quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ando cheias de saudades da minha mãe.

As minhas saudades não são bonitas nem compreensivas nem resignadas nem cheias de boas lembranças. São exigentes, urgentes, sufocantes, autoritárias, espaçosas. Se as minhas saudades fossem uma figura histórica, seriam Maria Antonieta.

E não, não é do Natal. Culpo antes o stresse. Quando estou muito cheia de coisas, as minhas defesas caem. Constipo-me a sério e lembro-me de que não tenho mãe há muitos anos e de que não faço a mais pálida ideia de como seria a minha vida hoje com ela presente.

Tenho andado num processo - muito, muito tardio - de perceber que esta dor não é só minha. Não fui só eu a perdê-la. Tenho andado a tentar compreender a dor do meu pai, por exemplo, que perdeu um dos maiores amores da vida dele e a melhor e mais antiga amiga, além de mãe dos dois filhos, no mesmo dia. Não pode ter sido fácil. Tenho tentado compreendê-lo e dar espaço à saudade dele também, coisa que não fiz durante todos estes anos. Mas hoje não. Como diz a Marisa Monte, se ela me deixou a dor é minha só, não é de mais ninguém.

4 comentários:

Naná disse...

Mas a dor que tu sentes é mesmo só tua, porque cada um sente a dor à sua maneira.
A dor do teu pai é dele, mas as saudades dele serão concerteza diferentes... o teu pai sentirá falta dos beijos e dos abraços e das conversas cúmplices, enquanto as tuas saudades são essencialmente a falta de colo, o físico e o emocional que a tua mãe te traria!

No entanto, não sei o que custa mais... se é não fazer a mínima ideia de como seria a tua vida se ela ainda existisse ou se ter a exacta noção de como seria a vida se ela ainda existisse na tua vida!

gralha disse...

Protesta sem contemplações a tua dor e a dos outros. E depois vai dançar de mansinho com a música que finalmente descobriste :)

Melissinha disse...

Não é linda? :)

c disse...

Dá espaço à dor, mas cura a constipação :)
Um abraço!