quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dois dias depois

Ele já dá arrisca uns passinhos e já diz "olá" (aiá!), ou seja, vou escrever um manifesto sobre como me estou a cagar por praticamente não ter trabalho ou dinheiro, a ver se... enfim.

(Hoje passei o dia depressiva, a sentir-me mal fisicamente por N motivos diferentes, cada um mais escabroso e dark do que o outro. Dei por mim a formular pensamentos de fundo de poço. Não sei bem o que me deu, mas foi uma noção de frustração e falhanço como nunca tinha experimentado na vida - não estou a exagerar. Lamentei-me de várias coisas, inclusive de ter decidido engravidar no meio de tanta instabilidade.
Estava mesmo na merda, portanto.
Arrastei-me para o ir buscar à creche, e lá estava ele na relva com um chapéu três vezes maior do que a própria cabeça a bater palmas e a rir-se, e então reparei que estavam 25 graus e que isso por si só solucionava tudo, ou pelo menos solucionava tudo por ora. Fomos para o parque e rebolámos na relva, e sujámo-nos, e comemos iogurtes, e fomos ver os comboios e apanhar o pai, e sim, continuo com um travo amargo cá dentro de sei lá o quê, mas... Estão 25 graus e o Gabriel adora isso.)

15 comentários:

Aline disse...

O teu post é triste mas acaba positivamente e afinal, são os nossos filhos que nos fazem dar a volta por cima e relativizar os problemas. Não que eles não existam mas que tudo acaba por ter solução.
Beijinhos

Precis Almana disse...

Mariinha
Por partes:
- o tempo ajuda imenso, a Primavera é anti-depressiva e vais ver que amanhã é outro dia e vais sentir-te muito mellhor;

- não há estabilidade, ninguém tem, nem quem pensa que tem; eu já tive um contrato sem termo numa empresa que ainda hoje paga bem e dá benefícios que nunca mais acabam ao trabalhador. E porque manifestei desagrado mais do que uma vez e outras razões que um dia te posso explicar melhor, fui convidada a sair. Agora o que está a dar é o equilíbrio dentro de alguma instabilidade e fazermos por saber várias coisas para podermos sobreviver e arranjar trabalho (raramente sinónimo de emprego). No fim do percurso, vale a pena. E nunca faltará nada ao Gabriel, se é isso que te preocupa, porque ele vai ser muito mais bem educado e preparado do que as crianças de pais ricos ou a fingir que o são, a quem se lhes dá tudo;
- queres que continue esta espécie de manifesto anti-depressão da Melissinha?

Precis Almana disse...

Melissinha! Desculpa! Vim de ler um comentário da Mariinha e fiz esta asneira - cansaço de fim de dia. Desculpa!

Melissinha disse...

Podes continuar, Precis, podes chamar-me até Hermínia, desde que consigas dar um xô neste estado de espírito.

Não sei ser assim.

Mie Ito disse...

"O meu olhar
(Alberto Caeiro)
(heterônimo de Fernando Pessoa)

O meu olhar é nítido como um girassol
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparesse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

Melissa, você fez uma linda família, tem um pai que te ama, protege e admira, um irmão afetuoso e milhões de amigos que te quer bem... viva isso... o resto vem sem ao menos esperar... creia na inocência do Gabi dando palpinhas prá ti... rindo, rebolando na relva e curta essa primavera intensamente nos belos parques de Lisboa ao lado da inocência do Gabi... és uma afortunada...

Bjs.

Ana C. disse...

Quando o mundo à minha volta deixa de fazer sentido gosto de esconder a cara na curva do pescoço da Alice e inspirar. É incrivel o poder curativo das crianças, principalmente quando são nossas...

gralha disse...

Espero que essa sensação passe depressa. Vem aí o Verão, que haja muitos dias de sol para nos amaciarem o espírito!

Melissinha disse...

Difícil.
Tá difícil.
Sou muito dramática e exagerada, porque no fundo sei que faço muitos filmes para dar cor à vida. Mas neste caso, não. Parece sério. Não sei articular bem.

Tenho medo de dores sérias, sempre tive, sempre me lixei a fugir delas.

Precis Almana disse...

Melissinha
O que eu ia continuar era começar a ir às condições objectivas que nos deixam preocupadas, quando as há (aquela história do trabalho e do dinheiro). Mas isso pode ser por mail. Quanto ao resto, o tempo está bom. E eu, não sei como, mas não choro nem estou triste há meses, senão anos, e por isso também acho que quando estiver é para me deitar a baixo mesmo... Mas sei como agir nessa altura.
Entretanto, além de ires buscar ao Gabi a inspiração de que a Ana C. fala, toma chá de hipericão (ou erva de s.joão), mas cuidado se tomares contraceptivos orais (o hipericão anula).

Melissinha disse...

Obrigada, Precis, bem, acho que se engravidasse agora passava três dias em franca crise de riso histérico, tal o sentido de humor de Deus!

Bem, hoje tirei a manhã para ouvir música - estou a ouvir música desde às 9h. Coisas da minha infância e adolescência. Já me sinto melhor.

Sou do tipo de pessoa que vê as crises de maneira criativa, procurando soluções. É muito esquisito para mim sentir-me mal por me sentir mal, sem fazer nada sobre isso. Sou muito intolerante com esses momentos. Também não gosto disso, queria sentir-me mais confortável - não muito - no baixo astral também.

Tenho de ter mais paciência comigo e com a minha vida.

Pekala disse...

XÔ XÔ XÔ XÔ XÔ!!!!!!DEIXA-TE DE MERDAS E BOLA PRA FRENTE QUE ATRÁS VEM GENTE,A ANDAR A ANDAR!!!!!

(beizinho com z)

m.a. disse...

Melissa, entendo cada palavrinha tua neste post, porque antes desta nova fase em que me encontro, andava exactamente assim e sentia-me a pior e mais insignificante das criaturas. Sei bem o que é tentar dar a volta aos nossos próprios fantasmas e de ver neles e nos motivos mais simples desta vida, a solução e salvação para o ânimo e a esperança regressarem a nós.
Estás no bom caminho. Não tarda nada tens um sol glorioso e a tempo inteiro a raiar sobre a tua cabeça :)
eu fico aqui a torcer os dedos e a fazer figas por ti. Beijo*

Ginguba disse...

Melissa, sabes que quando te leio assim me apetece abraçar-te?
Não sei que dizer...
Fica bem
Beijo

Melissinha disse...

Isto passa!

Marina disse...

Já viste? Devias ter "cagado" antes. Ias ver que agora até já nem fralda usava! lol Beijo