terça-feira, 20 de janeiro de 2009

De meninos e meninas

Desde que soube que ia ter um menino que acho o maior piadão do mundo fazer piadas porcas com as minhas amigas mães de menina. Até seriam mais porcas, se não tivesse medo de acabar sem nenhuma para me visitar no paridródomo.

Ontem estive a observar um grupo pequeno de rapazes e raparigas pré-adolescentes – entre os 12 e os 14 anos, talvez. Falavam de tudo e mais alguma coisa e a conversa era uma delícia de seguir por estes ouvidos de paquiderme que adoram qualquer oportunidade de se concentrar em qualquer assunto que não seja gravidez ou placenta. Estava eu entretida na conversa sobre como maximizar a máquina de gelados do Ikea quando comecei a reparar neles e nelas.

As meninas eram todas magras, bonitas, falavam depressa, com gestos precisos. Eram fortes e assertivas. Tocavam umas nas outras, mostravam SMSs umas às outras, riam-se exageradamente.

Os meninos, por outro lado, eram uma autêntica desgraça. Desafinados, com uma penugem por baixo do nariz, vestidos pela mãe com calças demasiado curtas, camisas demasiado velhas, alguns muito gordos, alguns escanzelados.

E irremediavelmente fascinados pelas meninas.

As meninas estavam todas sentadas, a falarem entre si. Os rapazes estavam todos de pé, à volta delas. Um tocava no cabelo de uma e levava um estalo de leve na mão, qual espanta-mosca, e continuou a sua conversa Nem um olhar mereceu. Outro sentou-se na pontinha da cadeira de outra, que prontamente se levantou deixando a cadeira toda para aquele Romeu e foi sentar-se ao colo – pasmem – de uma das amigas. Dois rapazes, os mais gorduchos, desistiram de penetrar naquele mundo e foram dedicar-se a algo menos ingrato – buscar gelados na máquina de free-refill. Os outros eventualmente também desistiram e foram às suas vidinhas, deixando aquelas beldades cruéis e inatingíveis entregues a si próprias.

Não valia a pena tentar entrar. Menino não entra.
Não aqueles meninos.
Talvez meninos do 10º ano, já com penteados à Morangos, já com a voz mudada, já sem as roupas dos irmãos mais velhos.

Cheia de angústia hormonal, mandei uma mensagem ao Hugo a dizer que o Gabriel vai precisar de muito, muito apoio e amor na pré-adolescência. Ele não deve ter entendido nada, nem respondeu.

A maioria das meninas a quem faço piadas porcas hoje ainda não dorme noites completas, mama no peito e usa oito fraldas por dia. Vou fazendo piadas da pilinha e gozando enquanto posso, pois, pelo que vi ontem, quem ri por último, ri melhor.

6 comentários:

Hugo disse...

Patós!
Eu na idade deles já tinha percebido que não tinha hipoteses para os romances.
Vai daí comecei a jogar computador e a ver cinema.
Agora vistas as coisas ganhei mais do que perdi.
O maior problema foi quando cheguei ao 10º ano em vez de me misturar com as miudas continuei a jogar computador e a ver cinema.
Foi o melhor que fiz :)
Lá para os 20 anos é que achei por bem deixar de jogar computador e convidá-las a ir ao cinema.
Não tive muita sorte, mas resultou contigo!

Melissinha disse...

Tu ainda jogavas computador e ias ao cinema quando te conheci!

Hugo disse...

Eu heim!

Ana C. disse...

Genial Melissa. Texto 100% verdadeiro. Diz a mãe de uma menina ;)
Os rapazes são mais trapalhões, mais imaturos. Quando as raparigas já gostam de ler poesia, eles ainda estão no tio patinhas. Mas eventualmente acabam por as apanhar e aí sim, começam a divertir-se à grande. As mães dos meninos riem, enquanto as mães das meninas choram.

Anónimo disse...

Achei esse texto d++++!

Melissinha disse...

Obrigada! :)