sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Post cheio de palavras nunca dantes usadas neste blog

Como quase tudo na minha vida, a Obesidade Mórbida também me separou de qualquer gosto em comprar roupa ou seja o que for. Estar bem arrumada foi perdendo a importância como tudo o resto, até se tornar pouco mais do que um isolante térmico no inverno e uma isolante de coxas coladas no verão. Camisolas cheias de nódoas e borbotos, calças a cair na pança, ténis de 2001, cabelo preso. Todos os dias, seja para que ocasião.

A minha nova obesidade (grau 1 a caminho do Excesso de Peso) trouxe a coragem de ir resgatando algumas das antigas fontes de prazer - e o facto de ter voltado a caber nas roupas da Zara e afins e não apenas da C&A ajudou bastante. Então no fim de semana passado fui comprar roupa, disposta só voltar às calças de ganga em caso de necessidade. Trouxe para casa algumas saias curtas, leggings, collants e camisolinhas básicas, um risco do caraças. E em casa pus-me a brincar: saia verde, camisola preta, collant azul. Collant azul, saia de ganga, camisola às riscas. E por aí além, sempre com o vaidoso Hugo todo contente a aprovar quase todos os looks. E eu estava lançada, cheia de peças intercomunicáveis. O inverno não ia ser um problema. Eu tinha coisas.

Não quer dizer que tenha jeito para as combinar.

Hoje debati-me, pela primeira vez em talvez sete anos, com o clássico "o que hei-de vestir hoje". Mais do que isso, troquei de roupa três vezes antes de sair de casa, optando por três peças de cores diferentes e uma quarta cor nas botas. Até aí, pouco grave. 

Foi quando me lembrei do casaco da Desigual no armário, à espera de ser estreado. O casaco mais espalhafatoso que podem imaginar, mas por que me apaixonei e que se lixasse, trouxe-o. 

Portanto, saí de casa com onze cores diferentes e nada intercomunicáveis. Olhei-me à porta do centro comercial e assustei-me. Minha nossa, como estava mal vestida. Como estou mal vestida. 

O que será pior: ver uma gorda colorida na rua, pirosa como ela só mas que visivelmente se empenhou na criação do boneco ou (não) ver uma gorda apagada cheia de nódoas a olhar para chão e a puxar as calças para cima?

The answer, my friend, is blowing in the wind. 
Mas não voltei a casa para mudar de roupa.

Hoje é o meu feriado pessoal - o dia em que mamãe morreu. Faço sempre qualquer coisa especial e tinha planeado entregar um trabalho muito importante para mim hoje, em intenção dela. Mas não deu, atrasei-me um bocado. E agora, às 10h25, me toquei: este post é a coisa especial deste 26 de outubro. A minha mãe era a mulher mais vaidosa do mundo e sofria horrores com o meu desprendimento (mesmo quando eu era magra). Se estiver lá em cima a olhar-me como penso que esteja, devem ter sido anos de desgosto, estes últimos. Um post sobre roupa vindo de mim só pode fazê-la feliz. Tou no bom caminho, dona Melânia.

6 comentários:

Naná disse...

Eu prefiro mil vezes a gorda colorida, mesmo que com cores nada intercomunicáveis!

Ana. disse...

Eu também, se bem que me parece que a palavra "gorda" assim empregue com tanto desdém já não se aplica a ti!
My sweet rainbow!!
;)

Carla R. disse...

Com tanta tendência de moda louca que por ai anda, qualquer dia as camisolas cheias de nódoas e borbotos, calças a cair na pança, ténis de 2001 e cabelo preso vão estar IN, e ai, minha cara, eu vou ser a maior !!!! Opa, é que gosto mesmo de andar assim. E comprar vestidos 2 numeros acima para estar à vontade ? Para quando ? Para quando ?
Se te sentes bem, isso é que é importante. Mas isso ja sabes.

Melissinha disse...

Minha linda Anamê, sou uma orgulhosa bola às cores, hoje. Vou ver se arranjo uma foto.

Julieta disse...

Sem duvida a bolinha colorida por fora e, sobretudo, por dentro :)

gralha disse...

:)