domingo, 4 de outubro de 2009

Amigas que não querem entrar em modo POVOAR

Há dois posts publiquei a carta da Bailarina com conselhos a uma amiga prestes a ter bebé, e hoje deu-me a mim vontade de falar com e sobre as minhas gajolas que escolheram não contribuir para a sobrepopulação mundial, e como estou a tentar ser uma tipa organizada e disciplinada, vou falar por tópicos. Yap.

1. As primeiras vão para as pessoas que franzem o sobrolho diante da opção que cada família faz para si como se se tivessem convertido ao satanismo - doravante, chamarei a essas pessoas "bimbos", para simplificar. Bimbos: essas famílias têm uma taxa de sucesso profissional e amorosa exactamente igual à das pessoas que povoam. O que os leva a não querer ter filhos é exactamente o que nos leva a nós a querê-los: é uma escolha. Faz parte de um projecto. Há tanta, tanta coisa coisa que se pode fazer com a própria vida além de se ter filhos, bimbos, que vocês ficariam admirados. E não são planos B: são planos A+, com prioridade máxima e cheios de emoção e liberdade.

2. Quem não quer ter filhos não o faz por serem monstros comedores de criancinhas. Dentre o meu grupo de amigos e amigas que não querem povoar estão as pessoas mais carinhosas com crianças que conheço, há inclusive uma educadora de infância. São muito mais delicadas e pacientes do que eu, que povoei.
(Já agora, ninguém é obrigado a gostar de fedelhos a saltar-nos para cima, como muitos bimbos costumam pensar.)

3. O tópico mais importante de todos, bimbos, e se quiserem não leiam mais nada mas por favor leiam isto: sabem como se sentem quando pessoas de fora sugerem, mesmo assim muito por alto, que estamos a fazer algo errado com os nossos filhos? Multipliquem isso algumas vezes e é como se sente um casal, especialmente a mulher, quando se lhe aponta um dedo por não quererem engravidar. É quase inevitável que ela fique com a ideia de que vocês, os bimbos, acham que há algo de intrinsecamente errado com a natureza dela, porque a maternidade está no campo da feminilidade, do íntimo do nosso corpo, da nossa vida/desempenho sexual. Tenho a certeza de que vocês não acham isso, e se acharem, tentem guardar essa alarvidade de pensamento para si próprios, porque magoa muito quando é posto cá fora. Se a ti, bimbo, disseram coisas como "não serás menos mãe porque não amamentas", ou porque isto ou por aquilo, e isso fez todo o sentido para ti, é muito natural que entendas que tal e qual opções não fazem uma mãe, um filho não faz uma mulher.

4. Deixando agora os bimbos e falando às minhas meninas que não querem povoar: há uma coisa que observo em quase todas vocês e que queria muito ver mudar: a pressão interna, a necessidade de se explicar a cada vez que alguém pergunta "e para quando os filhos, já te despachavas, não?" Isto faz-me lembrar um comportamento estúpido meu que não vem aqui para o caso e que me constrange a cada vez (mas para não ficar a pairar, digo rapidamente: o explicar timtim por timtim vezes sem conta porque estou tão gorda). Queria que todas vocês se sentissem em paz com a vossa decisão a ponto de falar tanto no assunto como eu falo dos motivos que me levaram a ter o meu filho (claro que sei que é utópico por causa da pressão dos bimbos, por isso, bimbos que conseguiram chegar até aqui, releiam o tópico sobre não dizer nada também.)

5. Uma das diferenças entre povoantes e não-povoantes é que a opção dos últimos é reversível. E aqui volto aos bimbos. Se um dia uma das minhas amigas decidir ter um bebé, se eu ouvir um "eh pá até que enfim", "com que então mudaste de ideias?" ou algo remotamente parecido ao pé de mim, enfio-vos as ventas para dentro.

7 comentários:

Carla Barroso disse...

ADOREI. Está tudo dito. Não é preciso acrescentar nem uma vírgula. Obrigada :) chuaaaaaaaaaaaaaac

Ana C. disse...

E agora que penso no assunto, o que teria toda a lógica do mundo seria os casais que não têm filhos perguntarem aos que decidiram ter:
E tu porque é que perdeste a cabeça e embarcaste nessa aventura meia chanfrada, alucinante e sem retorno que é ter um puto?

Melissinha disse...

haha eu engoliria em seco.

Ginguba disse...

Se houve coisa que a vida me ensinou foi a não ser essa "bimba"!
Tento sempre respeitar as escolhas de cada um, esperando que tanbém respeitem as minhas.
Gostei do conceito do plano A+, Melissinha. O de maior eficiência energética, não é?
:)

Pekala disse...

MUITO MUITO MUITO BEM!!!!!PALMINHAS PRA MELISSINHA!!!

Sofia disse...

LOOOL
Não podia concordar mais contigo.
Bjos

Marta Mourão disse...

Apoiadíssimo!