quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Reflexão pequenina sobre a amiga fome

Se há um conselho que não entendo muito bem em dietética e nutrição para a perda de peso é o de não se permitir ter fome. Incentiva-se as pessoas a andarem o dia inteiro a gelatina diet e a chá, ou a rodelas de cenoura ou o diabo para ir controlando a tal "fome", que a maioria das vezes nem fome é.

Acho que é um conselho meio tiro-no-pé, ou melhor, dois tiros, um em cada pé: primeiro, aumenta-se o medo de um impulso perfeitamente natural e ÚTIL. Acho que o que nos engordou como sociedade foi justamente o se esquecer do que é fome e ir comendo por força do hábito (horário das refeições) ou das vontades. Acho que, sem reconhecer a fome, também não reconhecemos a saciedade. Deixamos de reconhecer dois sinais reguladores importantíssimos. E mais falaria, mas não. E este é o primeiro tiro no pé.

O tiro no outro pé é não permitir que o que quer que não seja fome verdadeira seja reconhecido - ansiedade, depressão, tristeza, vazio - porque, aí está, pomos um muro de rodelas de cenoura e gelatina diante de nós. Se não nos permitimos saber o que é fome, além de não sabermos o que é saciedade não vamos saber o que NÃO é fome. E seguimos assim, tapando fomes de coisas que não são comida com comida. Bum, lá se foi o outro pé.

Fome não é enxaqueca, fome suporta-se bem. E fome acaba quando se come. Se a fome não acabar quando se come, é porque não era fome e isso tem de ser resolvido (ou saciado :)) de outra forma. Mas, para se saber destas coisas e conhecer-se a esse nível, é preciso estar-se aberto a encarar o ratito de frente.

5 comentários:

Rita disse...

Hum... deixaste-me a pensar...

Melissinha disse...

Isso é sempre bom :)

Rita disse...

Sabes o que me parece? As pessoas não estão habituadas a fazer sacrificios. Tudo se quer sem esforço. Coisa que se tem demarcado muito nos ultimos anos. Por algum motivo estamos no estado em que estamos actualmente.

Fazendo a analogia disto que acabei de dizer com o que tu falas sobre as dietas alimentares... faz-me todo o sentido! Porque no fundo é a mesma coisa!

Costinhas disse...

eu sei que não comento muito, mas este post foi tão para além da comida que não tenho como deixar passar sem perguntar: posso assinar por baixo?

Melissinha disse...

Eu acho que cada vez mais somos intolerantes a qualquer tipo de sofrimento, e pusemos a fome como sofrimento. É parvinho, porque não vivemos no meio da selva: se tivermos fome, há comida à disposição. Basta não esperar para morrer de fome, porque aí sim, comemos muito para além da dita cuja.