quinta-feira, 7 de abril de 2011

Ainda sobre o maior medo do mundo

Hoje à tarde, no parque, lá estávamos nós, a jogar à bola com outro menino da mesma idade no relvado. Entretanto, um cão avança sobre um miúdo de uns 10 anos que entra em pânico absoluto - mesmo - desatando a correr exangue pelo relvado a gritar como um louco, com o caniche a correr atrás, a dona do caniche atrás de tudo e o pai do miúdo atrás da dona do caniche.

Claro que todos os adultos ficaram hipnotizados com a cena. Parámos por uns 15 segundos, totalmente apanhados por aquela cena.

Quando terminou, olhámos para trás e... Onde estava o Gabriel?
O pai do outro menino que brincava connosco estava na mesma situação.

Ficámos loucos durante os três ou quatro segundos que aquilo durou. Os meninos estavam longíssimo - o Gabriel estava perigosamente por baixo dos baloiços dos grandes.

Gelei ao pensar que bastavam 15 segundos para que, com uma manobra de distracção tão parva quanto um puto histérico e patético aos berros, podiam ter-nos levado o Gabriel. É que dava tempo. E é facilmente organizável.

NUNCA, nem num milhão de anos, me ocorreria algo tão paranóico antes de ter o Gabriel.

É disto que falo.

10 comentários:

Ginguba disse...

O pior é que não é paranóia. Talvez seja um pensamento paranóico pensares numa manobra de distracção, mas 15 segundos são suficientes para eles caírem num buraco ou serem atropelados, por exemplo. Eu lembro-me que, quando a minha filha era pequena, se tivessemos desviado o olhar naquele segundo em que ela escorregou numa piscina com pouco mais que um palmo de água, não sei o que seria!
É o maior medo do mundo, mesmo!

JS disse...

Há uns dias a Kika escondeu-se a entrar no carro enquanto metia a Nôno no outro assento. Gritei por ela e não me respondeu, foram alguns segundos de sofrimento atroz..

Acho que nunca na minha vida tinha sentido um sentimento assim. Morri 20 segundos.

Melissinha disse...

Não é incrível? Estamos a falar de segundos. Eu não imagino UM MINUTO INTEIRO.
Só me lembro da história do Pedro Ribeiro, arre.

E.M disse...

Passei por algo semelhante, mas que durou 2 ou 3 minutos. De férias, centro comercial cheio, com o Gui e dois primos, um de 13 e outro de 8. Natura, a efectuar pagamento, olho para trás e vejo o Gui a brincar com uma velas. Entrego o dinheiro, volto a olhar e o Gui já não estava. Olhei em redor, procurei por trás de um monte de roupa e o Gui não estava MESMO. A sra da caixa apercebeu-se e iniciou a busca comigo deixando tudo o que estava a fazer... saí da loja e procurei a maior atracção, as escadas e a varanda a uns escassos 50 metros. Não estava. A multidão passava. Algumas pessoas começaram por notar o pânico em mim. Algumas juntaram-se. Não me lembrava da cor da sua roupa. Apenas consegui dizer que era loirinho e tinha dois anos. Apetecia-me gritar, literalmente. Apeteceu-me parar todas as pessoas e implorar sossego e ajuda. Emvão. 2 minutos, ou 3, passaram até que uma sra me agarrou os braços e me disse que achava que ele se tinha dirigido para a CGD... era lá que estava o pai. Corri que nem louca. Estava lá. Abracei-o tanto, com tanta força... e chorei, chorei, chorei. Agarrei-me à Sra da caixa da Natura e agradeci profundamente o facto de ter deixado a loja, a caixa e ter ajudado. Não desmaiei só porque encontrar o Gui se impunha sobre qualquer outra coisa.
Jamais esquecerei.
Bastaram 3 segundos e um olhar no sentido contrário.
É o maior medo, mesmo, nada se compara.

Supertatas disse...

true
o ano passado na praia, 2 segundos enrolado numa mini-onda de para ái 15 cms e ia morrendo. ainda hj tremo só de me lembrar e de cada vez que ponho um pé na areia.

Pekala disse...

o meu desapareceu durante uns 30 segundos da minha vista em plena rua augusta cheia de gente e de turistas.estava parado a ver uma montra.morri.

A mãe que capotou disse...

Nunca passei por minutos neste tipo de situação, mas bastou-me alguns segundos para perceber o que é que a expressão "ter o coração na boca" quer dizer. E pensei, juro que pensei, na hipotese da trela (acho que nunca cheguei a fazer um post contra este acessorio, porque ja pensei muito mal disto - la se iria a coerência toda pelo cano abaixo...).

Melissinha disse...

Tou a adorar as vossas histórias, mães capotadas!

Mãe-que-capotou, coerência é uma cena muito muito overrated.

Claudia Borralho disse...

ui também também, ainda mais agora que começo a ter de o deixar sair um pouco debaixo da asa, por vezes encontramos amiguinhos da escola no supermercado ou em lojas e ele quer ir lá dizer um olá, fico em triplo alerta pá!

want a miracle disse...

ler o C. concept tb ajudou nisso do medo :)