quinta-feira, 22 de maio de 2014

A lover, not a fighter

Ele sempre foi calminho, excetuando ali uns meses aos dois anos em que andava a descer o pau em todo o mundo do infantário. De resto, gosta de brincadeiras tranquilas, pouco físicas, não anda aos empurrões, vive num mundo fantasioso (adora superheróis), não bate em ninguém, não se arrisca fisicamente. Junta-se naturalmente a meninos como ele no recreio da escola, do parque, etc.

O problema é quando até meninos como ele começam a desenvolver a sua testosteroninha e o meu filho começa a ficar para trás, sempre a vítima nas brincadeiras, sempre aquele que tem de se defender, o primeiro a ser apanhado na apanhada, aquele a quem tiram os brinquedos. O Gabriel não reage a um empurrão que lhe deem. Não se defende de nada. Tenho muita sorte com o jardim de infância que escolhi, em que os outros miúdos parecem respeitar isso minimamente - nunca ninguém lhe bateu.

Mas quando vejo meninos que até partilhavam o mesmo comprimento de onda começarem a arriscar-se em árvores, em brincadeiras mais agressivas e coisas assim, o meu coração de mãe encolhe-se pelo meu molengão. E quando chegar à primária, meu Deus? Terá a mesma sorte de lhe respeitarem o feitio, como fazem agora? Duvido. 

7 comentários:

gralha disse...

Como sabes, também tenho (o dom imenso de) um desses. E acho que será sempre assim. Nos primeiros tempos de escola primária passou alguns maus bocados, sobretudo porque fica incrédulo perante a crueldade alheia. Felizmente, a escola está cheia de meninas que o adoram e há outros meninos da paz, com quem brinca sossegado. Tudo se compõe, mais arranhão, menos arranhão.

Melissinha disse...

Obrigada, gralha :) Ando mesmo angustiada com isto.

Ana. disse...

Não acho muito justo que penses nele como molengão, quando ser pacifista é claramente uma vantagem que ele leva para o resto da vida.
Vai sofrer um pouco quando se cruzar com pessoas menos nobres do que ele, mas esta base de caráter, para mim, é a melhor de todas. O Gabriel vai poder dormir de noite sabendo que não fez mal a ninguém.
Dito isto, ensina-o a defender-se verbalmente. Eu sempre fui pequenina e magrinha,não tinha força para dar um empurrão em ninguém, mas no bate-boca, ninguém me batia! Até que deixaram de se meter comigo...

dona da mota disse...

Eu já expliquei aos meus que os palermas da escola vão ser os falhados da vida, talvez de um modo mais (ma)terno, mas mais ou menos assim.
Por acaso há um miúdo do 4.º ano que se mete muito com o meu do 1.º ano. Já envolveu a minha irmã e cunhado falarem com o pai dele, porque o conhecem. Há 2 noites ele manifestou-me preocupação pois descobriu que um primo do 4.º ano, o seu protector, vai mudar de escola. Eu expliquei que o outro tal também vai mudar de escola e que, se alguém lhe fizer mal vou á escola e puxo-lhe as calças para baixo e ele perguntou, a sorrir:
És mesmo capaz?!...
Se calhar até sou. É chatearem-me! :)

Não sofras por antecipação pois este meu filho era o último que eu achava que podia sofrer com isto... Já o mais velho, tímido e mais não sei quantos, ai de quem se meta com ele...
Não são filhos, são caixas de surpresas. A sério, não sofras por antecipação...

manue disse...

o meu é desses...a primária pá....nem sei que te diga. Ainda hoje repreendi um miudo que anda a prometer pontapés ao meu

amigos das onze horas disse...

Acho que toda a mãe tem esses medos pois todas sabemos como são as crianças. Temos que confiar que a educação que lhes damos será suficiente para os ajudar a ultrapassar as dificuldades da vida. Beijinhos

Melissinha disse...

Ter filhos, que grande ideia :D