quarta-feira, 11 de junho de 2014

This is water, ou de como, às vezes, adoraria ser cat person em vez de people person

Reparo, nestes dias, como a vida, de um modo geral, tem sido meiguinha comigo: praticamente só me põe gente fixe à frente, gente com quem apetece estar, de pés assentes na terra (e cabeça nas nuvens, a maioria das vezes).

Mas ultimamente as coisas têm mudado, e têm aparecido pessoas diferentes: gente insegura, gente que suga a energia e positividade dos outros, que os fazem sentir inferiores e errados de alguma forma; gente arrogante e que não conhece limites, gente que invade espaços onde não têm lugar, gente que vira a energia dos lugares onde estão. E aí tento lembrar-me do tal discurso do David Foster Wallace sobre tentarmos ver além do imediato, além da capa mesquinha superficial, de tentar ir ao fundo das pessoas. Escolher pensar e entender. E escolher a compaixão, sempre, em todos os casos.

Mas caramba, custa-me muito lidar com estas novas situações. Sofro com elas, sofro pelas pessoas que sofrem com elas. E é difícil não me tornar defensiva e amarga. É custoso estar sempre a cavar essa gente à procura da sua essência (que será boa, claro. Claro!). E se não for assim? E se estiver a perder o meu precioso tempo e energia a tentar entender o que não merece entendimento? São as ações que interessam, certo? As ações é que dizem quem são as pessoas, e não as intenções. É nisto em que acredito, mesmo tentando ir pelo lado mais crístico. Se ages como uma cabra ou um cabrão, o que me deve interessar de onde vem esse comportamento? Se ages como uma cabra ou um cabrão, devo afastar-me de ti, e não estender-te a mão. Não é assim?
Quanto custam estes?


8 comentários:

Ana C. disse...

O David Foster Wallace suicidou-se...

Mariana disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
gralha disse...

As pessoas são muito sobrevalorizadas. Mas os gatos também. Será que não podemos ser empáticos E compassivos E preservadores da nossa saúde mental?

Melissinha disse...

Será, Gralha? Ando a falhar nisso. Mas e daí que não sou mulher de equilíbrios.

Ana C. disse...

Eu ando numa de cães. Desde que não façam cocó na minha rua.
Havia uma teoria qualquer, bastante politicamente incorrecta, que dizia que as pessoas nascem naturalmente más e que a sociedade e valores morais e religiosos se encarregam de reprimir o negrume.
Tal como os chimpanzés, aparentemente tão fofos, armam emboscadas, guerrilhas e vinganças, sem filtros. Muitas pessoas sem filtros seriam precisamente assim, como os chimpanzés. É só ver o National Geographic, está lá tudo.

MS disse...

Ana, o teu primeiro comentário: <3

Melissa, a minha gestora de projecto é assim. desde janeiro que tenho de levar com ela. no outro dia projectou-se assim para mim: "és suuuuper negativa!" só qui não.

cansa-me muito. mas estou a conseguir. mentalmente: "era so o que me faltava, caralho." mas cansa muito manter a boa energia, ando há 4 meses a explicar que não tenho chão para insegurança e humilhação, não vein qui não tein.

Mas depois ela fala: já fizestess? ah, isso são uns campos quaisqueres da base de dados.

E eu sorrio (também me dá muitas comichões).

Naná disse...

Eu fujo a 7 pés das cabras e cabrões, não consigo perder tempo a ser compassiva ou outra coisa qualquer.

E quando os apanho pela frente, e perco tempo a magicar coisas com eles, é muito mau sinal, especialmente para mim... contaminam e corroem-me!

Mafalda disse...

eu cada vez mais me convenço que não sou uma "people, people", ou então tenho um karma tão grande que só apanho sacaninhas e gente dessa pela frente. Sei e tenho noção de que estou cada vez mais fechada na minha concha e sem paciência para os outros.