segunda-feira, 19 de março de 2012

Sarar

Não sou mulher de sarar depressa. Se eu fosse daquelas bloggers mesmo más, diria que sou uma espécie de hemofílica emocional. Os meus lutos demoram décadas, os meus rancores são levados pela eternidade afora, traumatizo com facilidade, não ultrapasso, não esqueço.

Por isso, foi com estranheza e alegria que ontem, em conversa com uma boa amiga, percebi que um dos piores eventos da minha vida está completamente arrumado. Arrumado mesmo. Já não me causa arrepios, já não desperta o gosto de injustiça na boca, não me acelera o coração e não me deixa mal por horas a fio. Foi algo que me causou um enorme sofrimento e me retirou toda a autoconfiança, e hoje vejo que foram precisos anos, e um anjo (sim, tu, pessoa que eu costumo chamar anjo), para me restaurar. E ontem, ao falar disso, nem tchum de raivinha e gosto de má memória. Nem tchum! O tal hecatombe emocional foi INTEGRADO. E ponho "integrado" em letras grandes, porque, olhando para trás e para a frente, eu a modos que precisei daquilo para o caminho (duro, que continua duro e há-de ser sempre duro) que se seguiu. Não foi esquecido, o hecatombe. Não foi negado, não foi enterrado, não foi sublimado. Foi hegelianamente integrado. Está lá, em 2007, a marcar um "antes e depois" na minha vida.

E foi excelente perceber isso. Lufada de ar fresco para quem não tem pinga de simplicidade em lidar com as suas merdas.

Este é Hegel. Fez-me a vida negra no 12º ano. Hoje, apenas me faz lembrar vagamente o pediatra do meu filho. Outra coisa (pequenina, vá) hegelianamente superada.

3 comentários:

Irina A. disse...

AHAHAHAHAHAHAHA
O Dr. Sandro!
AHAHAHAHAHAHAH

Melissinha disse...

Não é igual?

Irina A. disse...

É!!!LOLADA