sábado, 1 de novembro de 2014

Um tipo de Natal

O Hugo conduz o carrinho branco comigo no banco do passageiro, exausta, exausta como em poucas vezes na minha vida. Na autoestrada, passamos por cima do cemitério, um pontilhado de luzes vermelhas a assinalar o dia de limpar as campas, tirar o mato, lavar a laje, polir a lápide. Um pontilhado de luzes vermelhas a dizer que alguém ali foi amado, alguém ali não foi esquecido. Olá, Melissa, esta luzinha aqui sou eu. Eu.

Achei tão bonito que sim, dei a volta e voltei a passar pelo mesmo sítio, pagando portagem a mais. 

3 comentários:

Ginguba disse...

Como gostava de sentir isso que sentes com os cemitérios...Cada ano que passa mais sinto que aqueles que perdi não estão lá...Continuo a ir, a limpar e pôr flores e velas. Mas agora é apenas estranho! Primeiro chorava, depois cheguei a sentir vontade de fugir dali porque achava que as pessoas só ali estavam para manter aparências...Agora sinto apenas um vazio...não sei bem o que vou lá fazer!

Melissinha disse...

Para mim são sítios mágicos, por um número infinito de razões. Não acho que as pessoas estejam lá, não é o que sinto (se não, morreria de medo!), mas acho que a memória delas, sim... Especialmente quando já não há ninguém que se lembre delas. Acho isso fascinante, que haja algo perene da individualidade das pessoas. Verdadeiramente fascinante :)

gralha disse...

Atenção plena <3 ;)