terça-feira, 31 de julho de 2012

O presente é virtual

E o nosso videoclube, programa quase certo dos fins de tarde de sexta-feira, vai fechar. As discussões com o Hugo sobre se levamos o filme-cabeça dele ou a minha comédia romântica, o impedir que o Gabriel tire todos os DVD infantis do sítio, o calcular que filmes e quantos dias tínhamos para aproveitar as promoções... Hoje, a viagem de volta do videoclube até casa foi feita em silêncio.

Nós dissemos bravamente que nunca alugaremos nenhum filme na ZON, mas claro que não é assim. Claro que alugaremos, porque não há opção. Mas não deixamos de lamentar que cada vez mais as coisas que nos tiram de casa se vão apagando. Estamos, lentamente, a ficar sem opções de consumo fora de casa (ou dos telemóveis). Não duvido que ontem foram as pequenas livrarias e lojinhas, hoje foi o meu videoclube e amanhã será a Fnac. Para quê uma Fnac física quando ela pode estar no nosso sofá? 

Não tenho nada mais além de um chorrilho de clichés para disparar, por isso, fico por aqui, de luto pelo videoclube, que foi uma coisa que vi nascer e morrer em 30 anos (os primeiros chegaram tarde à minha cidade). 

Vai fazer-nos muita falta.

13 comentários:

Ana C. disse...

Sinto precisamente o mesmo em relação ao minúsculo videoclube desta aldeola. Existia e sobrevivia há anos e anos. Os donos ofereciam sempre sugestões não solicitadas e estava aberto quase até à meia noite. Morro de saudades.

Melissinha disse...

Parece ridículo, mas está mesmo a custar-nos. Hoje percorri os últimos filmes que classifiquei no Flixter e aí uns 80% vieram do videoclube. Ele resistiu à chegada e assistiu à queda do Blockbuster a poucos metros. Achávamos que nada o derrubaria.

Que pareça ridículo, mas estamos mesmo tristes.

Melissinha disse...

São os sinais dos tempos e a gente lá se vai adaptando, mas este chegou cedo de mais para nós.

Té F. disse...

O teu fechou mas ainda podes vir ao meu! A não ser que o teu e o meu seja o mesmo...pois!
Acho que não, acho que o "meu" continua a funcionar (não vou lá há imenso tempo) mas depois posso confirmar-te isso.

Melissinha disse...

Conta-me tudo, Té!

Melissinha disse...

O meu era aquele ao pé da Repsol... Não conheço mais nenhum na zona.

Té F. disse...

Para cima, mais para cima, muito mais para cima :) Tás a ver!

Té F. disse...

Agora a coisa não correu bem...ia enviar o local exacto por email e afinal não descubro o teu contacto aqui no blogue!!!

Naná disse...

Toda a pequena economia de bairro está moribunda.
Às vezes lembro-me das pequenas mercearias e das saudades que tenho delas no meu bairro.
Eram centros de convívio, de reunião e de união da comunidade que se vão apagando lentamente com todos os progressos e comodismos tecnológicos.

gralha disse...

Melissa, vê isto como um chamamento divino: vai à Junta de Freguesia e crava-lhes um espaço para passarem vídeos alugados para o pessoal que quiser aparecer. Tu vais ser a Laurodérmia do bairro! O pessoal vai juntar-se, conhecer-se, discutir os filmes. As crianças brincarão nas traseiras, vigiadas por alguém sorteado rotativamente. Caramba, estou quase a mudar-me para aí, só de imaginar!

Melissinha disse...

Té, manda-me para o melissa26401@yahoo.com. De lá, dou-te o meu mail principal. Obrigada!

Melissinha disse...

Gralha, graças a Deus já temos um cineclube aqui no burgo, está a dar os primeiros passos - passa filmes ao ar livre num drive-in abandonado, coisa mais romântica não há. É o "cine oceano".

Mas não sou mulher de organizar nada, sou das de apoiar :) só queria o videoclube. Mas acho que a Té vai hook me up.

Té F. disse...

Enviado!
;)