terça-feira, 28 de março de 2017

Das procuras

O padrinho, ateu mais devoto que conheço, diz-me com alguma frequência: tu não acreditas em nada. Em nada. Estás mais próximo das minhas (não)crenças do que imaginas. 

E fico frustrada todas as vezes, porque ele está coberto de razão. Sei que somos poeira cósmica. "Seres vivos com consciência de si próprios", diz ele, e sei que tem razão. Porque, então, não me sinto confortável nisso? Porque é que sinto uma paz enorme quando comungo na missa, por exemplo, ou quando acendo as minhas velas a todos os meus guias, ou quando vejo coincidências? 

Noto, em mim, inquietações cada vez mais fortes. Uma necessidade de encontro de uma linguagem que dê algum sentido a isto tudo, mas tudo cai diante do menor pensamento lógico e vejo-me órfã outra vez.

É difícil chegar a Deus, caramba. George Harrison bem dizia. It takes so long.

1 comentário:

Catia Maciel disse...

Ohhh. Como entendo!!! Eu que sempre digo ao meu N que, senti,fiz, intuí, pensei isto ou aquilo e acabo sempre com "se é que essas merdas existem mesmo" hehhehe e depois quero mergulhar numa vida Amish, ou Muçulmana, ou Haredi ou qualquer coisa muito temente a um deus qualquer e a uma comunidade de hábitos muito ritualizados e muito unida, talvez para exorcizar a lógica e não me me sentir órfã <3