham os seus momentos francamente inspiradores, não vou dizer que não, mas a vida dum jovem tem as suas vicissitudes e, já se sabe, por muito que nos custe, a simplicidade da infância começa mais dia menos dia a escapulir-se lânguida pelos dedos e, claro, a vida torna-se num caldeirão de sofrimento desconforto e angustia. Diz-se mesmo que foi nesse caldeirão que o João Ratão deu o seu escaldante último suspiro.
Apesar de não duvidar da experiência de vida de gente talentosa como James Hetfield dos Metallica ou Bruce Dickinson dos Iron Maiden, a realidade era que não havia nada nas suas letras que evidenciasse aquilo que eu a partir de certo momento comecei a sentir e a que o Pepe le Pew, chamava muito convincentemente de Le amour.
Portanto aos 17 anos muita coisa em mim começava alterar-se. Eram mutações físicas e mentais com as quais tinha alguma dificuldade em conviver. A minha cabeça era uma montanha russa de dúvidas, frustrações e ansiedades. Tudo era bem mais simples e divertido quando a minha única preocupação era chegar a casa, pôr os Iron Maiden na aparelhagem e ficar a tarde toda a praticar Air Guitar ou simplesmente abanar a carola para cima e para baixo. Isso sim era fixe. A coisa começou mesmo a dar para o torto quando, estupidamente, chegava a casa e ficava deitado no sofá à espera que o telefone tocasse.
Como já se percebeu, as primeiras investidas pelo então desconhecido mundo feminino revelaram-se um tremendo fracasso que muito me desgostaram e deprimiram. Mas nem tudo foi mau. Afinal, vim a descobrir, havia qualquer coisa de portentosa no tormento do amor e, apesar do desconforto que me provocava nas entranhas, tinha o seu lado libertador e meditativo que muito me aconchegava.
Foi mais ou menos aí que entrou em cena o Robert Smith e os The Cure.
Os The Cure, enfim, não me eram de todo desconhecidos, isto apesar da minha fidelidade ao Heavy Metal. Ouviam-se frequentemente várias músicas nas rádios e televisão e não se pode dizer que eram desagradáveis ao ouvido, mesmo para um tipo que, como eu, colocava presunçosamente de parte toda e qualquer canção que não tivesse um berrito ou outro.
Mas apesar de não ser bem visto gostar de outra coisa que não fosse o Heavy Metal, eu até apreciava o estilo espampanante do Robert Smith, o único problema é que o meu coração não estava sintonizado nas suas músicas de afeto e perda, preferindo as letras de desordem e inadaptação imortalizadas por grupos tão extraordinários como Megadeth, Slayer ou mesmo Sepultura.
Quando o soco do desejo colidiu no meu estômago frangível e despido de pelo, comecei a desinteressar-me pelo meu eu antigo. Agora, desolado pelas contingências da vida, reinava em mim uma melancolia silenciosa que crescia cá dentro e que precisava de se exprimir de alguma forma, porque eu, coitado, não tinha palavras suficientemente coerentes para demonstrar o que me ceifava a alma.
E foi neste contexto que, aquele homem de cabelo espetado e de cara pintada, me amornava o ânimo com as suas letras apaixonadas a verter desgosto e amargura por todos os poros que deixavam transparecer todas aquelas sensações que me devoravam a carne como um veneno mortal. Desde o Pictures of you em que a contemplação de imagens antigas ajudava, de alguma forma, a suavizar a enfermidade da perda até ao Lullaby onde um corpo rodeado por aranhas aguarda deitado uma ferrada que tanto o pode acordar como então não, tornando assim perpétuo o sofrimento, o som dos sintetizadores voava como uma camada etérea que envolvia e suavizava todo o meu processo de desintegração.
Por outro lado a história acabou por revelar Disintegration como o último grande disco dos The Cure e o Robert Smith envelheceu tanto que aquela panóplia de pinturas e o cabelo esgadelhado já não lhe ficam lá muito bem.
Disintegration foi mesmo o disco que acabei por ouvir na tarde anterior ao Gabriel nascer, quando desci sozinho a Avenida da Liberdade a consciencializar-me do que para aí vinha.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Curtíssima sobre andar de fones na rua

Tanto casal a brigar dentro dos carros, tanta gente a ter conversas embaraçosas ao telemóvel, tanto chorinho bom de recém-nascido, tanto plec plec de saltos-agulha, e o barulho surdo do metro, e o barulho surdo do comboio.

Não acho que seja pôr música na vida. Acho é que é tirar a vida do momento.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pré-chamada - Luluzinhas Cinéfilas

Depois de ler muitas páginas de crítica internacional, eu, a presidente das Luluzinhas Cinéfilas, declaro que é fundamental vermos Eclipse, até para esquecermos o desastre do Lua Nova.

A data que sugiro é 21 de Julho, para dar tempo às pitóides de lamberem o Pattinson e o Lautner à vontade.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mais uma curtinha

Por vezes a maternidade não é coerente com o comportamento anterior da mulher, e obedece apenas a uma qualquer voz interna dentro dela que lhe diz o que é certo e o que é errado. Pode ou não fazer sentido com tudo o resto que ela aparenta ser.

E lá por duas mulheres serem parecidas, se darem bem, terem os mesmos valores e o mesmo humor, não significa que serão mães parecidas, com os mesmos valores e o mesmo humor.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Gestão de orçamento doméstico

Quem me conhece sabe que é a cena mais incoerente da minha vida: eu, a pior dona de casa de sempre, a que não dobra cuecas, não passa a roupa, não liga a nódoas nem a cantos dos azulejos pretos, adoro tudo que se relacione à gestão dos dinheiros da casa. Dá-me um gozo tremendo driblar o pouco dinheiro e esticá-lo ao máximo. Ultimamente ando um bocado descontrolada, mas regra geral:

- seguindo a dica da Dona de Casa Perfeita - que por sua vez tirou do America's Cheapest Family - nesta casa, ao sábado ou domingo, investiga-se o que há nos armários, frigoríficos e congelador. Com o que há, criam-se menus para os cinco dias da semana. Vê-se então o que falta de iogurtes, fiambre, etc e, só com a noção real do que se precisa e lista na mão, parte-se para le Pin Doux. Ultimamente, mais por preocupação com a saúde do que propriamente por dinheiro, passámos a comer proteína animal apenas três vezes por semana, e a conta do supermercado desceu uns assombrosos 40%.

- Como já cá disse, tudo que pode ser comprado em segunda mão ou trocado, é-o. Só compramos coisas novas depois de ver se não há outra opção (especialmente para o bebé).

- Como toda a maltinha esperta, uso e abuso das marcas brancas. Dou-lhes hipótese mesmo em produtos a que toda a gente torce o nariz (higiene pessoal, tratamento de roupa, coca-cola). Só não gostamos mesmo de alguns cereais de pequeno-almoço. Não vou dizer que são iguais aos produtos de marca, porque não acho que sejam (alguns até são), mas têm uma excelente relação preço-qualidade.

- Todos os aparelhos eléctricos de resistência (calor) são usados na tarifa bi-horária, a não ser em casos muito urgentes.

- O bebé e a TimeOut ajudam: há sempre montes coisas engraçadas a acontecer na cidade a custo zero, é só procurar um pouquinho. Ficar em casa fins-de-semana a fio por falta de dinheiro é que não.

- Praticamente não compramos livros: temos bibliotecas muito boas no conselho que nos enchem as medidas. Idem idem para livros para o bebé.

- O Hugo leva marmita e lanches para o trabalho, e eu, para a biblioteca.

- Tenho um olho treinado - herança da minha mãe - para descontos, promoções, vouchers, etc. Só ponho gasolina e vou ao cinema com o cartão da zon. Reparo bem nos descontos em cartão do continente e nos talões do minipreço, atenta principalmente às fraldas que eu gosto (que só compro em promoção, de outra forma é marca branca também). Se quero um miminho de spa assim de vez em quando, uso vales que vêm em revistas femininas imbecis.

- O único crédito que temos é o da casa. Somos donos da nossa própria alma.

Pronto, e assim vamos vivendo, às vezes com mais folga e gracinhas do que muita gente que ganha o dobro (é fácil ganhar o dobro do que nós). Poupando assim, sobra dinheiro para ter a bela da empregada quinzenal, porque sou uma nódoa a limpar, dá para comer fora de vez em quando, porque adoramos, e ir fazendo outras coisinhas.

E vocês? Dicas?

O meu filho lindo

Só falo de mim e das minhas crises. Quem vê, pensa que ando por aí no choraminganço, e não ando. Andamos todos muito felizes, porque o Gabriel:

- é lindo, o mais lindo.
- anda maníaco por cães, em primeiro lugar, e mais tudo o resto com quatro patas (que também se chama caaaummm) e de duas patas, além de pombos (que também são caaauuumm).
- Conta: ãã.. ããã... téé... cá.
- Adora dançar, parece o Cadeirudo.
- Já faz birrinha quando quer alguma coisa.
- Anda pela casa toda com os braços para cima, num eterno Vira.
- Adora desligar o PC.
- Gosta muito de fruta e odeia a minha comida.
- Adora fazer poças na praia (também são caaaauummm).

Por isso, sim, ainda vou escrever o filme português do milénio, mas enquanto não tenho tempo, vou sendo fã do Gabriel, que também é uma posição muito agradável.