sexta-feira, 12 de outubro de 2012

No meio

É terrível quando não se acredita na escola (escola - sistema, nada que ver com público ou privado) e não se confia (nem se tem o que é necessário) no homeschooling.

Acho que o começo da vida académica do meu filho (que ainda está a alguns anos de distância) será o primeiro  verdadeiro sapo borbulhento e com picos que terei de engolir.

18 comentários:

Ana C. disse...

Certos sapos não sabem assim tão mal. É sinal de que somos flexíveis e não temos duas palas nos olhos.

Melissinha disse...

Fala pela boca dum anjo, Casaca. Porque quando leio quadros de honra, TPC, excelência académica, atividades extracurriculares depois de um dia inteiro de curriculares e etc etc só me dá vontade de ir criar galinhas para o meio do mato.

Acho inacreditável termos chegado a um ponto civilizacional em que tudo, absolutamente tudo seja mais importante do que o lazer e o tempo em família. É perverso e demoníaco. Não falo só da escola, a escola é só o canteiro do sistema todo.

Ana C. disse...

A escola da Alice não tem nada disso. Enfim, tens actividades extra-curriculares, sim, mas não são obrigatórias. Ela não está em nenhuma e mesmo a natação, eu quero ir com ela aos sábados e não mandá-la com a escola, a seguir às aulas, quando ela vem estoirada para casa.
Tu ainda tens algum poder no meio desta história toda.

Ana C. disse...

A culpa é das próprias famílias. As escolas vão atrás daquilo que os pais procuram.....

Naná disse...

Melissinha, estou com a Ana C.

Se bem que nos dias que correm, peca-se por excesso na busca dos TPC's e das honrarias por mérito.

Creio que aquilo que buscas é o meio termo entre os ensinamentos da escola e o ensino doméstico. Lembro-me que na infância a minha mãe fez um pouco disso comigo, e hoje em dia sei tanto graças a ela!
E não acredito que não tenhas o que é preciso para o ensino doméstico...

manue disse...

Eu que dei AECS (actividades extra curriculares) não recomenda ninguém a inscrever o seu filho nelas! Porquê? Ora bem as aulas acabam às 15h30. As AECs começam às 15h45. Eles têm 15 minutos para irem à casa de banho, brincarem e comerem. Chegavam à minha aula sempre com o lanche inacabado,alguns ainda não tinham começado. E eu tinha de começar a minha aula sem dó nem piedade pois só tinha 45 minutos.
Acho muito violento.
As AECs acabam às 17h30 e a maior parte ainda vai para o ATL. Que raio de sociedade (a culpa não é dos pais, claro)

Melissinha disse...

Manue, é isso. Acho que é sistémico, a escola é só o começo. Na minha maneira de ver as coisas, está tudo errado.

Não confio no homeschooling porque acho que se a escola (sistema) é formatadora e privilegia apenas um tipo de talento e de maneira de aprender, o homeschooling cria pequenas cópias da família. Sim, devemos criá-los de acordo com o que acreditamos, mas não unicamente. Ponto de vista é importante.

Melissinha disse...

Somos criados para a competição, feito cavalos e galgos. E se isso é triste em qualquer altura da vida, aos cinco, seis anos de idade é deplorável. Enfim, é algo que terei de resolver na alma, mesmo.

gralha disse...

Não complica, Mel, não complica. Se ele tem a estrutura familiar e a cabeça no sítio, o resto virá com naturalidade.

Melissinha disse...

Obrigada, menina gralha :)Eu sei que sim, mas acho tudo errado. É um sistema doente - mas e daí é uma sociedade doente, também. E o eles gostarem ou adaptarem-se bem para mim não é consolo, porque nós somos desenhados para a adaptação e para a aprendizagem e se nos dizem, ao princípio, que aquilo é bom para nós, queremos entrar em conformidade. Enfim, acho que devíamos ter mais liberdade para escolher aprender o que achamos importante para a nossa vida.

Vou procurar alguma escola que dê a volta à coisa assim com mais meiguice.

(Lembram-se da cena final de A Turma? A miúda calada e triste que chega ao professor no fim do ano letivo e diz ao professor que não aprendeu nada?)

Ana C. disse...

Melissa, és tu quem decide e quem tem o verdadeiro poder na vida do teu filho. Não duvides disso nunca. És tu quem lhe dará os valores que importam. O grande problema veio com as famílias a quererem descartar a maior parte do tempo e educação dos putos, na escola. Se é certo que há pais que não conseguem mesmo ter tempo, também é certo que muitos querem encher os putos de actividades. Eu não delego na escola o meu tempo útil com a minha filha. Ela está lá apenas o que é obrigada a estar e já foi formatada, por mim, para dar sempre o seu melhor, sim, mas sem stress e sem preocupação com o melhor dos outros.

Ana C. disse...

Vocês não estão bem a ver como é que ela chega da escola. Completamente estoirada.

Melissinha disse...

Eu sei que sim, Casacón, mas queria que o tempo em que não estivesse conosco fosse diferente. E principalmente MENOS. Mas aí está, é sistémico.

Melissinha disse...

O Gabriel ainda está no infantário e já chega cansado ao fim do dia, estica-se no sofá a ver o Panda deitado sem dar um pio, só falta pedir-me a mine.

Melissinha disse...

Metade do tempo na escola, metade do tempo no trabalho anos depois. A outra metade, ou muito mais, era para o que realmente interessa na vida.

(Eu sei.)

gralha disse...

Sou exigentíssima com os meus: exijo que aprendam a cumprir o que é de regra e exijo que questionem, duvidem, criem novas soluções. Porque ambas as posturas vão fazer falta ao longo da vida.

Melissinha disse...

Eu tento questionar um pouco menos por ora, para lhe facilitar a vida.

Daí os sapos, grandes e gordos sapos, por antecipação.

c disse...

Conversa aqui em casa há uns dias:
- Mãe, o P. tem tanta sorte...
- Então porquê?
- O pai dele vai buscá-lo para almoçar e não vai às AECs.
(O pai do P. é desempregado...)
Também engoli esse sapo, mas, como diz a Ana C., podes retirar-lhes bastantes picos jogando com as alternativas! Mas prepara-te para ser olhada de lado pela grande maioria das outras famílias :)