domingo, 7 de outubro de 2012

Taylor Caldwell

Mamãe não era uma leitora - nem papai o é, não sei onde fui buscar o hábito, na verdade -, mas adorava Taylor Caldwell, que vocês provavelmente não conhecem. Acho que ninguém conhecia além da mamãe, a sua maior fã. Devorava livros com títulos como Médico de Homens e de Almas e comprazia-se em dar-me TODOS os pormenores do livro enquanto eu o lia, fim inclusive, se o entusiasmo para aí a levasse. Não era leitora, mas era uma boa contadora de histórias - fofocas também.

Poupada como era -pelo menos isso sei onde fui buscar - e não dispondo de uma rede de bibliotecas como há hoje em dia por cá, mamãe revirava sebos e feiras de livros velhos em busca de sagas familiares cheias de dinheiro e sangue. Era noveleira, a dona Melânia, e procurava o mesmo tipo de prazer nos livros - histórias ágeis, com descrições exatas e fragrantes, heroínas traídas por tudo e por todos. Para ela, ninguém as escrevia melhor do que o Taylor.

Sim, nós achávamos que era homem, os livros não traziam a foto da autora.

Este era o preferido. Li-o várias vezes e tenho trechos inteiros memorizados. Que idiota esta Ellen, Melissa!, dizia, enquanto ia virando as páginas com uma cara indignada de novela das oito. 

5 comentários:

Ana C. disse...

Quer dizer que a tua mãe vibrava e refilava e protestava e suspirava com os personagens do romance de cordel :)

Melissinha disse...

efusivamente!

Melissinha disse...

(Mas eram livros giros. Vou ver se encontro!)

gralha disse...

Tão filhinha de sua mãe, menina Mel :)

Melissinha disse...

hahahah gralha <3