sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Ouvir

"O que é que não queres ouvir?", é uma pergunta que me tem surgido de várias maneiras, através de várias pessoas, nos últimos dois meses. Tenho tido imensos problemas nos ouvidos (que coincidiram com um grande evento na minha vida) que me deixaram completamente obcecada. Tenho uma perda moderada num deles e um incómodo persistente no outro, como se estivesse sempre dentro de um avião. Já fiz ressonâncias magnéticas inconclusivas. Já fiz tudo, sobretudo pensar nos ouvidos em vez de pensar no resto da vida.

 "O que é que não queres ouvir?", perguntam-me. E eu não sei. Não sei.

Todos os dias acendo velas para o meu anão. O meu anão era um anão de jardim da minha mãe, como já devo ter dito aqui várias vezes. Com cada vela, vem um pedido, seja para mim ou para outras pessoas. Com cada vela vem um toque no nariz do anão (sem julgamentos, ok? Não está fácil para ninguém.) e um pedido formulado ou não.

Hoje acendi a primeira vela do dia e olhei para o anão. E disse-lhe: eu amo-te, eu perdoo-te. Perdoas-me? Nada mais interessa. Segue o teu caminho. Vai com Deus. Não te peço mais nada.

Fui deixar o Gabriel na escola e fui beber café. Tinha cerca de 40 minutos entre o café e uma formação via skype já marcada. Nesses 40 minutos, consegui pôr no papel, em história, uma ideia que tenho cá dentro desde há anos. Sem hesitações, do princípio ao fim.

Desde junho que não escrevo nada, não consigo. Mal escrevo aqui.

Os ouvidos continuam entupidos, mas se este puzzle tiver três mil peças, já encontrei um dos cantos.

2 comentários:

gralha disse...

Sabes do que é que estás mesmo a precisar? De te rodear de pessoas que não te digam aquilo de que estar a precisar. Ou de não rodear de ninguém, de todo. Long live anão do jardim e toma lá um abraço, não interessa se passado semanas, meses ou seja o que for, os meus braços estão sempre aqui, à distância da fibra óptica.

Melissinha disse...

Eu é que tenho de deixar de perguntar/pedir a todo mundo o que preciso, Miss G... Mas isto vai. Mesmo que mouca.