domingo, 24 de maio de 2009

Or are we dancer

Eu e a tua mãe estávamos a falar no carro sobre as recordações que certas músicas nos trazem quando as ouvimos na rádio ou na televisão. Concordámos que não são só aqueles pequenos ou grandes momentos da nossa vida que são lembrados, mas também todas as sensações de cores, cheiros e sons que lhes estão associados.
Por exemplo, cada vez que oiço alguma música dos Placebo recordo sempre os instantes de sexta-feira quando saía da faculdade e ia para casa feliz da vida sabendo que ia jantar e beber uns copos com uns amigos e curtir o fim de semana. Coisas de solteiro. Durante muito tempo ouvia o Best Of deles no meu Mp3 e a escuta coincidiu com essas sextas feiras regadas e caóticas. Era mesmo uma boa época.
Mais tarde, quando fui viver com a tua mãe para o Monte Estoril, as viagens de comboio pela marginal tiveram como banda sonora o Abattoir Blues do Nick Cave e, cada vez que o oiço, vem-me à memória essa época de excitação de sair da casa dos meus pais e também de ver toda a gente entusiasmada a ler o Código Da Vinci e o Equador.
Mas agora já casado e contigo ao colo, tenho aquela sensação de começarmos a ter, os dois, alguns momentos fortemente associados a compositores e a certas canções. Já são lendárias as tardes que passamos a ouvir os concertos de Brandenburgo do Bach e tu a esbracejares como se estivesses a imitar o árduo trabalho dum maestro a comandar a orquestra. Ou então a dançar Beirute para te acalmar da tua sistemática e histérica birra de fim-de-tarde.
Mais recentemente fomos a um Shopping e a determinada altura a tua mãe foi fazer as compras dela e ficámos os dois para ali, dum lado para o outro a passear. Deu-te a fome e eu comecei a preparar as coisas para te alimentar. Sentamo-nos num banco e começaste a beber no teu biberão. Estavas particularmente giro porque tinhas vestido o babygrow que eu adoro que é uma representação do fato do super-homem. A imagem era particularmente curiosa para quem passava, porque eu, para todos os efeitos, estava a alimentar o super-homem que não era mais do que um bebé de 3 meses. As mulheres que passavam paravam, olhavam sorridentes e metiam-se connosco. A música que estava a passar era a dos Killers, Human. Um sucesso do caraças das rádios. A banda sonora do instante até era capaz de me passar despercebida não fosse a tua mãe entretanto aparecer a cantarolá-la. Depois disparou em surdina invejosa:
- Vocês estão com um ar absolutamente adorável. Fica estabelecido que a partir de agora quem dá o biberão nos shoppings vou ser eu.

4 comentários:

Melissinha disse...

Sim, sou a maior party pooper cá do sítio!

Bem, e cá está a parte não-telegráfica do casal. É desta que este blog enche as peles!

Ana C. disse...

Que bela estreia Hugo!
Eu também tenho as bandas sonoras da minha vida, às quais associo sempre momentos, sons, cores, cheiros.
Mas nunca, repito, nunca alimentei um bebé super-homem em pleno shopping :)

Célia disse...

Que imagem adorável! Certamente eu seria uma das pessoas que me meteria com o super-bebé lindo.
Eu e o Afonso também temos o nosso CD que irá marcar para sempre estes momentos, a banda sonora do Slumdog Millionaire. O Afonso adora ver-me fazer figura de parva a dançar música Indiana :). Até vem a propósito, pois por estes lado é só indianos e paquistaneses na rua :)

Beijos

Melissinha disse...

Célia, o Gabi também adora essa banda sonora!