segunda-feira, 19 de abril de 2010

Jogos de azar

Quando se é novo a vida é mesmo uma maravilha e tudo acaba por se resolver da forma mais simplista possível.
Quando éramos petizes as disputas eram normalmente resolvidas através dum método infalível e nunca questionável que, pelo menos a mim, deixou-me algumas saudades e marcas, especialmente porque perdia sempre. Falo do Par ou Ímpar que, embora parecesse um jogo inocente, era bem mais do que isso. O Par ou Ímpar era, por assim dizer, o grande juiz das contendas infantis. Sempre que havia uma disputa e a coisa ficava presa por algum motivo, o problema resolvia-se através deste joguinho. As regras eram simples; mãos atrás das costas, cada jogador apostava no par ou no ímpar, contava-se até três e depois colocavam-se as mãos à frente com o número de dedos levantados que se desejasse. Somavam-se os dedos válidos dos dois jogadores e mediante o resultado ganhava o que nele tivesse apostado.
Foi através deste sistema que muitas Playboys foram compradas devido à reticência dos putos em pedir a revista ao vendedor. Claro que havia razões para que ninguém lá querer entrar. Ou era o pai dum que conhecia o irmão do dono ou então a mãe de outro que era professora da filha. Portanto, devido ao congelamento de opções, só havia uma forma de acabar com a cagufa:
- Par ou ímpar?
Isto era usado para muitos fins, desde quem ia à baliza a quem levava a bola ou mesmo quem apresentava um trabalho escolar.
O mundo deveria permanecer inocente em muitos aspectos das nossas vidas. Especialmente quando o nosso filho começasse a berrar no berço e, em vez de ficarmos para ali a fingir estar a dormir ou mesmo ressonar, fossemos logo directos ao assunto :
- Vá, par ou ímpar?

3 comentários:

Melissinha disse...

NÃ COMENTO.

Maria disse...

Realmente era tudo bem mais fácil!

:)

Sofia disse...

LOOOOL
Olha que bela ideia!