terça-feira, 17 de julho de 2012

A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte*

Acho que nunca o disse em voz alta, mas os nossos fins de semana são fantásticos. Não somos nada caseiros, gostamos é de passear e tenho um talento natural para encontrar coisas interessantes - e gratuitas - para se fazer. Pelos nossos álbuns de fotografias, ninguém diz com quanto se vive nesta casa: estamos sempre no meio do mundo, em sítios muito bonitos (a maioria num raio de poucos quilómetros de casa).

Estico bem o dinheiro, tive - e abandonei, como tudo - um blog de vida a baixo custo. Sempre fui assim, baratucha e meio forreta, houvesse ou não necessidade. Acho que boa gestão de recursos é uma questão de bom senso, e não de condição financeira.

Mas, seis leitores, no dia em que me virem confundir boa gestão de recursos com conformismo e gabar a falta de dinheiro como virtude, parem-me na rua e dêem-me dois estalos para me lembrar de que merecemos o máximo pelo nosso tempo e o nosso esforço, e que há mais fomes e mais sedes do que de comida e água. Que ninguém devia precisar de ser criativo.

Divirto-me horrores na na minha própria cidade, mas Deus, não me faças esquecer de que também mereço Nova Iorque.

*"Comida", dos Titãs - claro. É do tempo da nossa crise (brasileira - sim, já vou na segunda), mas a malta desta crise devia ouvi-la em loop.


12 comentários:

Silvina disse...

Também me faz espécie esse achar que assim já se está muito bem e que tudo o resto são luxos... mereces New York (ou Paris, porque não?!), olha eu contento-me com Bali.
Bisou*

Silvina disse...

Ah, e esse blog da poupança merecia continuação!!!

Susie disse...

A conversa do "pobrete e alegrete" é deprimente mesmo...

Julia disse...

Amém!!

Melissinha disse...

Não consigo antever nada de bom para um povo que acha que se está bem na pobreza. Bom, pelo menos estão a agir em conformidade com o que o Governo pede.

Costinhas disse...

assino por baixo

angela disse...

Meu Deus, concordo tanto!

Chateia-me tanto que as pessoas nivelem por baixo e que gostem de esfregar na cara dos outros as misérias e sacrifícios próprios.

Chateia-me - quase - tanto como ver esfregar na cara dos outros as riquezas e luxos.
É que são ambos tão patetas: há sempre alguém mais pobre e desgraçado assim como há sempre alguém bem melhor do que nós.

Ginguba disse...

Pois Melissa, o conformismo a mim também me faz confusão. Odeio a passividade das pessoas a verem o empobrecimento deste país. Mas na verdade não sei o que fazer à raiva que sinto! Tenho dias que quero invadir Lisboa com pás e picaretas, tenho outros que quero emigrar, mas no fim do dia não faço nada...

Melissinha disse...

Invade sim, Ginguba, eu junto-me a ti com uma vassoura :)

Fora de brincadeiras, acho de uma limitação profunda achar que, já que se vive com dois tustos, que nos contentemos com os dois tustos. Isso e fazer mira aos inimigos errados: RSI, funcionários públicos, qualquer pessoa que ganhe um pouco melhor, mesmo que ainda muito pouco.

É um desperdício de energia considerável que beneficia bastante os verdadeiros inimigos - digo eu. Gosto muito de acabar comentários com "digo eu". É parvo.

Ana C. disse...

Eu estou com a Angela. Acho altamente enervante quem nivela por baixo, achando fixe não sair do seu próprio bairro, agoirando quem sai e quem vive iludido com Nova Iorque, quando ainda pode visitar muita europa pelo caminho :)

Melissinha disse...

A malta dos enaltecimentos vários dá-me sempre a impressão de que é tudo novo - seja o dinheiro ou a falta dele. Tudo é deslumbrante.

ouvirdizer disse...

Esta semana li num jornal entrevista com jovem licenciada desempregada cujo lema de vida é: quem tudo quer tudo perde....
Sim, filha, não queiras tudo para não o perderes, o melhor é não fazeres nada... isto é tão à tuga... "Se eu for humilde deus ajuda-me porque sou tão boazinha...".
Ai o caneco...