sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Café do Manel hoje de manhã

Malta dividida entre:

- Não sou funcionário público, portanto nada disto me atinge e
- Sempre vivi com menos de mil euros, essa malta que aprenda a trabalhar, mas é.

Fico muito triste ao ouvir este tipo de coisas. Esta é a minha casa, este é o povo que me acolheu há mais de 20 anos, é nesta cultura que eu me encontro e com que me identifico. Mas nunca com o espírito de querer nivelar tudo por baixo, tudo na falta absoluta de sonhos e planos, do medo de sonhar com uma vida melhor.

E se é assim que a maioria pensa, temo pelos anos que se seguem neste atoleiro espiritual, temo pelo futuro do meu filho. Mas esta é uma família portuguesa e é aqui que o futuro vai acontecer, de qualquer jeito.

E ser infeliz não é uma opção válida, com mil desculpas aos fãs dos baldes de merda. Há N meses em que ganho bem menos de mil euros, ou não ganho nada de todo. E continuo a achar mil euros uma miséria. Recuso-me a não achar. Não é por viver com quaisquer três tustos (porque vivo) que vou deixar de achar.

E a quem não é funcionário público e por isso está-se a cagar, é esperar ver a desolação dos seus professores, médicos, etc a ver se a sua vidinha não é afectada. Mais empatia, senhores.

7 comentários:

Ana C. disse...

Odeio esse tipo de comentários, odeio profundamente. Como se 1000 euros fossem rios de dinheiro.
E tenho boas notícias para essa malta:
Os privados falam já em cortar nos subsídios. E agora?

Sofia disse...

O problema é que as pessoas ainda não perceberam que os subsídios no privado não estão seguros. Isto foram medidas de diminuição da despesa (q eram as críticas que andavam a receber, TSU e o facto de aumentarem as receitas via aumento de impostos e não diminuirem a despesa), mas "mark my words": entre Janeiro e Março vai ser anunciado o mesmo corte nos subsídios do privado. Quem ainda não viu isto é cego.
Bjs

Melissinha disse...

Temos é de viver todos atolados porque a maioria vive atolada e a maioria atolada parece que em vez de querer tirar o pé da lama, não, quer é companhia para o charco.

É bárbaro.

Marina disse...

Não atinge quem não é funcionário público? Não será bem assim, uma vez que o privado se tabela pelo público... Que medidas achas que tomarão as empresas privadas? Iguais ou ainda piores.

Melissinha disse...

a questão nem é essa, é a falta absoluta de empatia. Mesmo se estivesse mais que garantido que os privados não sofreriam, não se podem indignar pelos funcionários públicos?

gralha disse...

Esta falta de empatia roça o autismo: se eu fingir que isto não tem nada a ver comigo, pode ser que não me afecte.
Não desistas de nós que eu também não. Se a única coisa que podemos fazer é dar exemplos de coragem, optimismo e empatia, fazemos isso - pode ser que seja um bocadinho contagioso.

Pekala disse...

eu não acho que mil euros sejam uma fortuna,não acho mesmo e olha que ganho apenas metade disto,estou longe de chegar aos mil.a minha empresa,que é privada sempre se regeu pela função p+ublica pró que lhes dava jeito e pelo privado quando não dava.sinto empatia sim,como não???mas também fico profundamente fodida quando continuo a ver tanta gente a viver do subsídio,tanto funcionário sem fazer um cu,tanta gente que se queixa que não consegue arranjar emprego mas não aceitam um trabalho num call center ou a servir às mesas porque "não foi pra isto que eu andei a estudar",oh poupem-me a esses seres iluminados que lá porque tiraram um cursozeco qualquer se acham superiores a um mero empregado de mesa ou a uma senhora que faz limpezas,enquanto não arranjam nada na sua área é preciso ganahr dinheiro certo????portanto é TRABALHAR,trabalhar e indignarmo-nos sim e reclamar e fazermos uso dos nossos direitos mas não fiquem para ali a queixar-se encostados à poltrona da mãmã e do papá,TRABALHEM!!!!!!