sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Nova rubrica: Porque somos doidos por... episódio 1- Glee



- Tem canções fixes com arranjos que são daqueles guilty pleasures calóricos, mas o guilty pleasure fica-se por aí, pelos arranjos e coreografias: a série não é sobre canções, a série usa as canções matematicamente para compor os diálogos, e cada verso e cada arranjo têm significado e colocação precisas.

- Assim como Popular, do mesmo gajo, vista cá por 10 pessoas na Sic Radical em 2002*, Glee começa com uma mão-cheia de clichés: as cheerleaders que têm um clube de castidade, o gay, a gorda, o jock, o deficiente físico. Leva os clichés aos píncaros durante uns poucos episódios - a cheerleader engravida, o gay tem dificuldades em sair do armário, etc - para depois começar a derrubar cada uma das nossas expectativas. Lá pelo meio da série, os lugares-comuns são baralhados - a cheerleader é boa pessoa, o gay e a gorda são sexy e cheios de segurança, o jock realiza-se mesmo é a cantar hard rock FM dos anos 80 - e os clichés que permanecem são cheios de leitura, não são caricaturas.

- Assim como Popular, Glee quer derrubar cada um dos nossos preconceitos. Quando achamos que já não nos surpreendemos, somos desafiados. Surge uma treinadora de futebol no balneário, um puto lindo de morrer mas que é profundamente inseguro da sua aparência, miúdas que curtem uma com a outra sem serem lésbicas, um deficiente que entra na equipa de futebol - tudo fundamentado de maneira profunda, bem escrita, com muita ternura e humor.

- Assim como Popular tinha a genial Bobby Glass, Glee tem a Sue, e se a série fosse uma merda mas estivesse lá a Sue, já valeria a pena. Um papel delicioso escrito para uma grande comediante! (Mas a minha personagem preferida neste momento é a Brittany - a melhor loura de sempre, e acho que é a do Hugo também. E não deve ser nenhum acaso, a produção está a dar-lhe mais espaço. Viram o episódio da Britney Spears?)

- Finalmente o Ryan Murphy tem o sucesso com uma série de adolescentes que já merecia com Popular. Quem for gleek como nós e ainda não o tiver feito - difícil - procure ver Popular.



*embora hoje em dia toda a gente diz que viu aquilo na altura em que deu e que sim, que uau, que génio, não é verdade. Traduzi boa parte da série e ninguém, fora eu e o Paulo, achava que aquilo era muito mais do que uma série de adolescentes.

2 comentários:

Precis Almana disse...

Não conheço a série "Popular". O Glee vi uns episódios até o prof se interessar pela colega e se perceber que o casamento não estava grande coisa, mas aquilo não me agarrou.

arleqvino disse...

..é verdade.. vi tudinho e apesar de gostar do glee, continuo a apreciar o popular como "mais adulto". go figure..
..e obrigado pelos cd's com a série :}