terça-feira, 30 de abril de 2013

Rapidíssima sobre a nossa vida

"Estás sempre a fazer coisas", dizem-me. Provavelmente é verdade. Nós não somos nem nunca fomos caseiros, gostamos de rua e gosto de mostrar o que faço - alguns podem achar que sou uma vaidosona oversharer, e é capaz de ser verdade, mas a partilha é mesmo para a malta que me ama lá fora e que às vezes se aflige por estarmos aqui meio "largados". Mas adiante.

Outra coisa que ouço muito é: "de onde tiram tempo para passear, cozinhar cenas que nunca vi na vida, ler, ver filmes, ir ao ginásio e aquelas coisas todas?".
A resposta é simples: da arrumação da casa e demais tarefas domésticas.Vivemos em serviços mínimos e, de vez em quando - muito de vez em quando -, baixa um santo e esfregamos tudo em não mais do que uma hora febril.

E pronto, é isto. Sempre que alguém me diz que não tem tempo para nada, respondo mentalmente para cagar na casa e ir para a rua. Fogo, há tanta coisa na rua para tão poucas horas.

(Sim, eu sei. Não é para todo mundo).

(Acho que já escrevi este post. Não faz mal. A Gralha inspirou-me a reescrevê-lo. Ou a Gralha ou a dormência dos neurónios. Caramba, mas em mais de mil posts, o que me falta dizer?)

13 comentários:

Ana C. disse...

Eu fiz isso com a merda da roupa para passar a ferro e a qualidade de vida que ganhei foi surpreendente. Juro, devia haver um grupo de apoio para malta que decide que gastar tempo a esfregar vidros e passar lençóis é obrigatório à condição humana.

Ana C. disse...

Mas também gosto de virar os armários ao contrário e dar-lhes lixívia, esfregar aquela mancha preta atrás da sanita, ou subir às bancas e atacar a parte de cima dos armários da cozinha. De vez em quando, mas só muito de vez em quando :)

Carla R. disse...

Exacto. Tem que se fazer rapidamente um brainstorming e descobrir de onde vem a mania das limpezas e arrumações, depois cortar o mal pela raiz e mostrar o caminho da liberdade à humanidade.
Estou agora com uma imagem a preto e branco de pombas brancas a serem libertadas e a voar, a voar. Uma voz off em sueco, claro.

Melissinha disse...

Acho que ouvi esse off sueco quando me casei!

gralha disse...

Eu não percebo o pessoal que diz que não tem tempo, a sério. Bem sei que tenho o supremo luxo de só trabalhar 7 horas por dia e de dormir 8, mas 9 horas dá para muita coisa. Até para limpar a casa de vez em quando.
Carla, o meu brainstorming em 30 segundos diz-me que é de gerações e gerações de mulheres a valorizarem-se pelo aprumo dos seus lares. E pela fofura do seu pão-de-ló (nos vários sentidos possíveis).

Melissinha disse...

Também não entendo muito a cena da falta de tempo. Costuma ser um problema de priorização, isso sim.

Melissinha disse...

A mania das limpezas, acho eu, vem de emparelhar vem de emparelhar a limpeza interior com a da casa e a limpeza da casa com o valor da mulher.

Naná disse...

Sempre roubei tempo às arrumações. Não sou sequer de "limpezas de primavera".
graças à Ana C. deixei de perder horas úteis do meu dia a engomar e ganhei tanto, mas tanto. No entanto, e apesar de ter realinhado os chacras das prioridades, entendo que a minha jornada laboral é um sério obstáculo!

Julieta disse...

Ó Melissa desculpa lá...mas a falara de tempo é uma coisa bem real! real, dolorosa e desgastante. E tb nao sou escrava da casa!

Julieta disse...

Era falta de tempo que queria escrever, claro.

Melissinha disse...

Não sei, Julieta. Queixei-me durante tanto tempo de não ter tempo para nada que me obriguei a criá-lo. Acho que dá para criar tempo quando o tempo falta, seja por reorganização das prioridades ou por redistribuição de obrigações pela família.

E claro, uma boa capacidade de discernir o que é realmente importante (até pode ser limpar a casa).

Julieta disse...

No meu caso era mesmo virar a vida do avesso. Talvez seja mesmo isso.

Melissinha disse...

Força nisso, julieta!!!