segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Avós

Uma trá-lo penteadinho e com meias e sapatos, leva-o ao padeiro, ao peixe e à fruta em Moscavide e gaba-o pelas vizinhas. São doidos um pelo outro, e ele sabe exatamente o que fazer para a manter derretida: porta-se muito bem, come melhor ainda e é bebezão. Ela manda-o de volta aos pais com um pequeno enorme farnel das comidinhas preferidas do seu menino, nada de marcas brancas, tudo do bom e do melhor.

A outra despe-o e mete-o a chapinhar na água, ele suja-se, persegue as gatas, não tem hora para nada, come o que lhe apetece, faz o que bem entende, brinca muito e tudo muito alto, dorme de madrugada. São doidos um pelo outro, e ele sabe exatamente o que fazer para a manter derretida - ser selvagem, falador e engraçado.

E a minha mãe protege-o ferozmente lá de cima, assim como o resto de nós. É a única certeza que tenho na vida.

Tenho uma sorte descomunal.

12 comentários:

Ana C. disse...

Que maravilha.

Naná disse...

Tens mesmo!
E o Biel também

Joanissima disse...

Sorte a dele ter uma Mãe que percebe das coisas preciosas da vida e sorte a tua que tens três Avós dessa estirpe para o teu Filho.

ouvirdizer disse...

É por essas e por outras, mas muito por essas, que eu tenho a certeza que nunca emigrarei. Há coisas que não têm preço mas que são de um valor...

disse...

Tenho pena que a minha M não tenha vindo a tempo de conhecer a minha mãe e de ter o privilégio dos irmãos...mas também acredito que de lá os continua a proteger.
Era uma avó com a mistura das duas primeiras do teu filhote.
Bj

Melissinha disse...

Eu não tive chamego de avó, e só por isso também não emigraria, Vera. Prefiro ir dando um jeitinho até onde der.

Melissinha disse...

É engraçado que elas são diferentes em tudo, fiz um resumo muito resumidíssimo. E isso faz-me pensar em como seria a avó Mel. E isso faz-me chorar, por isso, a avó Mel é, por ora, o Anjo Mel.

ouvirdizer disse...

Isso do chamego de avó, sei o que é, não pessoalmente mas sinto-o muito de perto... é mesmo ir dando jeitos até onde der, e com a família por perto, dá-se o jeito muito melhor...
Olha que eu acredito cada vez mais, mas é uma coisa avassaladora e diária que esta vida é mesmo uma passagem, tem que haver outro patamar de onde se olha para este, há coisas que já me acontecerem que me indicam isso, juro. É por isso que deves mesmo acreditar que o Anjo Mel está aí, presente na vida dele! Ó se está!

disse...

Nesse caso já somos três! Também acredito!!!

gralha disse...

Os avós são a raíz das árvores - na qual somos os ramos - onde pousam os nossos passarinhos. Fundamentais, em memória ou presença diária.

ouvirdizer disse...

Gralha uma vez num petisco o meu pai e um migo, avós há pouco tempo e com umas cervejas a mais abraçaram-se quase a chorar quando conluiram que ser avó é como uma árvore a dar frutos... A minha mãe ainda chora de rir quando se lembra da imagem...

Melissinha disse...

Como tive avós distantes, só entendi isso agora, ao ver os do Gabriel. E quando olho para o Gabriel, entendo tudo: eu já amo os filhos dele que não existem.