quarta-feira, 22 de julho de 2009

As dondocas da mesa ao lado

Uma das coisas de ficar em casa com a cria é irmos muitas vezes ao shopping, porque é muito fácil e fresquinho. Uma das coisas de ir muitas vezes ao shopping com a cria é almoçar sem interlocutor, ou seja, com os ouvidos livres para ouvir as baboseiras das dondocas da mesa ao lado. E as dondocas da mesa ao lado, ó Deus Santíssimo, são iguais virtualmente em qualquer lugar deste mundo:
- Adoram ouvir as próprias histórias. Se a companhia é um homem, não lhe conhecemos a voz nunca, apenas os hum-hum e um olhar alheio. Se a companhia for outra dondoca, fala uma de limões e a outra de hipopótamos, certíssimas de que estão a ter ali uma ouvinte sincera e atenta;
- Têm algumas características em comum: são todas mulheres “muuuito orgulhosas, ai que este meu orgulho não me leva a lado nenhum”, são “teimosas, teimosas, teimosas – batendo as unhinhas na mesa – quando meto uma ideia nesta cabeça, não há quem a tire.” E estão sempre sentidas com uma ou outra amiga, “e falo assim muito fria para ela a ver se ela percebe.”
- Têm todas de perder dois ou três quilinhos e estão invariavelmente mais gordas que a interlocutora. Por vezes, dão beliscõezinhos na barriga uma da outra para verem quem afinal é a gorda das duas.
- Têm a certeza de que azeite não engorda. Morreriam a defender essa ideia.
- Foram ontem retocar as madeixas mas a Lu queimou-lhes as raízes todas desta vez. Nunca mais lá voltam.
- Têm sacos da C&A escondidos em sacos da Sacoor.
- Acham que uma empresa de limpeza é muito mais fiável do que uma empregada, mas desde que veio – baixam a voz se me ouviram ao telemóvel – essa quantidade de brasileiras para cá que as empresas também não valem nada. Boas mesmo são as ucranianas, que trabalham bem e barato.

Normalmente esta é a hora em que começo a interagir com o meu interlocutor preferido, o Sr. Gabriel José, que é tão mais cheio de nuances e surpresas no seu discurso. As suas reacções ao meu bubabubabubabuba são muito mais estimulantes intelectualmente.

9 comentários:

Márcia disse...

Hi, hi, hi...Ora que retrato tão fiel!!! Estou a rebolar de rir (metaforicamente, se não a minha colega manda-me internar, lol)

Beijos grandes,
Márcia

Ana C. disse...

Temos que ir almoçar à Garret :)
Aí sim tens a verdadeira dondoca em todo o seu explendor e pior, mil vezes pior que a espécie feminina, é a masculina. O chamado dondoco/pseudo-gay-jamais-assumido.
Levas um banho de cultura e comes bem que se farta. Vou adorar ler os teus posts a seguir.
Não há nada que chegue às conversas que temos com os nossos filhos, é bem verdade. Pelo menos antes da adolescência, em que só ouves como resposta: Ya, whatever

Miguel disse...

É das coisas mais divertidas e enriquecedoras de se fazer num shopping!! Além de que dá textos bem giros!!!

Melissinha disse...

O pior é que não dá. Estou à procura da grande personagem para o meu romance de estreia e essas gajas falham em produzi-lo.

Melissinha disse...

Ana, eu tenho alergia à Garrett desde que vi uma família a comer bolas de berlim com garfo e faca.
Aliás, até podemos ir, mas garanto-te que não vou prestar a mínima atenção ao que dizes só para olhar para os bichos raros à volta.

Mafalda disse...

qualquer dia vou mas é almoçar contigo! aposto que tínhamos uma conversa muito mais interessante ;)
kisses**

Bailarina disse...

ehehehe! só tu

arleqvino disse...

..perdão?... o azeite engorda? pfiuu, vou mudar outra vez para a manteiga..e.. como?.. as brasileiras estão mais caras que as ucranianas?.. deve ser o plano Lula a fazer efeito...

Melissinha disse...

Dondoco!