quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Aprofundando

Tive de desmontar casas algumas dez vezes, ou mais. Por mudança de apartamento, cidade, país, continente, luto, casamento. A quantidade de coisas que vão para o lixo a cada desmontagem é impressionante.

Não sei se será por isso que não gosto de coisas. Por mim, tinha aí três ou quatro mudas de roupa para cada um de nós, o anjinho da minha avó, uma boneca que a minha mãe me fez, a primeira roupa do Gabriel, duas colchas que, pelo seu valor emocional, não me posso desfazer delas, as cartas dos meus avós, a camisola de baptismo do Hugo e mais nada. Mais nada além do equipamento necessário à casa.

Seria tudo mais simples, mais fácil, mais fluido.

8 comentários:

Naná disse...

Acredito que tantas mudanças tornam a pessoa muito mais desprendida dos bens materiais!
Eu sou daquelas lamechas que guarda tudo e mais alguma que tenha valor sentimental...

Ana C. disse...

Não estás sozinha nessa loucura. Cada vez mais, odeio profundamente acumular coisas. Odeio.

gralha disse...

Vou aqui contar um segredo muito baixinho: tremo ao pensar no que me espera quando tiver de tratar das coisas que os outros deixarão. É que eu não guardo nada, mas não podemos pedir o mesmo às gerações antecedentes dos múltiplos ramos da família.

Melissinha disse...

Não há nada que eu odeie tanto quanto coisas com "valor emocional". Uma prisão tremenda.

Melissinha disse...

Mas voa tudo na mesma. É tralha e congestiona o fluxo energético da casa (isto não é a gozar, não sei é uma maneira mais terra-a-terra de dizer o mesmo).

Hoje mesmo veio a tal pasta do infantário do Gabriel com 400 desenhos lá dentro. Vou escolher dois.

Miguel disse...

Com eu te entendo! Mas, como é fácil de ver pelo meu blog Asas para voar! também não sou um "recolector"! Aliás, cada vez mais sou desprendido de objectos que são apenas isso, objectos!
Agora tento não deitar nada fora: opto por vender barato (há sempre alguém que compra!) ou então caridade.
Parto para Lausanne com pouco mais do que o que cabe numa mala de viagem...

Melissinha disse...

Miguel, eu dantes vendia tudo, tudo mesmo (até as vitaminas da gravidez que não tomei) mas ultimamente tenho tido tanta pressa de desbloquear espaço que simplesmente meto tudo na rua. É Natal para quem encontra.

arleqvino disse...

..sim, deitem tudo fora, tudo nuzinho inclusive.. se forem livros deitem aos meus pés que eu recolho.. :}