quarta-feira, 5 de maio de 2010

Curtíssima sobre o luto (para tirar isto do meu sistema de uma vez por todas)

Quanto mais cedo se entra nele, de peito aberto, sem mentiras piedosas, mais cedo se sai dele.
Etapas queimadas voltam mais tarde com muito mais força, ou vão encontrando brechas no dia-a-dia.
Não há tragédia maior do que perder quem se ama. Alguma espiritualidade maquilha, mas não apaga essa verdade: não há tragédia maior do que perder quem se ama.
E o recomeço está sempre, única e exclusivamente, depois do luto.
E no luto não há passarinhos.

7 comentários:

kalina morena disse...

oi melissa,
que sintese!
entendo cada palavra, e compartilho de cada ideia aqui expressada na sua escrita.
abraco,
kalina

miriam_ferreira disse...

Bom dia Melissinha,

Eu também não vi os passarinhos ....
Não os vi durante muitoooo tempo.
Eu sei, tu sabes e outros se não sabem agora, vão saber mais tarde. É uma fase obrigatória, por mais que a queiras evitar, vais ter que passar por ela.
Estou contigo e entendo-te na perfeição.

InêsN disse...

infelizmente já passei por isso e concordo a 100%..

abraço.

Precis Almana disse...

Já lá estive também. E tremo de cada vez que penso em voltar (o que é inevitável quando se tem à volta pessoas que amamos).

Ana C. disse...

Não gosto quando leio Curta, ou Curtíssima sobre...
Já sei que vou querer ler mais.
Eu só passei por lutos supostos, que é como quem diz, de pessoas que estavam na idade de partir. Sei que pode parecer tremenda e estupidamente frio, mas penso que a aceitação se suaviza quando a idade já é muuuuuito avançada.
Perder pessoas que ainda tinham tantas cartas a dar é outra história e sim há quem adie o luto por defesa, ou negação e mais tarde cai-lhe uma avalanche em cima. Também conheço.

Melissinha disse...

Sabes que isto tanto vale para a morte quanto para outras perdas de pessoas amadas.

(Sobre a morte de velhotes: Odeio quem compara a morte da avó de 97 anos com a morte da minha mãe, aos 50. E quem compara qualquer morte com a morte de um filho. Há que ter chá.)

Toda a gente tem a sua maneira de encarar uma perda, mas eu não tenho a menor dúvida - e aqui não uso a palavra "acho" nem "a minha opinião" - de que todas elas passam pelo luto.
E no luto não há passarinhos.

Melissinha disse...

(E digo isso porque, como já devo ter dito N vezes, tratei de enfiar passarinhos em todo o meu luto. O resultado foi catastrófico.)