domingo, 10 de junho de 2012

O lado bom das novas partilhas e os novos desafios

Nos blogs, mergulhamos nos diários de outras pessoas e deixamos que penetrem nos nossos. Em vez de ilhazinhas perfumadas com cadeadinhos chineses - que muitas de nós ainda mantemos - criamos este espaço delicioso de perspetiva.
(Há uns dias li o meu diário de 1990, 91. Meu Deus, quanta dor, quanta revolta, quanta solidão e incompreensão por ali anda. Se eu tivesse Casacas, Joaníssimas, Anamês, Silvinas, Gralhas, Gingubas, Irinas e todas vocês a lerem e comentarem as minhas cacas na altura, teria sido uma adolescência bem mais fácil. Se o Gabriel for de expressão escrita como os pais, vou mostrar-lhe as maravilhas de ter um blog).

Já o Facebook condensa o meu mundo, que tem dois continentes, num só. Aproximou-me de gente que me é preciosa, apresentou-me outras. Permite-me dividir a vida com a minha família praticamente em tempo real, e só tenho a agradecer ao puto Zuckerberg por isso.
(Falo do principal, porque depois há a partilha de informação e cultura, que também me enriquecem, e a aparvalhação pura e dura que acalmam um pouco o isolamento de quem teletrabalha e para quem isso (isolamento) é um problema).

O desafio é não deixar que essas facilidades substituam o contato olho no olho. É difícil, pois algo que essas novas partilhas permitem é a gestão da socialização dentro do nosso próprio tempo e segundo as nossas próprias regras editoriais - o que não nos agrada, fica de fora, o que é impossível no contato humano direto. Não sei que influência esse poder de editar a vida terá na nossa capacidade de relacionamento no futuro. Desde que tenho o telefone esperto que me apanho muitas vezes a usá-lo enquanto estou com outras pessoas, que é coisa que detesto, mas o fascínio de ter as nossas próprias regras editoriais é enorme.

Enfim, agora podia aqui acabar com uma grande frase megatudo, do tipo "estamos a viver no limiar de um novo tipo de relações humanas, os nossos filhos que resolvam essas angústias fronteiriças", mas não vou dizer nada disso, vou mas é procurar uma TED talk que acho que todos nós devíamos ver.

Sim, eu sei, são vinte minutos. Duvido que, ao começar, parem de ver. Há coisas para todos. E vão fazer ouch algumas vezes.

5 comentários:

gralha disse...

Já estamos habituados a gerir tanta coisa ao mesmo tempo, não me faz confusão gerir diferentes espaços relacionais. Não se substituem, só acrescentam.

Ginguba disse...

É verdadeiramente extraordinário que uma pessoa como eu, cujo telemóvel recebe e faz chamadas e sms, não tem blog, e foge do facebook a sete pés, apareça num post teu junto com Ana C., Joaníssima, Ana., gralha, Silvina e Irina. Tens ideia de como me fizeste sentir importante?
Pudesse eu e hoje dava-te um abraço ao vivo e a cores!
I Love You, babe.

:)

Melissinha disse...

Gingubinha, és importante!

Melissinha disse...

Eu acho tudo muito promíscuo, Gralha. Acho que por enquanto as fronteiras até podem estar claras para muita gente, mas não tenho fé que seja por muito tempo.

quando tiveres tempo, vê a ted talk que pus aqui.

Naná disse...

Eu, ao contrário de ti, dou graças por não haver blogs nem FB na minha adolescência... porque assim como tu, o meu diario foi meu confidente e pude resolver tudo na minha cabeça, por mim mesma.
Claro que é sempre bom saber que há alguém com quem podemos partilhar a nossa dor e o nosso sofrimento, mas há partes deles que só doendo mesmo em solidão se resolvem! Falo por mim, claro!
Quanto à questão de estar olho no olho, sou fã da blogosfera e das redes sociais, mas nada equivale a uma tarde passadas na cavaqueira com as amigas! Ou a estar uma hora ao telefone com a minha bff do coração!