sábado, 9 de maio de 2015

Eu

When Iefind the living a bore, there's a place I can go. I answer the call, go over the wall, where the crosses are all in a row.

Do excelente Beneath Thy Feet.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

UrbanSketchers no Thyssen

Gostava que o Gabriel desenhasse bem, por isso ando a incentivá-lo.
Normalmente ele faz os seus rabiscos em qualquer altura e em qualquer lugar o que me dá uma certa alegria. Aproveitando o interesse, na última viagem a Madrid, este fim-de-semana, dei-lhe um caderninho para que ele se distraísse a desenhar enquanto eu e a Melissa víamos o museu Tyssen. Tínhamos algum receio que ele se aborrecesse e nos fizesse a vida num inferno. Felizmente o Gabriel ficou sentado no chão a desenhar o quadro El Paraíso de Tontoretto de 1588, entretido e todo feliz. O comportamento trouxe uma onda de enternecimento pelos visitantes que não resistiam a sorrir ao ver o desenho e o esforço dele, o que me deixou bastante babado.
A tarde passada no Tyssen foi muito agradável. A Melissa apaixonou-se por um quadro de que nunca ouvi falar chamado Maria y Annunziata “del puerto” de 1923 pintado a óleo por Christian Schad.

Foi simpático e libertador ficarmos os 3 sentados no banco em frente ao quadro da Melissa, eu e o Gabriel a desenhar e a Melissa com as lágrimas nos olhos depois destes meses todos em que andámos cansados e desatentos uns aos outros.





quinta-feira, 7 de maio de 2015

Curtíssimas Madrid - I

“If a painting really works down in your heart, you don’t think, ‘oh, I love this picture because it’s universal.’ That’s not the reason anyone loves a piece of art. It’s a secret whisper from an alleyway, Psst, you. Hey kid. Yes you.”
Donna Tartt, The Goldfinch.

Em Paris não foi um quadro, foi uma escultura. Em Madrid, foram duas atrizes numa varanda que me fizeram sentar no banquinho a respirar fundo e a dar-me tempo de as conhecer. Uma confia mais do que a outra. Uma está mais cansada do que a outra. Uma é mais amada do que a outra. Uma protege a outra, que é mais ingénua. Uma já passou por mais coisas que a outra, ou talvez tenham passado por merdas igualmente ruins mas só uma ficou com cicatrizes. 

O Hugo volta de alguns corredores à frente com o Gabriel e eu ainda estou ali a topá-las, a elas, a que já cheguei emocionada pelo Hopper da mesma sala. O Hugo senta-se e eu tento disfarçar o choro, porque foda-se, já choro, choro por milhões de motivos que a Maria e a Annuciata me evocam. Ele não olha para mim, porque sabe que eu tenho vergonha desses acessos imbecis vindos do nada. 

- Queres que as desenhe?


Este é o original, não é a versão do Hugo. :)

sábado, 25 de abril de 2015

25 de abril

Normalmente temos a noção do peso que as coisas têm na nossa vida mais tarde, quando tudo assenta, obviamente porque na altura precisamos de força e objetividade para agir.

No verão passado, os meus exames de rotina deixaram uma pequena dúvida. Havia uma pequena possibilidade de ter cancro da mama e sabemos que não há pequenas possibilidades, se houver uma pequena possíbilidade ela vai torturar-nos como as grandes, pelo menos para os neuróticos. Foi muito duro. Não sei pôr em palavras tudo que se passou na minha cabeça naquele mês de agosto, durante a ecografia e o resultado da biópsia.

Mas houve uma canção que me ajudou a passar por tudo, esta:

que ouvia em repeat várias vezes por dia a armar-me, a criar coragem para o que podia estar pela frente. Conversava com a minha mãe como se a visse enquanto ouvia Voo, num tipo de transe.

Hoje voltei a ouvi-la e chorei como não chorava há anos.




quinta-feira, 9 de abril de 2015

Casa mortuária de Tires

Não é numa igreja, ou por outra, ao que parece, é numa capela pequenina, de portas abertas para o largo mais movimentado do bairro. Às cinco da tarde, crianças são levadas pela mão por pais de fato apressados, ai a natação, ai o ATL, taxistas bebem uma mini ao balcão do café, senhoras vêm do mercado com sacos e carrinhos carregados de folhagem, a camioneta para e vomita as gentes dos comboios cá para fora, e ali o caixão virado para a rua, uma velha de luto à porta a ser amparada por outras velhas, não posso com isto, vou com ele, deixem-me ir com ele, cadeiras de que vela na rua, alguém tropeça nelas, um carrinho de bebé. A morte e a vida de mãos dadas, sem tempo uma para a outra.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Para uso pessoal



"... I thought it was an exaggeration, this thing about parents being overly involved with their kids. I mean, my mum and dad loved me, they were, like, interested in me when I was growing up in the nineties, but they weren't, like, obsessed with me."

Liane Moriarty, Big Little Lies.

domingo, 5 de abril de 2015

Curtíssima sobre três temas que, tendo sido contracultura há três anos, hoje já enjoam.

- Como a maternidade tem o seu lado negativo e
- Como as redes sociais são perniciosas e
- Quem partilha é porque tem baixa autoestima e precisa mostrar que a vida é um mar de rosas.

A sério, já não há nada de novo a dizer sobre isso. Não há, simplesmente. Falemos, por exemplo, de como é delicioso amar e ser amado incondicionalmente e como a vida antes dos rebentos afinal nem era assim essas coca-colas todas e da maravilha que é existir um algoritmo qualquer que permite ao Facebook fazer uma verdadeira curadoria do que nos interessa. E que através das partilhas de outras pessoas temos boas ideias para as nossas próprias vidas. Se a partilha das outras pessoas faz com que nos sintamos amargos, bom, não é preciso ser-se nenhum Einstein para ver que o problema não está, enfim, nas outras pessoas.

Novos ângulos precisam-se, malta. Esforcem-se.