terça-feira, 15 de julho de 2014

O calcanhar de Aquiles da sombra

Não é porque dizemos a nós mesmos ISTO ACABA AGORA que isto acaba agora. Não é porque analisamos tudo ao mais ínfimo pormenor que a coisa se torna menos avassaladora. Não é por dizermos a nós mesmos que tudo que sentimos é uma estupidez que a coisa se torna menor. Distrair-me do que me incomoda também provou ser exercício fútil. Enumerar as coisas boas da vida também tem duração limitada contra a dita cuja.
Ainda não descobri o ponto fraco da sombra, mas lá chegarei.

Ou isso ou aceitar, finalmente, que a vida é cíclica e que Mercúrio fica retrógrado às vezes, que haverá, nos tais ciclos, coisas que me ultrapassam por completo, e que tudo isto é lindo, tudo isto é vida, tudo isto é património.

AnaMê, tens razão numa coisa que me disseste há não muito tempo: desconfiavas que eu falava pouco e falava tarde. Talvez o ponto fraco da sombra passe por pedir ajuda (ou perspectiva, é a mesma coisa) mais cedo e com menos peneiras. Talvez experimente isso. 

5 comentários:

gralha disse...

Chamo flutuações hormonais aos ciclos, e pronto. É sempre bom ter um bode espiatório.

(mas concordo com a Anamê, de qualquer forma)

Melissinha disse...

Eu supostamente não tenho flutuações hormonais, gralha. Se calhar fazem-me falta. :)

Ana. disse...

Aceito que a vida é cíclica, sim, que passamos muitas vezes pelas mesmas fases e que vamos aprendendo a lidar com elas aos bocadinhos.
Mas não concordo que saber pedir ajuda mais cedo e sem peneiras absolutamente nenhumas seja um ponto fraco.
I'm still here! (We're still here, for sure!)
:)

Naná disse...

Não só estou convicta que a vida é cíclica, como acho que existem ciclos que se repetem, com pequenas alterações. Gostava era que certos ciclos não fossem um autêntico iô-iô que vai do pior ao melhor em pouco tempo e vice-versa.

E também preferia que as coisas boas e também as más não viessem sempre em catadupa.

Quanto a pedir ajuda... será sempre algo que relutamos em fazer, vá-se lá saber porquê...

Amigo Imaginário disse...

Também acredito que é importante sabermos pedir, em primeiro lugar, ajuda a nós mesmos. Saber abrandar, saber dizer "eu já não aguento mais", saber ver antecipadamente que algo está a começar a descambar cá dentro...