quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Um pequeno segredo

Invejo as pessoas que têm conversas pelo whatsapp com as mães.
Seja que conversa for.

Aliás, tenho inveja de conversas com as mães.
Não é sempre, mas apanha-me sempre desprevenida.

A C. há uns anos, quando pediu à mãe que lhe marcasse manicure, uma qualquer, só queria livrar-se da merda do gelinho.
A P., que é das minhas - consulta a mãe sobre tudo. Eu era assim. Sobre tudo.
O M. ontem, que me mostrou uma mensagem estranhíssima da mãe no whatsapp,meio na dúvida sobre ela ser, na verdade, uma alienígena.

Uma pessoa quer que o tempo passe - caramba, sou muito mais mãe do que filha neste momento, mas há fases em que estas invejas (sim, dirão que é saudade, mas não, é mesmo inveja, desejo de ter o que o outro tem) beliscam muito.

Isto porque acabei de mandar uma mensagem ao meu pai a dizer que o sanex azul está a 1,49 no Lidl.

Era o tipo de mensagem que me imagino a receber da minha mãe.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Começando por aqui


Para quem ganha a vida a dar corpo a ideias de outras pessoas (e que belíssima profissão é esta, senhores. Não me queixo nadinha, ou quase nadinha), ter um trabalho seu, só seu, validado por um juri especializado sabe a ginjas. Fiquei em segundo lugar no Guiões, festival ainda tímido, e nem preciso de dizer que foi um dos dias mais felizes da minha vida.

A minha história, aquela que guardei durante anos e que me saiu da alma num período muito adverso - aliás, foi escrita por causa desse período muito adverso. Ainda mais "aliás", já agradeço muito pelo tal período adverso, foi ele que me deu este filho. Nunca o teria acabado se não estivesse na merda, a tentar provar o meu valor a todo o custo. 

 
Não há perdas sem ganhos nem ganhos sem perdas. foi a frase que trouxe de uma das minhas terapeutas (já disse aqui que trago um ensinamento de cada uma, não disse?) Ahh, julgam que é cliché? Não é. Exige um sentido de observação bastante apurado para perceber o  

Acredito mesmo que, um dia, O Inverno e a Aldeia será produzido. E espero que dê um bom filme. A história merece. 

Os dados estão lançados. Que a Isabel e a Mariana saiam do papel para as mãos mais capazes que lhes puderem pegar.
Sim, esta sou eu, premiada, 35 kg mais magra do que no ano anterior, cheia de amigos na plateia.

Aquele post

Em que dizemos as saudades que temos de divagar aqui.
Tantas vezes penso em coisas que quero elaborar neste espaço e sou comida, no segundo seguinte, pelas coisas todas da vida.
Tanta inutilidade a que vos tenho poupado, portanto. :)

O Facebook não vencerá este espaço.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Empatia

Contares-lhe que tiveste um sonho pavoroso, dizeres umas três ou quatro frases sobre o sonho e ouvires um "isso é horrível" em vez de "foi só um sonho". Fiquei-lhe tão grata. Ele acha que me conquista com elogios e piadolas, mas não - não sempre, não de repente. Conquista-me, sim, com a sua enorme bondade, que ainda me surpreende nos momentos mais pequeninos.

(Os meus piores sonhos não são aqueles em que ele ou o Gabriel morrem. Nesses, eu acordo assustada, vejo que foi um sonho e sigo a minha vida. Os meus piores sonhos são com o regresso da minha mãe depois destes anos todos. Tenho um repertório completo de variações dessa história: ela abandonou-nos por outra pessoa; nós a abandonámos. Já não a conheço porque se passaram tantos anos. Já não temos assunto. Atiro-lhe coisas para a cara. Sou má para ela. Sabem aqueles sonhos dos mortos num lugar bonito, onde os abraçamos e somos felizes? Nunca os tive. Os meus são sempre de uma crueldade milimetricamente composta, obras-primas de coerência, nenhuma quebra de raccord.)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O ano que acabou.

Fui deixar o Gabriel à porta da escola no primeiro dia do segundo ano, entrei no carro e chorei. Chorei porque quando fui deixá-lo no primeiro dia do primeiro ano a minha vida estava uma absoluta merda. Tinha saído de um projeto maluco, com quase cem quilos e a hidropsia coclear no comecinho, a fazer das suas nos meus ouvidos. 

Estava mal, man. Mal, mas mesmo mal. E ainda ia piorar antes de melhorar. Valdoxan, sedoxil e mais umas coisas entraram no dia a dia. Deixei de fazer coisas. Foi horrível.

Mas... no fundo do meu poço há uma mola. Houve sempre.

Fast forward para quinta-feira passada, eis-me num projeto bem mais calmo, com gente criativa e de bem, cercada de amigos queridos, quase 35 quilos a menos, criativa em várias frentes. 

E isto, ontem:

Não estava à espera. Por N motivos que não posso escrever aqui (mas que certamente me lembrarei ao ler isto no futuro). 

No fundo do meu poço há uma mola. E tenho sempre de agradecer a quem me tenta lá enfiar, porque acaba por me acordar para coisas boas. E assim foi, mais uma vez.

Feliz ano novo, Melissa.







segunda-feira, 22 de agosto de 2016

O que aprendi no último meio ano, mais coisa menos coisa



Tirando os assholes do caminho, tudo voltou a equilibrar-se.
Sinto-me de volta a mim mesma.