segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

As outras salas da vovó Lourdinha

Porque cada mulher tem as suas salas da vovó Lourdinha no coração, elas merecem outro post - e outro, e outro, quantas forem as salas da vovó Lourdinha que aparecerem, pelo meu filho, pelos filhos que os meus primos e tios tiveram depois do fim da casa da Carlos Vasconcelos.

Aqui ficam as salas da vovó Lourdinha da tia Ane, a arquitecta recém-formada do texto, irmã da minha mãe (e, de certa forma, uma substituta desta no meu coração e na minha vida.)

Ao ler o seu texto fiquei com tanta saudade. Lembrei da sala que representava todos os sonhos da mãezinha em termos de casa, daquela casa arrumada que um monte de crianças pequenas não permitia-lhe tê-la. O tamanho da sala foi fruto da imaginação de uma arquiteta récem-formada que o pai disse vá lá faça um projeto de reforma para a nossa casa e saiu a tal sala para a decoração dos sonhos da dona da casa. Naquela sala tinha algumas peças sensacionais, como por exemplo dois banquinhos com o tampo de louça que quando as visitas chegavam ela praticamente gritava: "cuidado não pode sentar que quebra". Era a verdadeira sala de visitas das nossas antigas casas coloniais. Sobre os objetos dessa sala poderia escrever várias páginas pois cada um tinha a sua estória já que não foram comprados de uma só vez.

Acabou a sessão choradeira, chega.


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As salas da vovó Lourdinha da minha prima Tainá, mais nova alguns cinco anos do que eu, estilista e cheia de estilo:

Tinham dois tapetes, um abaixo das cadeiras de visita e outro abaixo da mesa de jantar... Dividindo estes ambientes um corrimão de madeira sempre lustrado com "óleo de peroba". Lembra do pote de balas Soft? Não se podia chupa-las e conversar ao mesmo tempo. Isso podia matar (rsrsrsrs). Lembra o motivo pelo qual não podíamos passar pela sala? As marcas de pés no piso encerado!!!
A porta que dividia a sala mórbida (matrix) da sala real era linda! Toda de treliça... Ah, você não citou a saleta do telefone... Com suas poltronas confortáveis, um quadro do Tio Nandinho e outro meio surrealista que até hoje penso ser uma nave espacial... Um tacho de cobre com revistas (meu pai tem trauma deste). Esta saleta dava acesso para a garagem... Ai, ai... Tão vivo em nossas memórias.


Adorei a forma como a memória da tia completa a minha memória e a da Tainá. Então as salas mortas, afinal, eram o sonho de vida perfeita da vovó. Nunca as tinha visto assim. Nunca tinha entendido bem aquelas salas, mas agora, dona da minha própria casa caótica e com minifamília caótica, meu Deus, como eu entendo essa necessidade de ter um lugar, que seja, sem ser invadido pelo caos da realidade. Um lugar de sonho.
(E, obviamente, esperarei o tempo que for necessário para a tia Ane escrever sobre os objectos da sala-modelo.)

6 comentários:

Ana C. disse...

Mágico.
Agora percebo que talvez a minha mãe não esteja sozinha na sua "loucura", sabes que ela tem uma sala de estar maravilhosa, de revista, na qual ninguém entra para não perturbar a ordem das coisas...
Sempre teve uma divisão da casa onde ninguém entrava. E eu sempre odiei isso, nada tinha de mágico ;)
Continua a falar neste tema, porque estou presa...

Melissinha disse...

Numa escala bem diferente, as salas intocáveis fazem-me lembrar do penico de ouro da noiva dum dos Aurelianos, lembras-te? A única coisa da sua vida de princesa a que ela se agarrava naquela casa de doidos.

Ginguba disse...

Nem ia comentar este post. Mas sabes, fizeste-me lembrar a casa da minha avó paterna. Uma casa grande, bem decorada-acho eu-mas onde ela não deixava entrar os netos! Não passávamos da varanda. uma varanda perfeita que rodeava a casa e onde cumprimentáva-mos a Avó e iamos pró quintal. E desse sim ,lembro-me bem! O quintal onde os primos se juntavam enquanto os adultos iam prá casa. Nunca entendi essa coisa da minha Avó. E como não entrava na casa dela, também nunca entrei nela! Valeu-me a Avó materna que nos deixava entrar em todo o lado!

Melissinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Melissinha disse...

Para nós - pelo menos para mim, calminha, tive primos bem mais pestes do que eu - aquelas salas eram invisíveis, não chateavam nada. Não precisávamos de passar pelo meio dos móveis para chegar aos fundos da casa - a casa real, - era exactamente como um museu, tudo chegado para a parede. Só faltava a cordinha vermelha, que, pensando bem, estava lá, extremamente invisível!

Havia o mesmo paralelo entre o jardim dos sonhos da minha avó e o quintal com goiabeira e mamoeiro. Mas para escrever sobre esses dois espaços tenho de pegar novo fôlego.

Ginguba disse...

Eu tinha uma Avó-museu e uma Avó-avó!
Folego para o quintal para breve, tá?
:D