Já não acho piada às festas medievais. Caramba, aquilo é sempre a mesma coisa! A mesma música, os mesmos comerciantes, as mesmas distracções, ou seja, a mesma merda de sempre. Não há paciência. A ideia até é gira, mas convenhamos que, quando temos a mesma experiência todos os anos, a coisa começa a fartar.
Lembro-me que, durante os primeiros anos em que namorei com a Melissa, íamos muito vezes passear o romance a estes sítios. Óbidos, Sintra, Sesimbra, Almodôvar, eram parte do nosso itinerário e, bem vistas as coisas, funcionávamos um bocado como groupies das feiras medievais.
Desistimos disso. Nasceu-nos um filho e agora a oportunidade de voltar aos mesmos locais só para ver cavalos montados por gajos com uma espada na mão já não é a mesma. Já vimos o espectáculo! Toda a gente já viu.
Um dia destes apareceu-me a ideia. E se substituíssem as feiras medievais pelas feiras renascentistas? Era uma novidade que muito emocionaria as gentes. Até podia haver senhores a pintar quadros, mulheres gordinhas desnudadas a fazer de modelos, estátuas com senhores de pila de fora, uma caravela feita mais ou menos á escala no meio das ruas para os miúdos brincarem e príncipes florentinos a passear pelos visitantes.
O que dizem, malta das câmaras municipais? Temos negócio?