domingo, 24 de julho de 2011

Um post cheio de julgamento

Se se provar que um familiar directo - digamos um filho - tenha um comportamento que ponha em risco a sua própria vida, não podemos requerer uma espécie de custódia legal dessa pessoa? Para, por exemplo, interná-la ou trancá-la a sete chaves?

Isso não existe? Ou, não existindo, não se justifica?

Nunca entendi, ao longo dos anos, a mãe da Amy dizer repetidas vezes que não sabia se a filha ia aguentar. Mas que raio?

Os filhos trilham o seu próprio caminho e chegam onde têm de chegar pelo seu próprio pé e não estou a dizer que a culpa foi da pobre mãe, mas caneco, às vezes temos de descer da bancada. "Não saber se o filho aguenta" não me entra na cabeça. Espero não ofender quem tenha familiares com problemas de drogas e álcool, mas é que não me entra na cabeça mesmo. Não sou ingénua a ponto de pensar que bons pais tiram filhos da droga e maus pais, não, mas bons pais dão mesmo muita luta. Perdem os filhos, mas perdem os filhos depois de terem feito o possível e o impossível, das tripas, coração.

Só desistem depois de muita guerra. Muita guerra. De morrer lutando, mesmo.

17 comentários:

Joanissima disse...

O pior destas pessoas é que não são mesmo ajudaveis. Sentem-se os maiores e nem dão conta do quanto aleijam os que os amam.
Em termos de doença mental, a pessoa pode ser internada compulsivamente se representar perigo para outrem ou para ela mesma. Mas, ainda que o internamento compulsivo seja uma possibilidade, muitas e muitas vezes o amor, a super protecção acabam por cegar o (que para nós, pessoas de fora é) óbvio.

Amar demais mata.

Melissinha disse...

Já vi pais trancarem os filhos por meses a fio, Joanão. E irem buscá-los a infernos vezes sem conta. E darem cabo das suas próprias vidas ao fazê-lo.

Alguns chegaram a bom porto, outros não, mas deram sempre uma luta do caraças pelos seus.

inesn disse...

Pode-se internar uma pessoa compulsivamente mas se ela não quiser ser tratada não vale de nada...

Há milhões de famílias por esse mundo fora a chorar os seus filhos que, à conta dos caminhos da droga, nunca regressaram a casa.

não podemos mesmo julgar..

Melissinha disse...

Imagino a minha mãe e o meu pai a trancarem-me em casa também. E a mudar de cidade, ou de país. Já vi acontecer, como disse, com resultados vários - alguns conseguiram ajudar os filhos, outros só dificultaram a queda do mesmo. E também já vi pais que assumiram a impotência demasiado depressa para o meu gosto (bah, é um post cheio de julgamento, mais vale dizer mesmo o que penso).

Há muita luta a dar antes da complacência, e não sei se foi esse o caso da mãe da Amy, mas é o caso de muita gente. Imagino que a maioria dos toxicodependentes não são filhos de pais extremosos. Atenção ao "maioria".

Há que dificultar a queda, caramba. Se não há resgate possível, há que pelo menos dificultar a queda.

Mariana disse...

Oh pá, não sei. Sinceramente não sei. Fazer o quê? A criatura tinha muito pouca vontade de viver, o que é que uma mãe pode fazer acerca disso?

A Mãe babada disse...

a

A Mãe babada disse...

Não sabes o ke dizes e pede todos os dias a Deus se tiveres filhos ke n caiam na droga, pk das drogas pesadas n são os bons nem maus pais ke os tiram disso, mas sim os proprios quando conseguem perceber ke vão morrer ..
e claro ke ja se sabe ke nos blogs todas são mães perfeitas e ainda melhor tb são filhas de mães perfeitas.. ai valha-me Deus ke a perfeição está toda a net e a merda anda toda lá fora sem ligação à web lol

Melissinha disse...

Sei lá, Mariana, mas a complacência dum "receio que ela não sobreviva" é algo que não engulo. Não consigo engolir. Claro que não estava nas mãos de ninguém, mas terá toda a gente que a amava feito tudo?

Melissinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Melissinha disse...

Mãe Babada, se o meu filho um dia cair na droga, até pode morrer num beco escuro, mas da minha boca não sairá "receio que ele não sobreviva". Se isso é a perfeição? Que fixe, pensei que fosse mais difícil.

(Em tempo: sei o que é um vício por dentro, sim).

Apaguei porque "adição" não se diz em Pt.

Melissinha disse...

Para resumir o que penso, assim paft-puft: há pais que vão buscar os filhos ao Casal Ventoso vezes sem conta e há pais que não o fazem. Os resultados são iguais, porque vai sempre depender da pessoa.

Mas se acho os primeiros melhores do que os segundos? IN.FI.NI.TA.MEN.TE.

Maffa disse...

Apoiado! dizer publicamente que receia q a filha sobreviva?? credo que mäe ranhosa... Deve ser das lutas mais dificeis do mundo e tenho aprendido que pouco posso falar do que nunca vivi... mas concordo com o facto que há pais e PAIS... daqueles que lutam até ao fim, e väo à loucura para tentar salvar os filhos...

Irina A. disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Irina A. disse...

Concordo plenamente contigo, Mel.
Também sou mãe e não sei para o que estou guardada, mas da minha boca nunca ninguém me irá ouvir dizer que desisti da minha filha, seja em que situação for.

Mãe babada, acho que isto não se trata de perfeição, trata-se de amor. Acho que uma mãe que ame os seus filhos nunca aceitará uma adição, seja ela de que tipo for.
Eu não sendo perfeita, mas fazendo parte também deste mundo virtual, lutaria até ao fim dos meus dias pela minha filha. E se quer saber, acho que um pai ou uma mãe que não o faz, são realmente uma merda de pais.

Irina A. disse...

Estive aqui a pensar se o deveria escrever ou não, mas também não vejo o porquê de não escrever.

Mãe babada, ainda sobre este seu comentário "A criatura tinha muito pouca vontade de viver, o que é que uma mãe pode fazer acerca disso?", posso dizer-lhe o seguinte: tenho um primo que se meteu no mundo da droga aos 20 anos, o meu pai meteu uma licença sem vencimento, agarrou nele, trancou-o dentro de casa e esteve 2 semanas sem sair à rua para ele ressacar da droga. 2 semanas depois, o meu primo fugiu. O meu pai encontrou-o e voltou a levá-lo para casa.

O amor era grande, era enorme, o amor por ele era tão grande como o tamanho do desespero de o querer ajudar e não saber se ia conseguir. Mas todos juntos conseguimos.

Hoje o meu primo tem 40 anos, uma família, dois filhos e uma profissão. Há dois anos os meus pais foram padrinhos de casamento dele, no dia do casamento ele agradeceu ao meu pai por nunca ter desistido dele.

Não lhe estou a contar a história de um miúdo que fumava erva, estou a contar-lhe a história de um rapaz que consumia tudo o que existia no mercado, que roubou, que assaltou, que arrancou o cobre das torneiras de casa para vender e arranjar dinheiro para consumir drogas, por isso, como pode ver, podemos sempre fazer alguma coisa, só é preciso ter vontade e amor.

gralha disse...

OK. Compreendi. Concordo. Tudo menos baixar os braços.

Naná disse...

Melissinha, não podia estar mais de acordo! pais que são pais, fazem tudo para ajudar os seus filhos!