quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Tudo é uma questão de leitura

Acho que até já escrevi isto por aqui, que "tudo é uma questão de leitura" é a minha frase de eleição, aquela que respondo quando me perguntam, nas inúmeras entrevistas que dou, qual é a minha frase preferida.

Foi-me dita pelo meu pai - que é autor de muitas das minhas frases preferidas - quando eu disse que andava a ver fantasmas. Ele disse: podem ser fantasmas e pode ser por quereres que sejam fantasmas. Pode ser uma leitura. Se eu estiver virada para uma determinada interpretação dos acontecimentos, é essa a interpretação que o acontecimento vai ter.

"Tudo é uma questão de leitura" voltou-me à memória durante os aproximadamente 30 minutos que passei a ler "O Segredo", porque a tal "força da atracção" não é mais do que isso, uma questão de leitura. Se eu estiver a pensar em penas brancas, verei penas brancas (é o exercício que o livro dá para provar que temos um magnetismo XPTO para desejos: pensar numa pena branca e dar uma semana para a pena branca aparecer).

Mas adiante.

Estou a passar por dias difíceis, de muitas incertezas. No meio destes dias, há momentos excelentes, como se tudo corresse lindamente, como se o futuro brilhasse. E há momentos sombrios, sem energia nem fé, em que mal consigo levantar-me, em que não vejo nada de nada à minha frente.

Ora bem, a minha vida não muda todos os dias. Os dias são bastante parecidos uns com os outros desde que o Gabriel nasceu. Portanto, o que muda é a leitura de dia para dia. E é isso o que queria lembrar-me nos momentos sombrios: que é tudo uma questão de leitura. E essa leitura quem tem sou eu, está nas minhas mãos. Nos meus olhos.

(Terminei de ler Pássaros Feridos e trouxe para casa Alta Fidelidade, do Nick Hornby)

7 comentários:

Ana C. disse...

Passando a parte de "tudo é uma questão de leitura emocional", pois não tenho rigorosamente nada a acrescentar ao que disseste, viro-me para a parte da tua leitura esquizofrénica. Não se passa dos pássaros feridos para o Alta Fidelidade. Procura na biblioteca "A Bicicleta Azul" da Regine Deforges. Ouve o que te digo e não te vais arrepender.

Melissinha disse...

Nope. Tou a adorar o Alta Fidelidade. Amo Nick Hornby!

Pekala disse...

eu adorei/odiei o Alta Fidelidade.foi o livro mais mal traduzido que já li,terrível,tive que o ler em português a retroverter pra inglês.espero bem que não estejas a ler a primeira edição....

Melissinha disse...

Está muito mal traduzido, sim senhora. Acho que sim, que é a primeira edição. Mas olha, fez-me gargalhar à mesma. Mas gargalhar à grande (fazem-me sempre), e é disso que preciso.

Leste o Slam? Li no fim da gravidez, pesadíssima, mijava-me toda a rir, patética.

Amo Nick Hornby. Ontem quando comecei a ler o Alta Fidelidade, reparei logo em onde foi buscar o Nuno Markl o tom para a Caderneta de Cromos.

InêsN disse...

Precisava mesmo de ler isto...

É tudo uma questão de leitura, sim.

- disse...

Não concordo. Não acho nada uma questão de leitura. Acho muito mais que seja fruto dos dias todos iguais, da rotina terrível e difícil de ter um filho pequeno, de que estás a ter alguns sinais de que alguma coisa precisas mudar na tua realidade, na tua vida. Essa da leitura é como o frio ser psicológico. Cuidado, não ignores os sinais que o teu próprio corpo te poderá estar a dar acerca de um possível esgotamento, depressão, de que te faltam outras coisas para ser mais feliz em mais momentos da tua vida e para que os mudes.

Elsa

Melissinha disse...

Eu acho que tentar manter a mente centrada e o mais objectiva possível ajuda a prevenir depressões menores, sublinho os menores.

Desta vez não me entrego, nem que a vaca tussa.