São, ao contrário da maioria das manhãs suburbanas, muito boas e tranquilas. Para que assim seja, contamos com o alto astral dos homens da casa, assumidos morning people, que acordam a sorrir massacrando qualquer existencialismo matinal meu, o facto de o Hugo ir de transportes, levando só meia hora para chegar ao trabalho, o facto de eu trabalhar em casa e o facto de sermos muito bons, de um modo geral mas também específico.
Então é assim, mais minuto, menos minuto:
07h20 toca o despertador, mas ficamos na ronha.
07h45 o Hugo entra no banho, eu vou vestir o bebé.
08h00 o Hugo vem vestido com a sua taça de chocapic ver a Bola online, Gabriel vai para o parque, eu vou vestir-me (trabalho em casa, tomo banho depois.)
08h10 Volto para o quarto da bagunça já vestida e já com a papa do Gabriel, pomos alguma coisa gira no Youtube e eu dou-lhe a papa com ele ao colo do Hugo. Eu saio para ir buscar o carro já com as mochilas (nós três usamos mochila) enquanto o Hugo veste casaco do Gabriel.
08h35 Saímos os três e vamos pôr o bebé ao infantário. Vou deixar o Hugo à estação e ficamos no carro a ouvir a Caderneta de Cromos até vir o comboio, às gargalhadas.
08h55 Vou tomar o meu pequeno almoço de um euro ao Pingo Doce e comprar a sopa do almoço.
09h15 Casa, supostamente começo a trabalhar.
Pronto, é assim. O fim do dia também é bom, mas não tão harmonioso.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Sobre o co-sleeping
Eis a minha polémica preferida sobre a educação de bebés, e espero que vos apeteça falar do assunto, especialmente as defensoras do costume (Cátia?).
Vi, no outro post, que algumas mães usam como recurso para dormirem mais um bocadinho, pois os seus bebés dormem melhor com elas. Ora bem, se funcionasse comigo, lá estaria o Gabriel no meio dos pais a cada noite, pois o que tenho descoberto é que não há nada tão primordial como o sono. Mas, em teoria – já vamos à prática – não consigo deixar de pensar que a cama do casal é o santuário da sua intimidade e que, uma vez que a criança entra lá definitivamente, este santuário perde-se. Já ouvi uma mamã dizer que “lugares na casa para a intimidade há muitos”, mas a cama é a nossa catedral, é onde a nossa vivência a dois acontece, e não falo só de sexo. Se não houver vivência a dois, o casamento desmorona aos poucos – não estou a pôr toda a responsabilidade sobre a coitada da cama, mas ajuda ter um porto seguro livre de bebés. Sei que na Natureza não é assim e que os mamíferos dormem todos juntos, mas, para o melhor e para o pior, na Civilização é diferente e não dá para ignorar o peso da cultura sobre a biologia.
Este é um motivo. Agora o principal, pelo menos para mim.
Eu fui uma co-sleeper até muito tarde, porque o meu pai não morava na nossa cidade e só vinha de tempos em tempos. Nesses “tempos em tempos”, eu lá ia recambiada para o meu quarto e passava a noite toda aterrorizada por estar sozinha – se a minha mãe me mantinha no quarto dela noite após noite, era porque havia algo errado em dormir sozinha, algo errado com aquele quarto. Era tenebroso. Há quem me tenha dito também, na gravidez, que as crianças, quando se considerarem prontas, voltam para os seus quartos sozinhas. Não duvido que isto aconteça com algumas, mas comigo não foi mesmo nada pacífico. Não conseguia sentir-me segura sem a minha mãe ao lado – e sei lá se isso não teve a sua repercussão até muitos anos depois, nos muitos problemas de dependência dela que enfrentei até ao fim.
Mas digo e repito: se essa fosse a única forma de o meu filho adormecer em paz, acho que a acolheria de maneira temporária, ,mas sempre a tentar fazer com que ele desenvolva a segurança e autoestima suficientes para ficar bem sem o pai e a mãe à noite.
(E adoramos estar os três, juntos, a fazer macacadas de manhã entre os lençóis, é claro.)
Vi, no outro post, que algumas mães usam como recurso para dormirem mais um bocadinho, pois os seus bebés dormem melhor com elas. Ora bem, se funcionasse comigo, lá estaria o Gabriel no meio dos pais a cada noite, pois o que tenho descoberto é que não há nada tão primordial como o sono. Mas, em teoria – já vamos à prática – não consigo deixar de pensar que a cama do casal é o santuário da sua intimidade e que, uma vez que a criança entra lá definitivamente, este santuário perde-se. Já ouvi uma mamã dizer que “lugares na casa para a intimidade há muitos”, mas a cama é a nossa catedral, é onde a nossa vivência a dois acontece, e não falo só de sexo. Se não houver vivência a dois, o casamento desmorona aos poucos – não estou a pôr toda a responsabilidade sobre a coitada da cama, mas ajuda ter um porto seguro livre de bebés. Sei que na Natureza não é assim e que os mamíferos dormem todos juntos, mas, para o melhor e para o pior, na Civilização é diferente e não dá para ignorar o peso da cultura sobre a biologia.
Este é um motivo. Agora o principal, pelo menos para mim.
Eu fui uma co-sleeper até muito tarde, porque o meu pai não morava na nossa cidade e só vinha de tempos em tempos. Nesses “tempos em tempos”, eu lá ia recambiada para o meu quarto e passava a noite toda aterrorizada por estar sozinha – se a minha mãe me mantinha no quarto dela noite após noite, era porque havia algo errado em dormir sozinha, algo errado com aquele quarto. Era tenebroso. Há quem me tenha dito também, na gravidez, que as crianças, quando se considerarem prontas, voltam para os seus quartos sozinhas. Não duvido que isto aconteça com algumas, mas comigo não foi mesmo nada pacífico. Não conseguia sentir-me segura sem a minha mãe ao lado – e sei lá se isso não teve a sua repercussão até muitos anos depois, nos muitos problemas de dependência dela que enfrentei até ao fim.
Mas digo e repito: se essa fosse a única forma de o meu filho adormecer em paz, acho que a acolheria de maneira temporária, ,mas sempre a tentar fazer com que ele desenvolva a segurança e autoestima suficientes para ficar bem sem o pai e a mãe à noite.
(E adoramos estar os três, juntos, a fazer macacadas de manhã entre os lençóis, é claro.)
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
Clister doméstico
Sabe-me sempre tão fabulosamente bem. E agora que descobri o freecycle, sabe bem e ainda me divirto.
Espaço para respirar e menos coisas para o Gabriel tentar engolir, é o que se quer!
Espaço para respirar e menos coisas para o Gabriel tentar engolir, é o que se quer!
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Rapidinha em tom de indirecta, que não sendo, acaba sendo, sem querer
O meu irmão tinha um pacote de uma loja com nome de mulher, hoje, e por uns segundos pensei que era uma prenda para mim.
Tenho saudades de receber prendas femininas.
Tenho saudades de receber prendas femininas.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
A tribo
Como leitora ávida e fã de Daniel Quinn que sou, adoro saber de experiências tribais. Nunca pus nada disso em prática, com muita pena minha, mas sempre vou lendo o que se anda a fazer por este mundo em termos de viver fora do que chamo "esquemão".
Li, assim, há algum tempo, este post da Cátia que vou copiar aqui, e gostei mesmo muito do que ela escreveu.
Vale a pena dar uma vista de olhos - de preferência olhos bem abertos.
Construir uma pequena tribo
Estava eu em casa de uma amiga, que teve bebé recentemente, e ao ver que se estava " a passar" com tudo o que tinha para fazer, propus cuidar dos nossos dois bebés enquanto ela dava conta das fraldas, comidas, limpezas etc... vendo que ficou apreensiva em relação a deixar o seu bebé comigo, sugeri que ela podia ficar com os dois bebés e eu dava uma ajuda, por exemplo, lavando a loiça.... ao ouvir essa sugestão ficou ainda mais aflita porque não queria outras pessoas a tratar das sua coisas, porque ela é que é a responsável pela sua casa e só a ela cabe limpa-la e arruma-la.
O resultado desta minha tentativa de constituição de uma "pequena tribo" foi que vou muito menos vezes a sua casa pois ela diz sempre que tem muito que fazer, que está tudo desarrumado etc... de facto, é complicado receber pessoas em casa e andar a servir sumos, chás e bolos quando tudo está de pernas para o ar mas podia ser muito reconfortante receber amigas que, entre conversas e quem sabe bolinhos, nos ajudam a pôr a casa em ordem. Digam lá se assim não seria muito mais simples receber visitas mesmo estando com recém-nascidos?
Penso que, à semelhança desta minha amiga, muitas mulheres sentem a obrigação de ter tudo perfeito e a ajuda externa aparece como um apontar o dedo à sua suposta incapacidade de gerir as suas casas e as suas vidas.
Qualquer mãe sabe que passar meses a fio em casa com um bebé como única companhia e resmas de roupa e loiça para lavar, mamadas mais ou menos prolongadas e fraldas para mudar como únicas actividades, está longe do nosso ideal de férias prolongadas. No entanto, quase todas as mães nos "vendem" esse imagem misto de alegria e abnegação e casa uma de nós lá se resigna às agruras e isolamento dos primeiros meses de maternidade pois queremos, no mínimo, ser tão boas mulheres e mães como as nossas irmãs, primas, amigas, colegas de trabalho etc...
Era bom ver mais mulheres a pedir ajuda, ver mais mulheres a bater com o pé e a dizer que não querem a solidão de estar dia após dia fechadas em casa com um bebé, que não gostam da sobrecarga de trabalho quando o corpo e a mente só pedem paz. Talvez assim as futuras mães se sentissem menos "obrigadas" à perfeição.
Como vivemos isolados em caixinhas de fósforos, sem o apoio da família alargada e muito menos sem uma "tribo" que onde nos sentimos integradas, podíamos começar por construir pequenas tribos de mulheres que tem a coragem de pedir ajuda e de ajudar, que partilham as tarefas domésticas e se apoiam nos cuidados aos seus filhos sem medo de admitir que a maternidade a sós pode ser um fardo muito pesado.
A todas as "mães da minha vida", desculpem pois quando tiveram filhos eu não sabia o quanto uma mãozinha podia ter sido bemvinda.
A todas as pessoas que ofereceram ajuda e eu recusei, "shame on me" por querer fazer tudo sozinha.
A todas as amigas que vão ser mães, espero estar por perto para vos apoiar.
(Parabéns tardiamente por este post, Cátia.)
E, já agora, fica aqui a dica de uma aventura para a mente e para o coração.
Li, assim, há algum tempo, este post da Cátia que vou copiar aqui, e gostei mesmo muito do que ela escreveu.
Vale a pena dar uma vista de olhos - de preferência olhos bem abertos.
Construir uma pequena tribo
Estava eu em casa de uma amiga, que teve bebé recentemente, e ao ver que se estava " a passar" com tudo o que tinha para fazer, propus cuidar dos nossos dois bebés enquanto ela dava conta das fraldas, comidas, limpezas etc... vendo que ficou apreensiva em relação a deixar o seu bebé comigo, sugeri que ela podia ficar com os dois bebés e eu dava uma ajuda, por exemplo, lavando a loiça.... ao ouvir essa sugestão ficou ainda mais aflita porque não queria outras pessoas a tratar das sua coisas, porque ela é que é a responsável pela sua casa e só a ela cabe limpa-la e arruma-la.
O resultado desta minha tentativa de constituição de uma "pequena tribo" foi que vou muito menos vezes a sua casa pois ela diz sempre que tem muito que fazer, que está tudo desarrumado etc... de facto, é complicado receber pessoas em casa e andar a servir sumos, chás e bolos quando tudo está de pernas para o ar mas podia ser muito reconfortante receber amigas que, entre conversas e quem sabe bolinhos, nos ajudam a pôr a casa em ordem. Digam lá se assim não seria muito mais simples receber visitas mesmo estando com recém-nascidos?
Penso que, à semelhança desta minha amiga, muitas mulheres sentem a obrigação de ter tudo perfeito e a ajuda externa aparece como um apontar o dedo à sua suposta incapacidade de gerir as suas casas e as suas vidas.
Qualquer mãe sabe que passar meses a fio em casa com um bebé como única companhia e resmas de roupa e loiça para lavar, mamadas mais ou menos prolongadas e fraldas para mudar como únicas actividades, está longe do nosso ideal de férias prolongadas. No entanto, quase todas as mães nos "vendem" esse imagem misto de alegria e abnegação e casa uma de nós lá se resigna às agruras e isolamento dos primeiros meses de maternidade pois queremos, no mínimo, ser tão boas mulheres e mães como as nossas irmãs, primas, amigas, colegas de trabalho etc...
Era bom ver mais mulheres a pedir ajuda, ver mais mulheres a bater com o pé e a dizer que não querem a solidão de estar dia após dia fechadas em casa com um bebé, que não gostam da sobrecarga de trabalho quando o corpo e a mente só pedem paz. Talvez assim as futuras mães se sentissem menos "obrigadas" à perfeição.
Como vivemos isolados em caixinhas de fósforos, sem o apoio da família alargada e muito menos sem uma "tribo" que onde nos sentimos integradas, podíamos começar por construir pequenas tribos de mulheres que tem a coragem de pedir ajuda e de ajudar, que partilham as tarefas domésticas e se apoiam nos cuidados aos seus filhos sem medo de admitir que a maternidade a sós pode ser um fardo muito pesado.
A todas as "mães da minha vida", desculpem pois quando tiveram filhos eu não sabia o quanto uma mãozinha podia ter sido bemvinda.
A todas as pessoas que ofereceram ajuda e eu recusei, "shame on me" por querer fazer tudo sozinha.
A todas as amigas que vão ser mães, espero estar por perto para vos apoiar.
(Parabéns tardiamente por este post, Cátia.)
E, já agora, fica aqui a dica de uma aventura para a mente e para o coração.
Precisamos de ajuda
Depois de quase um ano à espera de um milagre, reconhecemos que não basta esperar, temos de fazer alguma coisa sobre as noites do Gabriel. Ele nunca deu noites boas, do tipo 00h-07h00, mas agora alguma coisa mudou e está um pouco pior. Acorda aos berros a meio da madrugada e só acalma com um grande biberão de papa. Antes que perguntem, sim, ele come bem durante o dia e não, ele não acalma só com festinhas no berço.
Por isso, estamos abertos a ideias, métodos e até a algum pediatra/especialista que entenda disso e possa ajudar-nos, porque estamos a chegar a um nível de cansaço crónico que nos rouba o bem-estar durante o dia.
Brainstorming, meninas e meninos, please. Estes zombies agradecem.
Por isso, estamos abertos a ideias, métodos e até a algum pediatra/especialista que entenda disso e possa ajudar-nos, porque estamos a chegar a um nível de cansaço crónico que nos rouba o bem-estar durante o dia.
Brainstorming, meninas e meninos, please. Estes zombies agradecem.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Porque ainda somos nós mesmos
Mesmo no Pós-Gabriélico, fizemos cumprir, sim, a tradição de eleger o nosso top 10 de filmes do ano mais uma vez. Ganhou o óbvio!
O pior foi o 2012, embora Lua Nova tenha andado a pedi-las.
O pior foi o 2012, embora Lua Nova tenha andado a pedi-las.
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