sábado, 23 de junho de 2012

Leitura em duas fases

Comecei a ler Holy Cow quando o meu pai e o meu irmão o trouxeram de sua viagem à Índia, aí há coisa de dois anos, e passei cerca de 100 páginas às gargalhadas, fosse em casa, na rua, nos cafés, no metro e até mesmo quando não estava a ler - bastava lembrar-me de qualquer coisa. Nunca tinha lido - nem nunca li - nada tão engraçado quanto o começo da vida da Sarah, uma tipa como qualquer uma de nós, vai viver para a Índia com o marido. Ela é cáustica, impaciente e vai relatando tudo aquilo que eu própria suspeito da Índia sem nunca ter lá metido os pés.

E aí o livro desapareceu durante mais de um ano e voltou às minhas mãos. Lembrava-me mais ou menos de onde estava e continuei a ler.

A transformação, ou melhor, a "rendição" da Sarah é algo bonito de se ler. Percebendo que terá mesmo de ficar ali, decide tirar o máximo de partido da estada e embarca numa viagem de descoberta de todas as religiões e grupos. Continuamos a rir, sim, e muito (o Hugo que o diga), mas aqui a ternura e a compaixão são bem maiores e, mesmo das situações mais estranhas, a protagonista consegue aprender coisas e crescer. Além dos N tipos de hindus, passa algum tempo com muçulmanos de Kashmir, budistas, judeus indianos... E ainda há muito mais por vir, pois mal passei da metade do livro.

Uma leitura muito gostosa e, para mim, esclarecedora, pois fazia uma confusão de todo o tamanho com as espiritualidades daquelas bandas. Seis leitoras, se as meninas lêem bem em inglês, encomendem uma cópia usada à Amazon, vai-vos sair por três ou quatro eurinhos.

11 comentários:

Ana C. disse...

Nunca entendi o mito construído em redor da Índia. Agora está na moda adorar a Índia e eu adoraria saber porquê.
Não me chama nem um bocadinho. Associo a miséria extrema, cheiro a merda no ganges e miséria extrema. Ah! E miséria. Sim, deve ter locais de rara beleza, mas com tanta miséria, nem conseguiria curtir a cena.
Já sei que sou redutora.
O livro deve ser bem giro, mas não há em tugês?

Ana C. disse...

Ela, muito provavelmente, vai começar a ver a beleza escondida atrás dos cagalhotos no Ganges, claro.

Melissinha disse...

Ela às tantas baixa a guarda, é muito interessante o que começa a acontecer. Continua vendo a dureza do sistema de castas, o materialismo e o supermercado de espiritualidade, mas consegue tirar de proveito de toda a viagem justamente quando baixa a guarda.

Moral da história: vale a pena pôr-se num ponto de não-julgamento de vez em quando.

(é o livro mais hilariante que já li).

Melissinha disse...

Sobre o Ganges, e embriagada no maior festival religioso de sempre, ela, num momento de absoluto transe, consegue tocar a água :)

Ana C. disse...

AHAHAHAHAHAHAHA, Quero ler!!!!

Ana C. disse...

Mergulha o mindinho.

Melissinha disse...

Tu ias adorar. Então o começo do livro é qualquer coisa de hilariante. O resto mantém a qualidade, mas o tom vai mudando com a própria gaja.

Adorei uma cena dela no Tibete, a tentar pôr uma lagarta na rua durante meia hora (porque budistas não matam), assim que consegue, passa um monge a meditar por ali e splaft.

Ah, e as assistentes de bordo indiana saem dos aviões antes dos passageiros hahahah

Naná disse...

Bem, então não devo ser só eu que acho que se construiu um mito em torno da Índia... sempre achei que é terra de muita miséria e pobreza e quando penso na questão das castas e dos casamentos arranjados... até me arrepio!

Outro país que também acho que tem muito mito em seu torno é Marrocos, pelas mesmas razões...

gralha disse...

Cê, já leste o The God of Small Things? Se não, vai ler. Ou só queres a fortuna toda que estás a ganhar a vender livros para comprar caramelos?

Melissinha disse...

O Deus das Pequenas Coisas está na minha lista to read há um século.

Ana disse...

Só o título já me convenceu!!.. :)